20 julho 2012

Como actuar perante uma queda numa fenda



Queda numa fenda

No momento em que um dos componentes da cordada sente que se afunda, deve mergulhar  para o solo, de costas ou de frente, abrindo os braços e tentando não perder o piolet. Já no interior da fenda, tentará deter a queda fazendo pressão sobre as paredes, se estas o permitirem, tentando desta forma diminuir o esticão da corda.

Se ficar suspenso, a primeira coisa a fazer será improvisar um autobloqueante ou colocar um nó prusik mecânico sobre a corda, unindo-o a uma cinta em forma de estribo, para permitir o descanso e a progressão para cima.

Se a vítima fôr o primeiro ou o ultimo da cordada, poderá construir um segundo estribo com a corda sobrante do extremo que leva debaixo da cobertura superior da mochila.



O acidentado deve-se livrar da sua mochila o mais rápido possível, prendendo-a à sua própria corda ou da que lhe tenham lançado entretanto.
É fundamental conservar a calma, avaliar a situação e tentar encontrar possibilidades fáceis de saír.


Conduta dos que seguram

Ao levar a corda tensionada, a queda será pequena e o roçamento da corda com a neve absorverá o esticão. Desta forma será muito fácil para os companheiros aguentar o peso do que caíu. Se a queda suceder durante a passagem de uma fenda, os companheiros já estão preparados para a deter. Se a queda acontecer durante a marcha simultânea da cordada, os restantes elementos da cordada, devem cravar, o mais rápido possível, o piolet na neve e colocar o seu corpo sobre ele para travar a queda. Os crampons impedirão que se deslize facilmente. Se o impulso da queda jogar o segurador ao solo, este tentará utilizar o piolet como sistema de travagem, de forma a evitar que o seu companheiro caia mais e o arraste também para a fenda.
Uma vez detida a queda, o elemento da cordada que estiver em melhor situação, colocará as ancoragens suficientes para segurar a corda com um nó autobloqueante ou prusik mecânico.


Se o terreno o permitir, devem-se desencordar de forma a terem maior mobilidade. Um dos elementos de preferência deitado e segurado, arrasta-se até à borda da fenda, inspecionando cuidadosamente a consistência da neve e colocará debaixo da corda o manipulo de um piolet ou uma mochila segura por uma corda, de forma a evitar que a corda que vai á vítima corte a borda e se introduza demasiado na neve. De imediato se avaliará a situação da vítima, analisando o seu estado e a possibilidade ou conveniência de o colocar num local de repouso, aliviando a tensão da corda.


Resgate

a)  Com colaboração da vítima

- Sistema alternativo: Este sistema requere a utilização de uma corda auxiliar. O montanheiro caído na fenda, ascende alternando o peso de uma corda para a outra, enquanto os companheiros, com um meio autobloqueante (nó de prusik), ajustam alternadamente as cordas, permitindo-lhe subir como se fosse uma escada imaginária. Este sistema apenas é eficaz em distâncias curtas.



- Sistema de autotracção: para executar este sistema é necessárioque o montanheiro caído na fenda, esteja em posse de todas as suas forças físicas. É o sistema mais simples, pois a desmultiplicação faz-se directamente sobre o arnês. Uma vez detida a queda, envia-se à vítima uma laçada na corda auxiliar com um mosquetão que será preso ao seu arnês. A vítima vai-se autopoleando  pouco a pouco, ajudado desde o exterior pelos companheiros que tracionam a outra ponta da corda, até a vítima chegar à borda da fenda. Esta tarefa pode ser facilitada se a vítima realizar a autotracção, colocando sobre a corda um autobloqueante ou prusik mecânico do qual penda um anilho em forma de estribo e colocando o seu peso sobre o pé que esteja introduzido nele.



Visto que a passagem do “lábio” da fenda é sempre a parte mais complicada, convém proteger o ângulo da mesma por onde vai passar a corda, antes de a lançar.

- Sistema de tracção: Quando a vítima se encontra debilitada fisicamente, não se poderá autopolear. Este sistema será empregue também quando não contamos com corda suficiente para realizar a autotracção. Neste caso apenas se enviará à vítima o extremo da corda auxiliar que se prenderá ao seu arnês, que será tracionado pelos companheiros com ajuda de uma polea (roldana).



b) A vítima não colabora

Neste caso, será conveniente que existam pelo menos dois homens para realizar o salvamento. Um deles descerá seguro até onde se encontre o ferido, para o aliviar do seu equipamento e confirmar a gravidade do seu estado. Pode ficar abaixo do ferido para orientar a manobra e ajudar na sua condução até ao exterior, evitando que este se magoe.


Deve-se tentar reduzir o roçamento no “lábio” da fenda, de forma a optimizar o rendimento da polea (roldana). Eventualmente, e se for possível, facilita a operação de resgate colocar um reenvio desde a borda oposta da fenda.


De qualquer forma, deve-se tentar retirar rapidamente a vítima da fenda, para evitar que sofra congelações, ou se estiver entalado, para impedir que o calor corporal o prenda ainda mais. Caso seja demorado o resgate, um dos componentes deve descer até à vítima para a agasalhar e dar-lhe bebidas quentes.


Nó de Prusik (autobloqueante)



Nó de Machard (autobloqueante)



Por último, devemos rematar que os resgates em fendas, como qualquer outra eventualidade deste tipo, podem originar numerosas variantes e situações que complicam tudo, pelo que as regras de actuação se devem aplicar a cada situação específica.





Resta-nos apelar à segurança e que nenhuma destas técnicas nunca seja necessária, no entanto na montanha, o perigo espreita a cada passada, portanto…

Boas caminhadas, e acima de tudo muito cuidado…

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