16 janeiro 2013

Socorro em montanha – 8ª parte - Feridas




As feridas, bem como as restantes lesões dos tecidos moles, são todas aquelas que interferem quer com a pele, quer com as camadas musculares que lhe ficam por baixo.




Podem ser maiores ou menores, não deixando por isso, de ser todas importantes, surgindo na maioria dos casos a partir de acidentes de qualquer tipo.

A sua gravidade depende não só da extensão e profundidade mas também da existência de outras lesões associadas e todas elas provocam, além da dor, hemorragias menores ou maiores, lesões de nervos e tendões, lesões de órgãos internos e nalguns casos, infecções, contaminações  e até estado de choque.






Conceito de ferida

Ferida é uma rotura provocada na pele, seja ela uma simples picada de um alfinete, um corte por uma lâmina, uma facada, um tiro ou uma dentada, podendo ser superficial ou profunda e atingir pequena ou grande extensão.

Estas lesões podem-se dividir em:

Lesões superficiais simples:

Não necessitando de tratamento médico ou diferenciado.

Lesões superficiais complicadas,  Profundas ou penetrantes

Requerem sempre tratamento médico ou diferenciado (podem associar-se a lesões nos órgãos internos)
E ainda:

Lesões fechadas:  

São aquelas em que existiu apenas lesão na derme ou hipoderme, sem que tenha havido ruptura da superfície da pele ou das mucosas do corpo.

Lesões abertas:

São aquelas em que houve ruptura da superfície da pele ou das mucosas do corpo, isto é, em que houve ferida
Portanto: ferida é uma solução de continuidade da pele (ruptura mais ou menos profunda da pele).

A pele

A pele é o elemento de contacto do corpo com o meio ambiente, protegendo-o do frio e do calor, da humidade e da secura, assim como do ataque de bactérias. A pele deve ser forte e resistente e adaptar-se ao tamanho do seu possuidor.

A pele é o revestimento externo do corpo, pesa cerca de 4 kg e divide-se em três camadas.
A camada superficial, a EPIDERME, onde estão os pelos e as glândulas. Depois aparece a DERME, com feixes de fibras, e, por último, a HIPODERME, com camadas de tecido adiposo e conjuntivo, que tornam possível a aderência da pele aos órgãos internos.





Funções da pele

Na derme e hipoderme abundam os vasos sanguíneos, que transportam substâncias nutritivas. O calor do corpo é regulado através de dilatações ou constrições adequadas dos vasos sanguíneos cutâneos e também mediante o suor, cuja evaporação actua como refrigerante. O sebo das glândulas sebáceas torna a pele flexível.
Os receptores sensoriais da derme e da hipoderme fornecem-nos constantemente informações sobre o meio ambiente. Os diferentes corpúsculos sensoriais registam diferentes tipos de informação. Por isso, na superfície da pele existem diferentes pontos sensíveis ao frio, ao calor, à dor, ao tacto ou à pressão.




Lesões abertas (feridas)

Estas lesões são geralmente designadas por feridas e podem-se classificar em:

. Escoriações





. Feridas Incisas





. Feridas Contusas





. Feridas Penetrantes






Primeiro Socorro

O primeiro socorro deverá ser posto em prática para todas as feridas, independentemente do seu tipo:

. Acalmar a vítima falando com ela, saber como se feriu e se tem em dia a vacina contra o tétano.
. Se necessário, retirar adornos (aneis, relógios, fios, etc)
. Ter as mãos e unhas lavadas
. Expor a ferida
. Nunca falar, tossir, espirrar ou fumar para cima de uma ferida
. Lavar e desinfectar a ferida
. Cobrir a ferida com um penso, de preferência esterilizado

Nota: As feridas devem ser sempre lavadas e desinfectadas, no sentido de dentro para fora e nunca utilizar algodão para limpar as feridas. Não usar álcool ou soluções corantes como mercúrio-cromo e tintura de iodo.





Feridas requerendo tratamento médico ou diferenciado:

São feridas do tipo: na boca, nariz, pescoço, olhos, órgãos genitais ou quaisquer feridas extensas ou profundas.




Primeiro socorro:

. Acalmar a vítima falando com ela, saber como se feriu e se tem em dia a vacina contra o tétano.
. Se necessário, retirar adornos (aneis, relógios, fios, etc)
. Expor a ferida
. Nunca falar, tossir, espirrar ou fumar para cima de uma ferida
. Não lavar ou desinfectar
. Proteger a ferida com compressas ou panos limpos e secos





. Efectuar cobertura da ferida





. Providenciar o transporte para um hospital

Lesões dos tecidos moles

A maioria das lesões compromete os tecidos moles, a pele, os músculos ou a fáscia (planos de tecido conjuntivo, organizados no corpo humano em camadas. Envolvem e separam os ossos, músculos e órgãos, preenchem os espaços e dão unidade à estrutura). Podem ser fechadas ou abertas.




Lesões fechadas dos tecidos moles

Um objecto contundente atirado contra um corpo com força suficiente, esmaga o tecido abaixo da pele. Dentro deste tecido origina-se a formação de uma contusão. É uma ferida fechada se a pele se mantiver integra. A lesão abaixo da superfície pode-se estender a uma profundidade variável. A lesão é precedida de formação de edema e dor. Geralmente os pequenos vasos sanguíneos nos tecidos são rompidos, permitindo o vazamento de quantidades variáveis de sangue e plasma para o tecido. Este vazamento imediato é o responsável pelo edema e pela dor. O excesso de sangue no tecido migra gradualmente em direcção à pele e causa uma coloração característica, a Equimose, de cor preta e azul-escura.





Quando são danificadas quantidades consideráveis de sangue, ou quando são rompidos vasos sanguíneos grandes no local da contusão, pode provocar o desenvolvimento bastante rápido de um coágulo de sangue dentro do tecido lesado, sendo a lesão fechada de tecido mole mais grave, chamado de hematoma ou literalmente, um tumor sanguíneo





Tratamento das lesões fechadas

As contusões pequenas não requerem cuidado especial de emergência. Nas lesões mais graves de tecidos moles, o edema e o sangramento abaixo da pele podem ser intensos e levarem ao choque. Pode-se conseguir um certo controle deste sangramento, fazendo-se  pressão no local com uma ligadura macia. As aplicações locais de frio podem ajudar a controlar o edema inicial, e reduzi-lo até certo ponto. Se o sinistrado tiver uma lesão extensa de partes moles, deve-se questionar a possibilidade de existência de fracturas subjacentes.






Lesões abertas de tecidos moles

As feridas abertas causam sangramento evidente e estão sujeitas à contaminação directa, podendo provocar infecção.

Escoriações

São as lesões mais superficiais, designadas geralmente por “esfoladela”. Têm origem no esfregar a pele contra uma superfície áspera, geralmente chão, alcatrão da estrada, pedras, paredes, muros, gelo, etc. Provoca a perda de parte da camada externa da pele. Geralmente é extremamente dolorosa e pode haver sangramento através dos capilares da superfície lesados.






Primeiro socorro

. Limpar a zona lesionada
. cobrir com um penso

Feridas incisas

São lesões que têm origem num objecto cortante e afiado (facas, navalhas, lâminas, vidros, galhos, paus, etc. É uma ferida de um corte, cujos bordos são lisos.  Provoca dor profunda e sangra bastante e continuamente. Geralmente caracteriza-se por um ferimento cortante ou recortado na pele, nos tecidos subcutâneos, nos músculos subjacentes, nos nervos e vasos sanguíneos associados.






Primeiro socorro

. Unir os bordos da ferida
. Aplicar um penso compressivo
. Controlar a hemorragia
. Cobrir com um penso

Feridas contusas

São lesões causadas por objectos contundentes.





Primeiro socorro

. Controlar as hemorragias
. Se a lesão for muito extensa, deverá imobilizar a zona como se fosse uma fractura.
Nota: Se houver objectos estranhos encravados, não os retirar.

Feridas perfurantes

São lesões provocadas por objectos pontiagudos e normalmente bem afiados. É um tipo de ferida que à superfície da pele não apresenta gravidade, no entanto são muito graves porque provocam lesões graves em zonas muito profundas. Não existe forma de o socorrista/montanheiro avaliar o grau de lesão causado por uma ferida desta natureza. Geralmente requer uma cirurgia exploradora na zona lesada. Deve-se sempre suspeitar de lesão extensa. Algumas feridas, especialmente as das extremidades,  podem atravessar todo o membro ou cavidade do corpo para saírem do lado oposto.






Primeiro socorro

. Localizar os orifícios de entrada e/ou de saída.
. Controlar as hemorragias externas e prever  a hipótese de hemorragias internas.
. Tapar as feridas com pensos, se possível, esterilizados.




Complicações das lesões abertas

Além da possibilidade de aparecimento de uma infecção e de um tétano, é também comum, neste tipo de lesões, o aparecimento de hemorragias e estado de choque, bem como lesões várias nos músculos, nos nervos e nos tendões, o que como se percebe, facilita o agravamento da lesão inicial.


O tétano é uma doença infecciosa e aguda. O germe que a produz, depois de entrar no organismo, multiplica-se e produz uma toxina que ataca a espinal medula, podendo levar a vítima à morte.
Quando as agressões sofridas pelas vítimas são muito violentas, são normalmente atingidos os órgãos internos, causando na vítima lesões que, a qualquer momento, podem pôr-lhe a vida em perigo imediato.

Dentro deste tipo de lesões, as que poderão ocorrer mais facilmente são:

. Lesões do Tórax

. Lesões abdominais

Quaisquer destas lesões podem apresentar-se abertas ou fechadas.




Lesões do Tórax

É um traumatismo extremamente grave, principalmente se vai afectar a ventilação da vítima através de possíveis perfurações nos pulmões. Mas a gravidade desta lesão não fica por aqui, existindo a possibilidade de hemorragias internas e de lesão directa do coração e pulmões. Assim, as pancadas fortes no tórax poderão ocasionar, além das mais diversas fracturas, ruptura do coração, ruptura do diafragma e toda uma série de contusões associadas, levando o sinistrado, por vezes, a uma morte rápida, se a sua entrada no hospital não for feita dentro do mais breve espaço de tempo.

As lesões torácicas podem ser resultado de quedas, armas brancas, armas de fogo, explosões ou compressões. Este tipo de lesões pode interferir seriamente com o fornecimento constante de oxigénio. O nosso organismo não tem capacidade para armazenar oxigénio. Qualquer tipo de lesão que interfira seriamente com o fornecimento constante de oxigénio por meio da respiração normal, deve ser tartada sem demora, a fim de evitar a lesão permanente das células que dependam essencialmente de um fornecimento constante de oxigénio, especialmente as células do encéfalo e outros elementos do sistema nervoso que necessitam continuamente de um suprimento rico em oxigénio, podendo morrer em poucos minutos, se este for interrompido.

As lesões do tórax podem dividir-se em:

. Abertas

quando são provocados por objectos que penetram na parede exterior e assim provocam, primeiro que tudo, uma ferida. Podendo também estar associadas a fracturas graves das costelas em que a extremidade fragmentada da costela lacera a parede torácica e a pele para o exterior. Estas lesões podem ser concomitantes com contusões ou lacerações do coração, pulmões ou grandes vasos.






. Fechadas

Quando resultam de pancadas na parede do tórax. Neste tipo de lesões a pele não perde a sua continuidade. Podem ocorrer, no entanto, graves danos resultantes de costelas fracturadas ou contusão no interior do tórax, podendo ainda haver lacerações do coração ou pulmões. As lesões fechadas graves incluem compressão do tórax e contusões graves, originadas por exemplo, por um objecto em queda livre, soterramento numa caverna, etc.

Os distúrbios originados no indivíduo por esta lesão podem ser muitos e de vários tipos. No entanto, ao socorrista/montanheiro interessa só o facto de em todos os casos haver grande perigo para o sinistrado, pois a qualquer momento pode haver paragem ventilatória, também esta com várias origens.

Esta lesão pode ser identificada por:

. Dor no local da lesão
. Dor pleurítica (dor que se agrava pela respiração ou ocorre com ela) localizada ao redor da lesão
. Dispneia (dificuldades ventilatórias)
. Cianose (dos lábios e unhas)
. Pulso fraco e rápido
. Excitação
. Confusão e delírio
. Hemoptise (eliminação de sangue com a tosse)
. Impossibilidade de um ou ambos os lados do tórax se expandirem normalmente com a respiração
. Ausência de movimentos ventilatórios (nos casos mais graves)





Sintomatologia  de lesões torácicas

Qualquer alteração no padrão respiratório normal será um sinal particularmente importante a ser observado. A dor torácica no local de uma fractura ou de uma contusão evidentes, indica lesão da parede torácica, podendo indicar também lesão do pulmão subjacente. A dor é agravada pela respiração, principalmente quando inspira, indicando irritação das superfícies pleurais do pulmão ou da parede torácica. Esta irritação pode ser resultado da laceração destas superfícies por costelas fracturadas ou por alguns processos patológicos graves.

A profundidade da respiração e a dificuldade em realizar um ciclo ventilatório são indicadores fiéis de dificuldade respiratória. Esta dispneia poder ser resultado de várias causas. No sinistrado traumatizado, pode advir de uma expansão inadequada do tórax, ou do facto de o sinistrado ter perdido o controlo nervoso normal da sua respiração, ou ainda, devido a obstrução das vias aéreas ou compressão intratorácica do próprio pulmão pela acumulação de sangue ou ar. A observação de que a parede torácica deixa de se expandir quando o sinistrado inspira é extremamente importante, pois constitui uma indicação de perda de capacidade dos músculos torácicos actuarem  adequadamente. Tal disfunção muscular pode resultar da lesão directa da própria parede torácica, de uma lesão grave dos nervos que controlam a parede torácica ou de uma lesão encefálica grave.

A hemoptise geralmente indica que o pulmão está lacerado. Em tais casos, o sangue pode penetrar nos brônquios intrapulmonares, sendo então eliminado pela tosse, na tentativa de limpar as vias aéreas.
Um pulso fraco e rápido são os sinais de choque. O choque pode resultar de uma oxigenação insuficiente do sangue por  um pulmão incapaz de se expandir para receber ar inspirado e oxigenar o sangue que o atravessa. Pode ainda, resultar de hemorragia grave da parede torácica lacerada, com a própria perda de sangue causando desta forma, o choque.

A cianose indica que o sangue não está a ser suficientemente oxigenado. A detecção destes sinais num sinistrado com lesões graves, indica que ele não é capaz de levar uma quantidade adequada de oxigénio para o sangue, através dos pulmões e consequentemente, deve-se suspeitar de uma lesão torácica.





O Pneumotórax de tensão

 É um dos casos mais comuns de lesões torácicas. Pode resultar de uma abertura através da pele ou do pulmão. Enquanto o ar vai entrando para o espaço pleural (concentrando-se entre a pleura visceral e a parietal) , o pulmão lesado vai colapsando e diminuindo de volume, o que provoca um deslocamento anormal do mediastino para o lado oposto, originando uma compressão do pulmão não lesado e podendo ainda, comprometer o correcto funcionamento do coração. O sinistrado entra facilmente em asfixia.





Portanto Pneumotórax significa a presença de ar dentro da cavidade torácica, porém por fora do pulmão.  Nesta condição, o pulmão encontra-se separado da parede torácica e é dito colabado. O volume pulmonar  está diminuído, e a quantidade de ar que pode ser inspirado, a fim de promover as trocas de oxigénio e dióxido de carbono, encontra-se reduzida. Surge a hipoxia, e à medida que aumenta o pneumotórax torna-se evidente a insuficiência respiratória. 

O pneumotórax pode resultar da penetração de ar para o tórax directamente através de uma ferida aspirante aberta para o exterior. Pode também resultar da fuga de ar de um pulmão rompido por uma costela fraturada. No pneumotórax o mecanismo normal pelo qual o pulmão se expande, isto é, a adesão capilar ao interior da parede torácica, é perdido e o pulmão comprometido ou colabado, não se pode expandir com a inspiração.

Outra lesão também muito comum é:




Ferida aspirante do tórax

Quando a lesão é aberta, acontece que o ar que vai entrar pela ferida não pode sair, porque a ferida funciona como uma válvula unidirecional, mantendo todo o ar que entra, dentro da cavidade pleural. Neste caso é necessário actuar rapidamente e tapar de imediato o buraco, nem que seja com uma mão ou até com um dedo que se introduz na ferida até haver material apropriado para o tapar.




Portanto, nas feridas abertas do tórax, o ar pode penetrar na cavidade torácica através da ferida, quando o sinistrado inspira, e o tórax se expande durante o ciclo respiratório normal. Normalmente a pressão no interior da cavidade torácica é mantida um pouco inferior à atmosférica. A inspiração reduz significativamente esta pressão. Quando a cavidade torácica está aberta, o ar desloca-se através da ferida, da mesma forma que se desloca através do nariz e da boca durante a respiração normal. No entanto quando isto ocorre, o ar permanece por fora do pulmão, no espaço pleural. São formadas assim, as condições de um pneumotórax e o pulmão fica comprometido funcionalmente. O ar é eliminado através da ferida quando o sinistrado expira e a pressão intratorácica aumenta. Tais feridas abertas de tórax são denominadas feridas torácicas aspirantes, porque existe um som de aspiração na ferida cada vez que o sinistrado respira, causado pela passagem de ar através da lesão. Como medida de emergência, é fundamental que estas feridas sejam tamponadas com um curativo estanque ao ar. A finalidade deste curativo é selar a ferida. Deve-se usar uma cobertura grande, de forma que se evita que este seja aspirado para o interior da cavidade torácica.





Primeiro Socorro

Se a lesão é fechada

. Se há suspeita de fractura de costelas, manter a vítima imóvel tanto quanto o possível.

. Vigiar a ventilação e a circulação sanguínea.




Se a lesão é Aberta

. Recomende à vítima imobilidade absoluta.

. Considere sempre que está em presença de uma ferida aspirante do tórax e, por isso, tape de imediato a ferida com um penso não poroso.

Um penso não poroso pode ser improvisado para tamponar uma ferida, utilizando uma compressa, de preferência  esterilizada, que em forma de rolhão se introduz dentro do buraco (ferida), e cobrir depois com papel de alumínio (se não houver, pode-se substituir por um plástico, visto que a função é impedir a passagem do ar). Tapar depois com outras compressas e colocar adesivo em telha.





. Se a lesão for provocada por uma munição, procurar o orifício de saída e aplicar-lhe um penso.

. Controlar possíveis hemorragias.

O que se deve fazer a todas as vítimas, independentemente de a lesão ser aberta ou fechada.

. Prevenir o estado de choque.
. Colocar a vítima de lado e sobre a lesão (se não houver fractura de costelas).
. Não dar nada a beber
. Vigiar a ventilação e circulação.
. Se possível, administrar oxigénio( em montanhas altas, normalmente os alpinistas carregam balas de oxigénio)




Lesão do abdómen

É uma lesão que pode causar fractura ou ruptura das vísceras ocas ou maciças e caracteriza-se por sinais e sintomas idênticos aos das hemorragias internas invisíveis, particularmente quando as grandes artérias abdominais estão ao mesmo tempo lesadas.




Esta lesão também se pode dividir em:

. Abertas

Também designadas por feridas abdominais, que são aquelas em que há uma ferida penetrante provocada por munição, faca, navalha, pau, vareta, bastão, piolet, ou outro objecto afiado.

. Fechadas

Também designadas por contusões abdominais, onde não há qualquer ferida. São originados por pancadas fortes contra rochas, explosões, gelo, quedas, etc.




Primeiro Socorro

. Expor a lesão.

. Lavar a ferida com soro fisiológico ou com água e sal, tendo o cuidado de não lhe tocar com as mãos (a melhor forma de o fazer é deixar caír o líquido tipo água-corrente).

. Cobrir a lesão com uma compressa de preferência esterilizada (se possível utilizar um penso para o abdómen). Fixar com ligaduras ou utilizando lenços triangulares (cobertura do abdomén).

. Se existirem quaisquer órgãos saídos da cavidade abdominal, não se deve tocar-lhes, nem tentar introduzi-los no seu lugar.




. Manter o penso sempre humedecido com soro fisiológico ou com água e sal.
. Colocar a vítima semi-sentada e de joelhos flectidos se assim ela se sentir mais aliviada das dores.






Casos especiais

Corpos estranhos impalados

Ocasionalmente, um objecto como uma faca, lasca de madeira, ou caco de vidro, poderá ser encontrado numa ferida perfurante. É chamado de, objecto estranho impalado na ferida. Além do controlo da hemorragia, devem-se seguir três regras para o tratamento de um sinistrado com objecto estranho impalado na ferida: 1 – Não remover o objecto. A sua remoção pode causar hemorragia grave ou lesar nervos ou músculos próximos do objecto estranho. Deve-se tentar estancar qualquer sangramento do ferimento de entrada pela pressão directa , porém evitar exercer qualquer força sobre o objecto em si ou sobre o tecido directamente adjacente ao bordo cortante. 2 – Usar um curativo volumoso para estabilizar o objecto. O objecto estranho impalado, em si, deve ser incorporado dentro do curativo, de forma que a sua movimentação após a colocação da ligadura, seja mínima. 3 – Providenciar o transporte deste tipo de sinistrado, o mais urgentemente possível, para uma Unidade Hospitalar, com o objecto impalado ainda no seu lugar de origem.





Se for necessário encurtar um objecto impalado muito comprido, com a finalidade, por exemplo, de permitir o transporte do sinistrado, convém ter presente que mesmo o movimento mais leve pode causar dor grave, hemorragia ou lesar o tecido ao redor dele. Antes que o objecto seja cortado, deve-se ter certeza de que qualquer movimento transmitido ao sinistrado seja mínimo. A dor é um factor que agrava o choque no sinistrado que tenha sofrido hemorragia intensa. Deve ser evitada sempre que seja possível.

. Se existirem pequenos objectos encravados (faca, vidros, lança de gelo, arpão, pau, etc) nunca se retira. Fazer uma protecção com rodilha ou “sogra”, para que o objecto não alargue os bordos da ferida ou se afunde mais, e fixar com uma cobertura.

. Se o objecto estranho estiver nos olhos, tentar retirá-lo com um fio de água corrente, do canto interno para o externo do olho. Se não saír, fazer um penso oclusivo e vendar os dois olhos.





. Em feridas nas articulações com suspeita de lesão de nervos, músculos ou tendões, fazer penso na posição em que se encontrem os membros e imobilizar na mesma posição.




Ligaduras

Após o primeiro socorro a cada uma das lesões anteriormente focadas, é necessário fazer a fixação do penso. Assim, seguem-se exemplos que demonstram as execuções mais comuns de ligaduras.

Modo de colocar as ligaduras

Para ligar as feridas, usam-se ordinariamente ligaduras de gaze ou de linho, de comprimento e de larguras. Chamam-se ligaduras cinco por cinco, as que têm 5cm de largura e 5m de comprimento, dez por oito, as que têm 10cm de largura e 8m de comprimento, etc. Já com certeza experimentaram como é difícil colocar uma ligadura que não está enrolada. Torna-se pois, necessário enrolá-la antes de se proceder à sua colocação no sinistrado. É preciso ter o cuidado de iniciar a dobrar a ligadura pela ponta bipartida para que seja a última a parecer quando se liga. Duas pessoas fazem bem este trabalho, enquanto uma enrola, a outra estica a ligadura para que fique bem dobrada.





Para ligar feridas, o socorrista/montanheiro, coloca-se sempre diante e nunca ao lado do sinistrado. Começa-se a colocar a ligadura um pouco afastada do lugar que necessita dela e coloca-se com segurança. Começa-se sempre de baixo para cima e de diante para trás.




O comprimento da ligadura deve ser proporcional à parte a ligar. Portanto, para ligar os pés e as mãos, usam-se as mais pequenas. Para ligar as pernas, coxas e braços, usam-se as de 10 por 8 ou as de 15 por 8. Para ligar o tronco empregam-se as maiores que houver.





Existem diversos modos de colocar as ligaduras, um destes modos é o seguinte:

Pega-se com a mão direita na ligadura e faz-se girar obliquamente à volta do membro a ligar, apertando-a simultâneamente.  Desenrola-se apenas a parte necessária e sobrepõe-se de maneira que uma volta cubra metade da volta precedente. Tendo chegado ao extremo superior da parte a ligar, dobra-se a ligadura sobre si mesma, voltando a extremidade para o lado oposto ao que levava. No sítio da dobra conserva-se firme com os dedos e dão-se algumas voltas para que esta nova entrada da ligadura fique segura. De seguida volta-se para baixo dando voltas oblíquas em sentido contrário ao que levava quando se ia para cima. A extremidade terminal da ligadura fixa-se com um alfinete de segurança ou com um nó, que deve ficar sempre no lado de cima.




Quando se quer fixar a ligadura e verificar o ferimento rapidamente, antes enrola-se a ligadura em espirais largas não sobrepostas (ligadura em serpente) e, em seguida, cobre-se o resto com as voltas do costume.





Por vezes, se a ligadura é forte, à medida que se sobe para onde o membro tem maior grossura, a volta inferior destaca-se do membro. Para evitar esta situação, que impedirá que a ligadura se fixe no sítio, faz-se a ligadura cruzada.





Existe uma ligadura particular a que se dá o nome de “ligadura de funda”, por ser parecida com a primitiva arma de atirar pedras. Usa-se principalmente para ligar feridas da nuca, da testa, do nariz e do queixo. Faz-se muito facilmente dividindo longitudinalmente em duas , as ligaduras ordinárias em ambas as pontas, de modo que fique ao centro um pedaço inteiro que se destina a segurar o penso. É a ligadura mais fácil de improvisar e contudo uma das menos conhecidas na prática.

A ligadura colocada à maneira de Mitra de Hipócrates, usa-se ordinariamente para a cabeça. É necessário uma ligadura com duas pontas. Com uma delas, vai-se da testa até à nuca, e com a outra, dão-se giros circulares à volta da fronte.


A ligadura de quatro pontas usa-se para ligar o queixo. Consiste numa tira de gaze ou de linho um tanto grande e dividida de ambos os lados em duas tiras quase até ao centro. Aplicadas ao queixo, cada ponta ata-se à sua contrária sobre a cabeça.





Para quem pratica o montanhismo, o método mais prático e rápido de cobrir feridas é com o recurso aos lenços triangulares, os quais dispensam legendas e que a seguir demonstramos.





















Todos estes métodos apresentados podem salvar vidas, quando bem aplicados e bem treinados, no entanto, voltamos a frisar que devem ser muito bem treinados sob a supervisão de um técnico de saúde, porque quando mal aplicados… o mal pode ser agravado e inclusive conduzir à morte. Portanto, na primeira oportunidade, não pensem muito, frequentem um curso de primeiros socorros.






Boas caminhadas

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