31 janeiro 2012

O CMB será representado no Campeonato da Europa de Ski / Alpinismo

De 2 a 10 de fevereiro ocorrerá em França, mais concretamente em Pelvoux (Parque Nacional Des Ecrins), o Campeonato da Europa de Ski /Alpinismo. Tanto quanto é do conhecimento do Clube de Montanhismo de Braga, é a primeira vez que um atleta bracarense estará presente num evento internacional desta modalidade. Com efeito, o associado do CMB José Ferreira,

fará equipa com mais 3 portugueses, Nuno Caetano, Gonçalo Silva e Henrique Claro. Os quatro farão parte da delegação portuguesa da Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal (FCMP), que se fará representar pela primeira vez com uma equipa completa. Já no ano passado, o atleta Nuno Caetano, representou as cores nacionais em Claut (Itália), no Campeonato do Mundo de Ski/Alpinismo, tendo sido na altura o único atleta luso presente.

Apesar da prática desta modalidade ser praticamente inviável em Portugal, dificultando de sobremaneira o treino dos atletas, estamos certos que tanto Portugal como a cidade de Braga e o seu Clube de Montanhismo serão bem representadas.
Mas afinal o que é o Ski/Alpinismo? Muitos se perguntarão.
O Ski/Alpinismo não é mais do que um desporto que faz a junção de duas modalidades, o alpinismo com a actividade do ski, sendo um desporto de inverno que nasceu em Turim e que foi iniciado pelo suíço Adolfo Kind, o qual tinha abandonado a sua terra natal mudando-se para a capital da região do Piemont. Uma vez em Turim, e vivendo aos pés dos Alpes, Adolfo Kind costumava explorar a montanha por meio de técnicas de alpinismo e descia as montanhas fazendo uso de skis, que ele mesmo fabricava.Com o tempo, a prática iniciada por Adolfo Kind foi-se tornando popular entre os moradores locais. Com a divulgação das técnicas, e a utilização de skis, alterou os métodos de quem atravessava a fronteira ilegalmente a pé. Em muitos percursos, deslizar sobre a neve era mais rápido e mais seguro do que utilizar os pés e correr o risco de ser surpreendido pelas fendas cobertas pelo gelo. Desse modo nasceu o desporto actualmente conhecido como Ski-Alpinismo. Como em todas as modalidades desportivas este desporto não escapando à regra, foi sofrendo evoluções significativas que passam pela pele de foca que se fixa à base dos skis, permitindo a ascenção de terrenos nevados sem a necessidade de retirar os skis dos pés, ou peças que substituem os crampons das botas e que se adaptam aos skis, entre outras evoluções que oportunamente publicaremos noutro artigo.
O CMB – Clube Montanhismo de Braga, deseja uma boa prestação inquestionável desta representação portuguesa e em particular do José Ferreira, mais conhecido entre os amigos por "Zé Nuno", associado e representante do CMB desta feita, nesta dura prova de resistência e esforço físico.

30 janeiro 2012

Caminhada do dia 28.01.2012, mais um grande dia do CMB

No passado dia 28.01.2012 realizou-se a primeira caminhada do CMB (Clube de Montanhismo de Braga) do ano de 2012. Como seria de esperar, a actividade foi coroada de êxito total, pois resume-se a um dia explêndido em optima companhia e sem incidentes. Fomos agraciados pelo bom tempo, com condições meteorológicas propicias para a pratica da actividade efectuada, num local em que a paisagem nos transportou a outra dimensão.
Oportunamente e após recolha de todas as fotos, publicaremos um resumo das mesmas de forma a proporcionar uma ideia da actividade a quem não participou da mesma e para relembrar os bons momentos passados a todos os participantes. Entretanto fica aqui a foto do grupo.

27 janeiro 2012

Narciso Marques, Atleta de Ultra Trails (corridas de Montanha)


Nome: Narciso da Costa Marques

Data de Nascimento: 26 de Março de 1959

Naturalidade: Esporões, Braga

Residência: Ferreiros, Braga

CMB: Sócio activo

Narciso Marques é um daqueles atletas a quem podemos chamar com orgulho AMIGO com letras bem gordas, sendo um verdadeiro Campeão, por trás da sua modesta humildade, faz-nos ver o verdadeiro significado das palavras sofrimento e perseverança. Embora as Corridas de Montanha em Portugal, apenas agora estejam a sair do anonimato, o que se verifica pela forte adesão de atletas às ditas provas, já existe um grande historial da modalidade em Portugal, sendo o Narciso Marques um dos grandes impulsionadores pioneiros da modalidade.

Narciso Marques sempre foi um apaixonado pelas montanhas, não deixando desde sempre de dar a sua caminhadazinha pela montanha no mínimo uma vez por semana. Pratica atletismo desde 1980, quando participou na prova “Grande Prémio das Enguardas”, mas o atletismo em circuito urbano não lhe preenchia as necessidades, pelo que descobriu as provas de Ultra Trail em 1998, e desde então fez a junção de 2 prazeres, corrida e montanha. Sendo um amador, é de admirar os títulos conquistados desde então, sendo o seu próprio treinador e muitas vezes, sacrificando tudo e todos, incluindo a própria família, treinando afincadamente para conseguir alcançar os seus objectivos nas corridas de montanha, pondo à prova o seu espírito competitivo, e não esquecendo que sempre efectuou as provas às suas custas monetariamente, pois sendo uma modalidade meio desconhecida é difícil encontrar patrocinadores.

Narciso Marques é possuidor de um invejável curriculum na modalidade, sendo hoje um exemplo para a maioria dos atletas e campeões (onde está inserido com o devido mérito).

Das provas realizadas desde 1998 até à presente data, destacam-se as seguintes:

. Inatel/Braga 1997/1998, Campeonato Distrital de Rampa – Alcançando o 1º lugar sénior não federado

. Monte de Santo Antão / 2000, Vila Praia de Âncora – Alcançando o 1º lugar do escalão e o 5º lugar da geral

. Contra Relógio de Sintra / 2001 – Alcançando o 1º lugar do escalão e o 5º lugar da geral

. Enduro da Lousã / 2002 – Alcançando o 1º lugar do escalão e o 6º lugar da geral

. Desafio de Montanha / 2002 – Alcançando o 1º lugar do escalão e o 4º lugar da geral

. Campeonato Nacional de Montanha / 2009-2010, Km Vertical – Alcançando o 1º lugar da geral

. Ultra Trail Serra da Freita / 2009 (60 km) – Alcançando o 1º lugar do escalão e o 8º lugar da geral, com um tempo de prova de 7h:31m:09s

. Trail Aneto Trango World, Marathón Aneto / 2009 – Alcançando o 1º lugar do escalão e o 4º lugar da geral, com um tempo de prova de 4h:25m:03s

. I Trail Terras de Sicó, Condeixa-A-Nova em 28.02.2010 (30 km) – Alcançando o 2º lugar do escalão e o 15º lugar da geral, com um tempo de prova de 2h:25m:20s

. II Carrera de Montaña Alto Sil /2010 (29 km) realizada em 14.03.2010 – Alcançando o 1º lugar da geral, com um tempo de 2h:48m:25s

. Ultra Trail Serra da Freita / 2010 (70 km) – Alcançando o 1º lugar do escalão e o 9º lugar da geral, com um tempo de 11h:25m:35s

. IV Ultra Trail Geira-Via Romana / 2011 (17 km) – Alcançando 1º lugar da geral, com um tempo de 59m:41s.

. Ultra Trail Serra da Freita / 2011 (70 km) – Alcançando o 1º lugar do escalão e o 5º lugar da geral, com um tempo de 09h:49m:53s

. Ultra Trail AM, Amigos da Montanha / 2011 (52 km) – Alcançando o 1º lugar do escalão e o 11º lugar da geral, com um tempo de 5h:40m:30s


Perante um curriculum muito resumido deste atleta e amigo, muitas palavras elogiosas poderiam ser ditas, mas o Clube de Montanhismo de Braga, o qual o Narciso Marques tem representado com orgulho e dignidade, resume-se apenas a duas palavras, PARABÉNS e OBRIGADO. È um exemplo a seguir e a quem deve ser dado o merecido mérito. A título de curiosidade e provando que o mérito existe, aquando do Ultra Trail dos Amigos da Montanha 2011, tive a oportunidade de conversar com um amigo participante desta prova, que me segredou que o Narciso Marques o acompanhou na prova lado a lado durante quase todo o percurso e que o Narciso é um grande atleta com grande mérito, a pessoa a que me refiro é Salvador Calvo Redondo, considerado um mito a nível internacional no universo dos Ultra Trails, e quem melhor que ele para avaliar as capacidades do Narciso Marques.

26 janeiro 2012

CMB – Corridas de Montanha



Como é do conhecimento de grande parte dos associados do CMB, existe no clube uma Secção de Corridas de Montanha. Dela fazem parte, alguns atletas que muito fizeram em 2011 por dar boa conta do clube, estou referir-me concretamente ao Cláudio Ribeiro que efectuou em Outubro passado a Maratona Chismes-Dolpo, nos Himalaias com um meritório resultado e ao Narciso Marques que ganhou o Campeonato Nacional de Montanha no seu escalão.

Em 2012 tentaremos dar novo fôlego à divulgação da modalidade, não só com a apresentação das diversas provas do calendário nacional, eventos Ultra Trail`s (corridas de montanha com mais de 42km) nacionais e internacionais mas também dar conta da participação dos nossos atletas nas diferentes provas. Encetaremos esforços para que tão rápido quanto possível possamos realizar uma corrida de montanha em Braga, com a chancela do CMB. Abordaremos vários aspectos a ter em conta para quem se quiser lançar nesta modalidade, nomeadamente informações sobre vestuário e calçado, alimentação, treino. Em relação a este último ponto estamos a negociar um protocolo com a empresa US- Elite, que se dedica não só ao planeamento de treino para atletas profissionais mas também para atletas que apesar de amadores pretendem ter um “rendimento extra” nas competições onde participam.

Damos enfoque a este aspecto do planeamento do treino porque é uma ferramenta que nos permite ter um maior rendimento mas sobretudo permite, através de um acompanhamento sério, trabalhar preventivamente as eventuais lesões desta espectacular mas exigente modalidade.
Esperemos que este ano, seja marcado por um crescimento do número de corredores de montanha em Braga e que para isso o CMB possa contribuir positivamente.











José Ferreira


CMB - Secção de Corridas de Montanha

Caminhada do CMB dia 28.01.2012

É já no próximo dia 28 de Janeiro de 2012 (Sábado), que se realiza a tradicional caminhada mensal do CMB, inserida no plano de actividades anual e aprovado em Assembleia geral do clube, conforme já foi noticiado aqui no Blog. Será uma caminhada de dificuldade média. As previsões meteorológicas são favoráveis para um dia de sol, embora a montanha seja imprevisivel, pelo que fica ao critério de cada um levar agasalhos e protecções contra a imtempérie e o frio, não esquecendo a comida e a bebida, claro. Seja como for, concerteza será um optimo dia em boa companhia e onde nos esquecemos dos problemas do dia-a-dia. A partida será na entrada da Ex-Bracalândia à hora do costume. Aparece e disfruta de um dia diferente em harmonia com a natureza.

24 janeiro 2012

Como proceder se alguém caír através do gelo

Já publicamos aqui no Blog uma forma de como fazer auto resgate em caso de cair num buraco no gelo, hoje damos ideia de como alguém que assistiu à queda de alguém num buraco de gelo, pode proceder para ajudar essa vítima.

Alguém que caia num lago ou num rio através de um buraco no gelo, pode afogar-se em poucos minutos. Mesmo que consiga manter a cabeça fora de água, o choque afectará a respiração e o frio poderá paralisar os membros. Nestes casos, é fundamental agir com rapidez para salvar esta pessoa. Não devemos esquecer que todos os cuidados são poucos, não seria a primeira vez que em vez de existir uma vítima, passaram a existir duas ou mais, numa tentativa corajosa mas impensada de socorrer alguém.

Se a pessoa estiver consciente

. Mantenha-se fora do gelo, a não ser que não tenha outra alternativa para alcançar a vítima, mas nestes casos deve haver sempre outra pessoa para o puxar a si se porventura também você acabar por cair num buraco de gelo.

. Faça chegar até à vítima um pau com uma corda atada na ponta, se não tiver corda pode sempre improvisar com cachecóis ou outras peças de roupa.

. Se não conseguir alcançar a vítima a partir da margem, deite-se sobre o gelo para que o peso do corpo fique distribuído por uma área maior.

. Rasteje cautelosamente e empurre o pau à sua frente até alcançar a vítima. Não avance mais do que o estritamente necessário.

. Diga à vítima para esticar os braços por cima do gelo e bater com os pés, de modo a colocar o corpo o mais possível na horizontal. Isso diminuirá as probabilidades de ser arrastada para debaixo do gelo por qualquer corrente e facilitará a saída do buraco.

. Diga à vítima para agarrar o pau ou a corda com uma das mãos e quebre o gelo à sua frente com a outra mão, até encontrar uma zona suficientemente sólida para aguentar o corpo. Puxe pela outra extremidade do pau, para ajudar a vítima a içar-se para fora do buraco.


. Diga à vítima para bater as pernas e deslizar para cima do gelo.

. Logo que a vítima se encontre sobre o gelo, diga-lhe para se manter deitada e puxe-a para a margem.

Como formar uma cadeia humana

. No caso de haver várias pessoas para ajudar e não houver outra maneira de alcançar a vítima, formem uma cadeia humana.

. A primeira pessoa deve estender-se no gelo e rastejar em direcção da vítima, a segunda pessoa deve deitar-se no gelo e segurar os tornozelos da primeira, e assim sucessivamente até a cadeia ter o comprimento suficiente para alcançar a vítima a partir de um ponto seguro na margem.

Se a vítima estiver demasiado fraca para se agarrar a uma corda

. Ate na extremidade de um pau, uma corda com uma laçada.

. Estenda o pau ao longo do gelo até a laçada ficar ao alcance da vítima. Diga-lhe então, que passe a laçada pela cabeça e os ombros e a prenda debaixo dos braços. Em seguida puxe-a.



De regresso à margem

. Logo que a vítima esteja fora de perigo, verifique se respira.

. Se a vítima não respirar deve iniciar imediatamente a respiração artificial (boca-a-boca ou boca-a-nariz).

. Se a vítima respirar, envolva-a em peças de roupa ou cobertores secos sem a despir e leve-a para um local abrigado e aquecido.

. Uma vez abrigada, tire-lhe as roupas molhadas e envolva-a em roupa ou cobertores secos ou coloque-a num saco cama.

Boas caminhadas e prestem atenção onde colocam os pés.

22 janeiro 2012

Conclusões mais importantes da Assembleia Geral do CMB no dia 20.01.2012

No dia 20 de Janeiro de 2012, pelas 21:00h, teve lugar a Assembleia Geral do CMB, da qual se destacam os seguintes assuntos abordados:

Foi discutido e aprovado o plano de actividades do CMB para o ano de 2012, o qual se encontra já actualizado no nosso Blog.

Foi também comunicado que o nosso associado e amigo Eduardo Vieira "Edu", após a aventura no Mckinkley no Alasca em 2011, e com a qual muito honrou o CMB, tem programada nova aventura, desta feita aos Monte Rosa, Monte Eiger e Monte Cervino, entre os meses de Março a Junho de 2012, ficando em aberto a participação nesta expedição, a outros membros do CMB.

Foi também agradecido públicamente as participações do Claudio Ribeiro e do Narciso Marques nas provas Ultra Trail ocorridas em 2011 e nas quais representaram dignamente o CMB.

Foi também decidido que no decorrer do ano de 2012 o CMB retomará as formações na área de Socorrismo, Alpinismo, Montanhismo, Escalada, etc. As datas para a realização destas formações, serão comunicadas de acordo com a disponibilidade dos formadores, pelo que se devem manter atentos ao vosso email e ao Blog do CMB, caso estejam interessados em participar das mesmas.

Analisado o ano de 2011, verificamos que foi um ano muito positivo para o CMB em variados aspectos da vida do clube, pelo que com a colaboração de todos, esperamos que o ano de 2012 seja ainda melhor.

20 janeiro 2012

A Roupa de montanha

Nós, seres humanos, mantemos o conforto do corpo pela criação de um micro ambiente de ar aquecido próximo da pele. A combinação de baixas temperaturas, chuva e vento, removem este ar quente e pode iniciar uma perigosa redução de temperatura corporal. Se não controlarmos esta condição, poderemos entrar em hipotermia, que nos levará a incontroláveis tremores, perda de discernimento e eventualmente à morte.
As roupas protegem-nos do frio, do vento e da humidade. As roupas também nos devem ajudar a refrescar em casos de temperaturas elevadas. Esforços ou temperaturas excessivas podem causar ao corpo vestido inadequadamente, sofrimento e exaustão devido ao calor, tornando-se numa situação que pode ser tão mortal como a hipotermia.
Todo o montanhista é responsável pela sua própria segurança. Vestir-se adequadamente para o ambiente de montanha é fundamental.

No geral, o que dissermos da roupa está intimamente relacionado com o tempo, no Inverno usamos e levamos mais roupa do que no verão. O segredo está em levar a mínima roupa necessária para a nossa protecção e comodidade. O nosso objectivo é conservar a temperatura corporal interna do corpo, protegendo-nos do frio e da humidade, não esquecendo que o frio e a humidade não são apenas provocados pelos agentes externos, mas também pela transpiração que provocamos quando caminhamos. É lógico que devemos vestir algo para nos abrigar quando paramos para comer ou quando fazemos uma pausa para descansar, se não quisermos que a humidade do corpo nos arrefeça.
Uma vez vista a teoria, passemos aos tipos de roupa que podemos adquirir hoje em dia. O algodão, por exemplo, mantém a humidade do corpo e pode esfriar-nos, enquanto que maravilhas técnicas como o polipropileno permitem que o calor do corpo expulse a humidade, mantendo assim a capa interna da roupa seca e portanto protegida.

O objectivo da roupa é duplo. No verão protege-nos dos perigosos raios solares, que nos queimariam a pele se estivermos expostos a eles durante muito tempo. No Inverno, a roupa forma capas isolantes que retêm o ar aquecido pelo corpo, impedindo que se evapore por simples convecção. Além disso usamos uma terceira capa para o tempo húmido, que permite que as capas isolantes permaneçam secas e cumpram a sua missão. Este é, teoricamente, o conceito do vestuário em camadas.

O sistema de camadas

Começando pela camada mais interior e avançando para a exterior, temos em primeiro lugar a camada de transmissão de vapor, depois a camada isolante ou de aquecimento e por último, a camada protectora.


A Camada de transmissão de vapor

Inclusivé no verão, esta camada pode ser muito importante. A sua missão é absorver e transmitir a humidade corporal rapidamente e com eficácia para o meio exterior sem perder as suas próprias características isolantes. Até à pouco tempo, a lã era o material preferido para a vida ao ar livre, e continua a ser muito popular , no entanto apresenta dois inconvenientes importantes. Muita gente acha-a muito incómoda para usar próximo da pele, pois pica, arranha e necessita de muitos cuidados, além disso, após a usar durante um certo tempo, fica fria e húmida, sendo isso mesmo o que pretendemos evitar. Posteriormente chegou a roupa interior de malha. Este tipo de roupa costuma ter agulhas de corda, algodão e por vezes nylon. Ainda que pareça impossível, são estas agulhas que nos mantêm aquecidos ou frescos, conforme o que pretendemos. Quando colocamos esta roupa por debaixo de outra camada isolante, as agulhas fazem com que o ar permaneça imóvel e se aqueça em contacto com o corpo, fazendo um isolamento eficaz. Quando tivermos muito calor, abrimos a roupa para que saia o ar quente. Simples e eficaz. A malha também limita a absorção de humidade ao mínimo, e se molhar, seca rapidamente.
A malha, contudo, foi amplamente superada com a introdução no mercado, da roupa “tecnológica” e hoje os polipropilenos e o poliéster dominam o mundo da roupa interior. Estes tecidos mágicos são os mais leves de todas as fibras sintéticas, o que os torna ainda mais atractivos para os montanheiros. São confortáveis no contacto com a pele e o que é mais importante, eliminam a humidade melhor que a lã ou a malha. Esta ausência de absorção de humidade torna-os muito úteis também no verão, quando apenas usamos essa roupa. Não se tornam frios nem húmidos e são suficientemente leves para serem frescos. Debaixo de outra camada, permanecem sempre frescos e aquecidos.

A camada isolante ou de aquecimento

Podemos analisar agora a segunda camada, a que nos mantém aquecidos. Dependendo das circunstâncias, esta camada poderá ser uma camisola de lã (fibras naturais), um Jersey de gola alta, uma camisola de felpo ou uma camisola e alguns jerseys e/ou um colete acolchoado fabricados com tecidos sintéticos tipo fleece pile, polartec ou dracon. O importante é conseguir formar uma camada isolante que envolva o nosso corpo numa nuvem de ar imóvel e quente. O material que usarmos dependerá de uma série de factores: o peso, o volume, a humidade ambiente, o dinheiro que podemos disponibilizar e até certo ponto, a moda.
A introdução do Thinsulate e do Sontique, o conceito de isolamento sem volume, pressupõe um grande avanço para a roupa de montanha, porque nos permite levar roupa bem agasalhada debaixo das capas impermeáveis, que constituem a seguinte camada do sistema poupando espaço e peso na mochila e atingindo os objectivos para os quais foram idealizados.

A Camada de protecção externa

Esta camada exterior, protege a camada isolante da chuva, da neve e dos efeitos do vento que nos roubam calor, podendo ser blusões, anoraks, capas de chuva ou parcas. A configuração desta camada depende de diversos factores, mas principalmente das nossas finanças e da meteorologia que vamos encontrar na nossa expedição. Na prática, a nossa eleição neste capitulo será facilitada. O PTFE, ou se preferirem a terminologia técnica, o politetrafluoroetileno, é o mais evoluído que existe dentro dos materiais protectores, sendo mais conhecido no mercado com nomes como Gore-Tex, Klimate, etc. O PTFE é um laminado que permite a saída do vapor de água do interior, mas impede a entrada de água das gotas de chuva. É uma das maiores evoluções para o montanhismo desde a invenção da mochila. Felizmente já existem abrigos impermeáveis que ao mesmo tempo evitam a condensação interna.
Antes, usávamos distintos materiais como nylon, sobretudo para a chuva e para a neve. O problema era quando o corpo aquecia e começava a libertar vapor de água com a transpiração, empapando as nossas camadas isolantes. Com o PTFE o vapor de água passa pelos poros minúsculos do laminado empurrado pelo calor corporal, tornando a condensação mínima. Como estes poros são 400 vezes mais pequenos que uma gota de água, a chuva não pode penetrar desde o exterior.
O Gore-Tex, como outros laminados impermeáveis/transpiráveis, é dispendioso, mas protege infinitamente melhor que qualquer outra coisa, por isso vale a pena o desembolso. O Gore-Tex usa-se hoje em dia para tudo o que possamos imaginar, como botas, tendas, polainas, gorros, meias, calças etc. É simplesmente fantástico e tornou a vida do montanheiro muito mais fácil e confortável.

Protecção da cabeça

A cabeça apenas representa cerca de 20% da superfície corporal, mas como apenas tem a protecção de tecidos adiposos, podemos perder por ela, quase 40% do calor total do nosso corpo. Portanto, a cabeça é a primeira parte do corpo que deve ser destapada quando estivermos muito quentes, e a primeira parte a cobrir, quando estivermos com frio.
Para protegermos a cabeça do frio, podemos usar um passamontanhas fino se não estiver demasiado frio, ou usar um de forro polar para temperaturas extremas. Para evitar o vento podemos utilizar o capuz do blusão ou também passamontanhas ou gorros com membrana corta vento. Uma opção polivalente, são os tipo Buff, que têm imensas utilidades, além de ocuparem pouco espaço e terem um peso reduzido.

Quando estivermos no meio de uma tempestade, será muito útil uma máscara de neoprene, pois mantém o calor e evita que a neve machuque a pele da cara ao chocar contra ela a grande velocidade.
O Gorro. É usado em função da situação e da personalidade de cada um. Os montanheiros usam vários e diferentes tipos de gorros. No entanto, as qualidades de um bom gorro são, pouco peso, boa ventilação e protecção adequada contra o sol, o frio e o vento. No inverno o gorro deverá ser suficientemente comprido para proteger as orelhas.


Protecção das mãos

Da mesma forma que fazemos a protecção do corpo, também devemos seguir a teoria das camadas para as mãos. Como luva interior ou primeira camada, é recomendável uma luva fina de polipropileno e por cima destas utilizaremos umas luvas de forro ou de lã.


Para a camada exterior convém utilizar uma luva impermeável, fabricada com uma membrana microporosa ou polimérica, podendo ser luva ou manápula. A luva permite maior mobilidade, mas é mais difícil de colocar do que a manápula.


Devemos ter presente que a manápula será muito mais quente que a luva, uma vez que os dedos se estarão a tocar e por condução, os dedos que tenham menos corrente sanguínea aproveitam-se dos que geram mais calor. Como as manobras mais delicadas com manápolas se tornam mais difíceis do que com luvas, uma opção interessante é usar uma manápola tridedo, que separa o dedo indicador dos outros dedos .


O problema de umas mãos frias não se aplica apenas às luvas, devemos ter atenção a outros pormenores como punhos pouco herméticos, levar pulseiras ou relógios ajustados, pois com estas situações vai-se perder calor ou gerando menos do que o que necessitamos.

Protecção das pernas

As camadas que se aplicam para o tronco são idênticas para as pernas. A diferença verifica-se nas calças da camada de protecção externa e nas polainas. As calças devem ter fechos laterais para em caso de necessidade, poderem ser abertos facilitando a saída da transpiração e refrescar-nos. Devem ter protecções reforçadas nos joelhos, entre as pernas e na zona dos glúteos. O seu desenho deve facilitar as necessidades fisiológicas. Devem possuir um sistema de fechos que permita colocar e tirar as calças sem retirar os pés do chão.

Como protecção extra contra os pés molhados, para além de uma boa bota, devemos colocar um par de polainas impermeáveis, quando caminharmos em neve profunda, erva alta ou quando o tempo estiver húmido. As polainas cobrem o espaço entre a parte superior das botas e o final das calças, evitando que as calças ou as meias se molhem. Além destas particularidades, ainda nos protegem as pernas abaixo dos joelhos, do vento servindo como camada extra de isolamento.


Considerações sobre a roupa

Nos últimos 10 anos assistimos a uma significativa revolução no fabrico de roupa para o campo. Hoje em dia é norma para os montanheiros, irem vestidos dos pés à cabeça com tecidos sintéticos desde o polipropileno da roupa interior até às camadas protegidas com Gore-Tex. Os novos materiais, não só funcionam melhor que os seus antecessores, como também são mais leves no que concerne ao peso, mais fáceis de cuidar, mais compactos e mais duradoiros. No entanto devemos recordar sempre que este é apenas um meio para alcançar um fim. Será apenas um pormenor que facilitará a nossa saída para os lugares mais agrestes da montanha. Nem o melhor equipamento será um passaporte para estes locais, simplesmente se limitará a facilitar-nos o caminho e a distância. A comodidade e a protecção são as chaves da roupa funcional, muito mais que o aspecto. Se dia após dia nos sentimos incómodos, não tardará a chegar o descontentamento e o mau humor. A comodidade da roupa também exige um peso leve e uma ventilação adequada. A facilidade que se pode usar e tirar a roupa, especialmente num espaço limitado como uma tenda, também deve ser levado em conta. O montanheiro deve evitar que o corpo sofra calor, frio e humidade desnecessariamente, separados ou em combinação. Daí vem a importância das camadas.

Devemos ser capazes de ajustar a nossa roupa com rapidez e eficácia de forma a estarmos em sintonia com o tempo e para ajudar a controlar o calor que geramos. A vantagem das camadas é que quando tivermos muito calor podemos sempre tirar algumas peças de roupa para refrescar o corpo e por outro lado, quando tivermos muito frio, podemos sempre vestir mais algumas peças de roupa de forma a mantermos estável a temperatura do nosso corpo. Concerteza não será necessário usar todas as peças de roupa citadas de uma vez, mas convém telas connosco, pois a meteorologia na montanha pode mudar bruscamente. Por outro lado convém ter roupa para mudar na tenda, pois as noites na montanha são particularmente longas e se tivermos no corpo, roupas humedecidas, poderemos vir a ter graves problemas. Será boa ideia levar sempre um gorro suplente na mochila, não esqueçamos que a cabeça perde uma grande quantidade de calor corporal, portanto se sentirmos frio e colocarmos um gorro, notaremos a diferença no resto do corpo. Por outro lado, não devemos ceder à tentação de usar durante o dia, a roupa que usamos para dormir, principalmente as meias. É agradável e excelente para a moral vestir roupa seca e quente para dormir no saco cama, mas devemos trocar a roupa pela manhã de forma a mantermos essa roupa em perfeitas condições de conforto. Sabe melhor usar as meias da noite no dia seguinte, do que calçar novamente as meias humedecidas da marcha do dia anterior, no entanto após calçarmos as meias humedecidas e iniciarmos a marcha, nem damos conta disso.







Cuidados a ter com a roupa impermeável

. A sujidade e o suor podem obstruir e sujar os microcorpos do tecido, diminuindo a sua transpirabilidade.

. Manter a roupa limpa ajuda a permitir que funcione com toda a sua capacidade.

. Alguns tipos de detergente podem destruir quimicamente alguns elementos da cobertura, portanto devem ler as etiquetas e seguir as instruções de lavagem e secagem do fabricante. No entanto é uma péssima ideia colocar este tipo de roupa numa máquina de lavar, pois o movimento rotativo da máquina destrói a parte hidrófuga da roupa.

. É conveniente aplicar um spray hidrófugo periodicamente neste tipo de roupa para manter mais duradoira a impermeabilidade.


Detalhes importantes de um blusão impermeável

. O fecho (zipper) deve ter duplo sentido

. Protecção interior por detrás do fecho

. Protecção exterior do fecho com sistema de velcro

. Bolsos exteriores, os interiores são desnecessários, com fecho vertical ou diagonal e sempre com protecção exterior

. O capuz, suficientemente grande para usar com o capacete, acomodando sempre os movimentos da cabeça, e não amovível

. Fecho de punhos de regulação rápida em velcro

. Reforços exteriores anti-abrasão

. O mínimo possível de costuras exteriores

. Todas as costuras devem estar interiormente termoseladas


Esperamos ter elucidado algumas dúvidas que poderiam existir, desejando desde já caminhadas agradáveis e confortáveis.

17 janeiro 2012

É já no próximo dia 20.01.2012 a Assembleia Geral do CMB



É já no próximo dia 20.01.2012



Não esqueçam de aparecer, é do interesse de todos e a opinião de cada um é importante para o bem do CMB, que só existe graças a cada um de nós e para cada um de nós, que aos poucos fazemos muitos. Aparece.

No próximo dia 20 de Fevereiro (6ª feira), nos termos do disposto no artigo 4º, alínea 1, dos Estatutos do Clube de Montanhismo de Braga, será realizada a respectiva Assembleia Geral dos Sócios do CMB.
Esta reunião terá lugar na sede do CMB, sita no Estádio 1º de Maio, às 21:00h (em frente da entrada da antiga Piscina Municipal)


Escusado será dizer que a presença de todos os sócios é importante.



Todos os que pretendam associar-se ao Clube estão também convidados e são bem- vindos. Para se associarem apenas necessitam preencher a ficha de inscrição (poderá efectuar-se na assembleia) e proceder ao pagamento da inscrição e quota anual.
Para quem pretenda renovar ou aderir às cartas de montanheiro e o seguro de montanhismo, poderão efectuar o seu pagamento na Assembleia.

Ordem de trabalhos da Assembleia:

.Análise e Aprovação de contas de 2011;
.Regularização das quotas anuais;
.Discussão e votação do plano de actividades para o ano de 2012;
.Outros assuntos da vida do clube

15 janeiro 2012

Lista de material aconselhável para a actividade de Gredos

Em resposta ao solicitado por alguns associados do CMB, passamos a descriminar uma lista de material que aconselhamos para a actividade do Carnaval 2012 na Serra de Gredos. Convém informar que esta lista é meramente indicativa, devendo os participantes fazer individualmente os ajustes que considerarem necessários:

ROUPA:

. Botas de montanha (recomenda-se o uso de botas de montanha rígidas ou semi-rígidas para maior estabilidade em terreno nevado e uso de crampons);
. Calças Impermeáveis;
. Casaco Impermeável;
. Forro Polar fino;
. Forro Polar grosso;
. Roupa Interior Térmica;
. Meias (de preferência sem costuras);
. Óculos de sol;
. Luvas finas;
. Luvas impermeáveis;
. Gorro;
. Gola ou Bufo;

MATERIAL:

. Mochila (entre 45 L e 65 L);
. Cobre mochila impermeável;
. Tenda (1 tenda para cada 2 ou 3 participantes);
. Colchonete;
. Saco-Cama;
. Lanterna frontal + pilhas suplentes;
. Fogão + gás;
. Tachos;
. Talheres;
. Canivete;
. Caneca;
. Termos entre 0,5 L e 1 L;
. Papel higiénico;
. Protector solar (factor de protecção superior a 30 ou protectores de tipo "ecran total");
. Sacos para lixo;
. Bolsa de higiene;
. Bolsa de 1ºs socorros/medicamentos pessoais;
. Toalhetes;
. Polainas;

MATERIAL TÉCNICO:

. Bastões de marcha;
. Piolet;
. Crampons;
. Máscara de neve;
. Arnês;
. Capacete;
. Mosquetões (1 x HMS + 2);
. Descensor;
. Aneis de fita ou cordoleta (1 x 60 cm + 1 x 120 cm);

ALIMENTAÇÃO:

. Comida para a viagem + jantar (cozinhar) para 2 dias;
. Enchidos + queijo;
. Rações de emergência;
. Barras + Gel energético;
. Frutos secos;
. Chá + Café instantâneo;
. Chocolates;
. Biscoitos e/ou bolachas;

DOCUMENTAÇÃO:

. Bilhete de Identidade / Cartão de Cidadão;
. Cartão de Saúde Europeu;
. Carta de Condução;
. Cartão Multibanco;
. Seguro (caso possua)

Nota: Aconselha-se que levem um saco (pequeno) com roupa, para fazerem a viagem de regresso. Este saco ficará na viatura.

Seguidamente, elaboramos um pequeno video onde tentamos explicar a funcionalidade de cada equipamento desta lista, o qual aconselhamos a visionar:
video

14 janeiro 2012

No Carnaval vamos a Gredos


Inserido como pré-plano de actividades do CMB para o ano de 2012, vamos efectuar uma actividade na Serra de Gredos com o objectivo de alcançar o cume do Almançor (2592 m de altitude), cujo nome completo é Sítio do Mouro Almançor, sendo o cume de maior altitude dos que coroam o chamado Circo de Gredos. Situa-se no município de Candeleda, província de Ávila em Espanha, próximo da província de Cáceres.
A ascensão do Almançor só se recomenda a montanhistas com alguma experiência. Embora no verão não seja necessário qualquer equipamento para a realizar, no Inverno, devido à neve e ao gelo, é recomendado o uso de cordas. A última fase da ascenção é classificada como escalada de segundo grau pela “UIAA – União Internacional das Associações de Alpinismo).
A rota normal de acesso é pela Laguna Grande de Gredos e Refúgio J. A. Elola, Hoya Antón e as passagens Portilla Bermeja e Portilla Crampón.
O percurso desde a Plataforma (local onde ficam as viaturas), até ao refúgio J. A. Elola (local onde montaremos o acampamento base), é de média a alta dificuldade, dependendo das condições atmosféricas.

A actividade terá o seu desenvolvimento previsivelmente com partida de Braga no dia 17 de Fevereiro de 2010 e regresso no dia 20 de Fevereiro de 2012.

Para os que se mostrarem interessados em participar desta actividade informamos que as inscrições se encontram abertas até ao próximo dia 05 de Fevereiro de 2012.

Oportunamente e após encerrarem as inscrições, será realizada uma reunião com o grupo de inscritos no sentido de averiguar a experiência, capacidade técnica, equipamento, tendas, distribuição de pessoal pelas viaturas, etc, de forma a efectuarmos uma actividade com toda a segurança possível.

As inscrições podem ser efectuadas enviando um email para: clubemontanhismodebraga@gmail.com
Circo de Gredos

13 janeiro 2012

Ultrapassamos a fasquia dos 10.000 visitantes


O Blog do CMB sente-se orgulhoso de ter ultrapassado a fasquia dos 10.000 visitantes da sua página. Desde já agradecemos a todos os visitantes aos quais esperamos ter ajudado de alguma forma com a informação publicada ao longo da sua existência. Apenas com esta afluência de pessoas visitando as informações que publicamos, se justifica a existência deste Blog, motivando-nos a continuar na divulgação de informação relacionada com a montanha e actividades desportivas ao ar livre.Tudo faremos para ir melhorando o nosso Blog e desde já lançamos um repto aos nossos visitantes no sentido de colaborarem connosco, enviando-nos artigos que considerem interessantes publicar e informando-nos de temas que gostariam de ver abordados aqui no nosso Blog. O Blog é para vocês, colaborem connosco.

O CMB agradece a vossa colaboração.

11 janeiro 2012

A importância dos Exercícios de Alongamentos ou estiramentos

A maioria das pessoas não executa exercícios de alongamentos antes e após a actividade desportiva, nas quais se enquadram as actividades de montanha. Tendem geralmente a vê-los como uma espécie de aquecimento aborrecido que se faz antes e depois das aulas de ginástica.
Porém, a flexibilidade é uma parte fundamental da nossa condição física, sendo cada vez mais praticada como exercício em si mesmo.
Os exercícios de alongamentos mantém os músculos maleáveis, melhoram o seu desempenho diário, reduzem o risco de lesões, aliviam a tensão e as dores, principalmente depois do exercício físico protegem o corpo de lesões, os alongamentos ainda promovem o equilíbrio corporal e a consciência do seu próprio corpo, e libertam endorfina que é a substância responsável pelo nosso bem estar.
Um bom alongamento é essencial antes de uma caminhada, pois estimula o cérebro a libertar hormonas do bem estar (serotonina e endorfina). Essas substâncias segredadas pelas glândulas, espalham-se por todo o corpo e nutrem os órgãos e músculos, fazendo com que nos sintamos revigorados, pois enquanto a mente e o corpo relaxam, a pressão sanguínea e os batimentos cardíacos estabilizam-se.
Os exercícios de alongamentos fortalecem os músculos e corrigem a postura de forma equilibrada, acalmam o sistema nervoso ao libertar a tensão comprimida entre as camadas de músculos, articulações e ossos. O cérebro relaxa através dos alongamentos corporais e envia sinais para que as células se renovem fazendo que nos sintamos mais jovens e vigorosos, ajudando o corpo a funcionar de maneira apropriada. Os exercícios de alongamentos são fundamentais para o aquecimento e relaxamento dos músculos e devem ser uma actividade incorporada nos exercícios físicos ou praticadas isoladamente, pois tornam os movimentos mais soltos e leves, reduzindo as tensões musculares e prevenindo lesões.
Após esta breve introdução elucidativa dos benefícios dos exercícios de alongamentos, vamos tentar aprofundar um pouco mais o tema.

Diferença entre flexibilidade e alongamento
Muita gente acha que flexibilidade e alongamento é a mesma coisa e alguns até chegam a confundir os dois termos. Tentaremos explicar a diferença, de forma a excluir as dúvidas.
A Flexibilidade é definida como a total amplitude de um movimento na articulação (grau 0) ou de grupos de articulações envolvidos num determinado esforço com ou sem a ajuda de uma pessoa ou equipamento. A flexibilidade não é generalizada, ou seja, pode inclusivé ser específica para um só movimento na articulação de um determinado movimento. Um exemplo seria uma pessoa com óptima flexibilidade nos joelhos e péssima nos ombros.
Ou seja, a flexibilidade é a qualidade física responsável pela execução voluntária de um movimento de amplitude angular máxima, por articulação ou conjunto de articulações, dentro dos limites morfológicos, sem risco de provocar lesão.



O alongamento é um conjunto de técnicas, exercícios ou manobras que têm por objectivo alongar (esticar) estruturas de tecido mole para manter ou aumentar a amplitude dos movimentos, os níveis de flexibilidade obtidos e a realização dos movimentos de amplitude normal com o mínimo de restrição física possível. Pode ser utilizado como aquecimento ou após actividades físicas, evitando a nodosidade muscular. Não tem risco de distensão e não há aumento da mobilidade articular.
Assim sendo, podemos dizer que a flexibilidade é considerada uma valência física e o alongamento o meio para desenvolver esta valência.

Tipos de Alongamento Estiramento: É o alongamento que pode ser feito, sozinho, com um parceiro ou com equipamento. Deve-se alongar até atingir o limite dos arcos de movimento. Existem três tipos:
Passivo: Consiste em manter a amplitude do movimento durante vinte segundos, ou mais, se for relaxando com o tempo. De três a cinco series.
Activo: Consiste em alongar até perto do limite e dar pequenas esticadelas ( nº de repetições), fazer de duas a três series de 6 repetições. Se fizer muitas repetições o trabalho transformar-se num flexionamento.
Misto: Consiste em forçar até perto do limite, fazer quatro repetições e depois aguentar mais quatro segundos no ponto máximo atingido. É a forma de alongamento mais adequada.
Existem ainda outros tipos de alongamentos:
Suspensão: Nesse tipo são trabalhados os músculos e os ligamentos, as articulações não apresentam movimento. Consiste em pendurar-se e ficar suspenso, no máximo por um período de vinte segundos. Esse alongamento ajuda a retirar a água e os catabólicos provenientes das contracções musculares.
Soltura: Consiste em balançar os músculos, muito tradicional em nadadores, que balançam os tríceps. Pode ser feito por um companheiro. É relaxante pois provoca a desconexão das ligações de actina-miosina remanescentes.

Objectivos do alongamento
Restaurar a amplitude de movimento normal na articulação envolvida e a mobilidade das partes moles adjacentes a esta articulação;

Prevenir o encurtamento ou tensionamento irreversíveis de grupos musculares;

Facilitar o relaxamento muscular;

Aumentar a amplitude de movimento de uma área particular do corpo ou corporal de forma geral, antes de iniciar os exercícios de fortalecimento;

Reduzir o risco de lesões músculo-tendinosas (tendinite).

Benefícios dos exercícios de alongamento
Reduz o risco de entorse articular ou lesão muscular, tendinites, etc...

Reduz a irritabilidade muscular, assegurando a manutenção de um tónus muscular correcto

Aumenta o relaxamento muscular

Torna o músculo mais forte e resistente

Benéfico para a coordenação, pois os movimentos tornam-se mais soltos e fáceis

Facilita a actividade física, na medida em que prepara o corpo para o esforço. Fazer alongamentos nessas situações é como informar aos músculos que estão prestes a ser utilizados

Flexibilizam os ligamentos posteriores da coluna vertebral, ajudando a manter o seu equilíbrio



Desenvolve a consciência corporal. Melhorando a postura. Conforme alonga, as várias partes do seu corpo, a pessoa focaliza-a e entra em contacto com as mesmas. Cada pessoa aprende a conhecer-se;

Reduz as tensões articulares provocadas por músculos muito encurtados, que na maioria das vezes são responsáveis por problemas articulares (principalmente em idosos ou em indivíduos que se viciam em posições erradas do dia a dia);

Preparam o músculo para a actividade física, mobilizando as membranas fibrosas

Aumentam a temperatura do corpo e o ritmo cardíaco, activando a circulação

Ajudam a eliminar o ácido láctico (responsável pela sensação de dor ou ardor muscular) acumulado nos tecidos musculares após o exercício

Ajudam-nos a concentrar e a diminuir os níveis de ansiedade

Feitos regularmente e com correcção os exercícios de estiramentos podem ajudá-lo a melhorar gradualmente a flexibilidade, mobilidade e forma física. São adequados a pessoas de qualquer idade e sexo, independentemente da condição física de cada um.

Ajuda a libertar os movimentos bloqueados por tensões emocionais, de modo que isto aconteça de forma espontânea

Reduz a resistência tensiva muscular antagonista e aproveita com menos esforço a força dos músculos agonistas.

Permite a realização de gestos e movimentos que sem esta, seriam simplesmente impossíveis;

Por que se deve fazer alongamentos?
Tanto uma vida sedentária, como a prática de actividade física regular intensa, em maior ou menor grau, promovem o encurtamento das fibras musculares, com diminuição da flexibilidade. Quanto à actividade física, nos desportos de longa duração, fortalecem os músculos, mas diminuem a sua flexibilidade.
Nos dois casos, a consequência directa desse encurtamento de fibras é a maior propensão para o desenvolvimento de problemas em ossos e músculos. Provavelmente, a queixa mais frequentemente encontrada tanto entre sedentários, como entre atletas, é a perda da flexibilidade provocando dores lombares, devido ao encurtamento da musculatura das costas e posterior das coxas, associado a uma musculatura abdominal fraca.
Com a prática regular de alongamentos, os músculos passam a suportar melhor as tensões diárias e dos desportos, prevenindo o desenvolvimento de lesões musculares.



Como devem ser feitos os alongamentos
Antes de iniciar os alongamentos, é importante aprender a forma correcta de os executar, de forma a aumentar os resultados e evitar lesões. Inicie o alongamento até sentir uma certa tensão no músculo e então relaxe um pouco, aguentando a posição entre 15 a 60 segundos, voltando novamente à posição inicial de relaxamento. Os movimentos devem ser sempre lentos e suaves.

O mesmo alongamento pode ser repetido, tentando alongar mais o músculo mas, evitando sentir dor. Para aumentar o resultado, após cada alongamento, o músculo pode ser contraído por alguns segundos, voltando a ser alongado novamente. O ideal será combinar a prática do alongamento a uma actividade aeróbica, como, por exemplo, a caminhada.

A respiração é fundamental. Quando se respira fundo, aumenta-se o relaxamento muscular. É a respiração que dá o ritmo ao exercício e por isso deve ser lenta e profunda.

Deve-se respeitar os seus limites. Forçar o alongamento pode causar lesões nos músculos e tendões. Não deve haver a preocupação de alongar até ao limite. Aos poucos vai-se ganhando flexibilidade.

Regularidade e relaxamento são ingredientes obrigatórios para um bom alongamento. Aprenda a introduzi-lo na sua rotina.

Os alongamentos conseguem esse resultado porque aumentam a temperatura da musculatura e porque produzem pequenas distensões na camada de tecido conjuntivo que revestem os músculos.

Quando se deve fazer alongamentos
É importante alongar adequadamente a musculatura antes e também depois de uma actividade física. Isso prepara os músculos para as exigências que virão a seguir, protegendo e melhorando o desempenho muscular. Pela sua facilidade de execução, a maioria dos alongamentos podem também ser feitos, praticamente a qualquer hora. Ao despertar pela manhã, no trabalho, durante viagens prolongadas, no autocarro, em qualquer lugar. Sempre que for identificada alguma tensão muscular, prontamente algum tipo de alongamento pode ser empregue de forma a produzir um bem estar.

Existem autores que defendem que os alongamentos antes ou após o exercício gera maior probabilidade de causar lesões do que preveni-las. Segundo estes autores, em vez de fazer exercícios de alongamento antes da actividade física, o correcto seria fazer exercícios de força, exercícios de estabilidade, exercícios dinâmicos ou uma massagem local com o intuito de preparar a musculatura para o desgaste físico que se aproxima. E após a actividade física realizar exercícios de relaxamento. Segundo estes autores, ao executar um exercício físico ocorrem micro lesões que deixam o musculo inflamado e ao efectuar exercícios de alongamento podem ser aumentadas ainda mais essas micro lesões. Estes autores defendem que o correcto seria efectuar estes exercícios de alongamentos no mínimo 2 horas antes e após a actividade física, pois a musculatura já teve tempo para se recompor do desgaste decorrente do esforço físico. Na minha opinião, concordo com estes autores no que diz respeito a fazer um prévio aquecimento antes da actividade física, no que concerne ao após o exercício já discordo, uma vez que os músculos estão quentes e prontos para serem alongados e trabalhados. Após duas horas do exercício físico, já entram em acção os alongamentos como actividade física, conheço atletas de alta competição que não abdicam dos estiramentos nocturnos. Lógicamente deixo à consideração de cada um o método a adoptar, no entanto eu, pessoalmente opto à vários anos pelos alongamentos no final do exercício físico e sinto resultados satisfatórios.

Seguidamente apresentamos alguns exercícios de alongamentos que podem ser executados antes e após as nossas actividades de montanha. Existem muitos mais exercícios, mas penso que este pequeno número de exercícios apresentados, são fundamentais para a prática do montanhismo, não esquecendo que devem sempre procurar algum técnico ou especialista na matéria de forma a executarmos os exercícios correctamente, evitando lesões.