19 dezembro 2012

Socorro em Montanha – 5ª Parte - Evacuação por helicópteros




Operações com grua desde o helicóptero

A maioria dos helicópteros dispõe de grua com cabo e guincho. Com uma grua é possível recolher uma vítima ou fazer descer os membros da equipa de resgate numa zona onde o helicóptero não consiga aterrar.
As gruas podem ser eléctricas ou hidráulicas, sendo o tipo de sistema de grua determinado em função do modelo de helicóptero.

A grua costuma ter um braço que pode ser colocado para o exterior, de modo que a grua fique afastada do patim do helicóptero. Dispõe de dois comandos, um manejado pelo piloto e outro montado num interruptor manual que permite que um dos membros da tripulação a manobre desde qualquer parte do aparelho, inclusive apoiado apenas num patim. Para situações de emergência, o sistema dispõe de um cortador de cabo, parecido com uma guilhotina. A grua dispõe de uns 75 metros de cabo e pode suportar um peso máximo de 270 kg.

O cabo de aviação empregue em resgate, tem as propriedades comuns a outras classes de cabo: alta resistência à tensão, praticamente nenhuma capacidade de amortecimento dinâmico e enfraquecimento imediato à torção ou enrolamento. Por isso, quando se utiliza a grua, deve-se dispor de uma segurança de corda como sistema de apoio. Utilizar cordas desde um helicóptero pode parecer anacrónico, no entanto é um simples sistema que já salvou vidas em casos de rotura do cabo.





Sistema de segurança utilizado num helicóptero




Para realizar esta segurança, utiliza-se uma corda normal de escalada com núcleo, de 11mm de diâmetro e com 90 metros de comprimento, unida com um mosquetão aos anéis da cobertura. O mecanismo da grua tem uma resistência de 270 kg e a corda de mais de 1.800 kg, proporcionando uma margem de segurança bastante ampla. Deve prender-se a corda o mais afastada possível do cabo, para reduzir as voltas do gancho, principalmente quando a carga está próxima dos patins. Pode ser uma boa ajuda, dispor de alguém que se encontre no solo e que puxe a corda. De seguida prende-se a corda a uma placa de segurança que foi previamente segura a 3 anéis da cobertura, cada um deles com uma resistência mínima de 450 kg. Em determinadas ocasiões, prende-se a corda aos mosquetões que se encontram na cobertura. A maior parte da corda fica guardada numa mochila de onde vai sendo retirada durante a descida. Um extremo da corda prende-se às argolas em forma de “D” do aparelho de resgate e o outro extremo prende-se à argola da cobertura. A segurança faz-se da mesma forma que na escalada, sendo conveniente que o elemento que faz segurança esteja preso ao helicóptero. Se a grua ou o cabo falharem, as pessoas que estão suspensas na corda serão transportadas para uma zona de aterragem mais próxima.

Se o grupo de resgate nunca trabalhou com a tripulação do helicóptero, será conveniente fazer uma reunião informativa prévia à operação de resgate, por muito simples que esta possa ser. Não tem necessidade de ser uma reunião demorada. Tanto o grupo de resgate como a tripulação do helicóptero devem ficar de acordo em relação aos sinais a utilizarem para comunicar, o procedimento de engate, a capacidade da grua e medidas de emergência a adoptar. 

Existe um arnês chamado “colar de cavalo” concebido para içar as pessoas com a grua. Trata-se de um arnês acolchoado em forma de ferradura que se coloca por cima da cabeça e dos ombros. Pode ser colocado rapidamente. No entanto é pouco seguro para içar um ferido inconsciente ou semi-consciente ou ainda para pessoas inexperientes.




A malha é outro meio de transporte não rígido com o qual se pode transportar feridos com a condição essencial de que não padeçam de lesões na coluna vertebral, ou outras feridas graves. Não é necessário muito treino para colocar esta malha, tendo a vantagem de ser impossível caír dela. Revela-se mais confortável do que um arnês, podendo-se ajustar tanto na posição horizontal como na vertical e com a particularidade de poder ser transportada numa mochila.

Em determinadas ocasiões, é necessário içar o ferido numa maca. Estas situações dificultam as operações, porque o ferido não pode colaborar, além de que é bastante difícil estabilizar a maca enquanto é introduzida no helicóptero. É de extrema importância analisar o sistema de elevação que se irá utilizar e verificar onde se encontra a grua do helicóptero. Alguns modelos dispõem de um orifício quadrado onde se pode colocar a maca na posição vertical, e se houver necessidade, de a colocar na posição horizontal. Neste caso um dos elementos da tripulação terá que a recolher para o interior do helicóptero levantando-a e puxando-a. Outros modelos dispõem de uma grua montada na porta lateral do piloto, que roda para fora por cima do patim. Neste caso é bastante mais simples introduzir uma maca horizontal dentro do helicóptero. Como garantia de rapidez, segurança e eficácia, convém conhecer de antemão as condições e limitações existentes.







Alguns tipos de maca utilizadas em resgate com helicóptero




A equipa de resgate deve transportar consigo um cordino de 6mm de diâmetro e 90 metros de comprimento, que se ata aos pés da maca para a segurar e evitar que gire durante a sua elevação. A corda deve ficar presa com um mosquetão.

O acidentado deve ir preso à maca por intermédio de um arnês de escalada ou uma malha de segurança, colocado neste previamente, que irá preso, directamente ao gancho da grua. Além destas normas de segurança, ainda se deve fazer um cruzado com um cordino, na maca e sob a vítima, de forma que esta não se mova na maca. Na maioria das vezes, também se prendem as mãos do acidentado, para evitar que se magoe ao bater com elas contra o helicóptero.





Uma vez ultimados os preparativos, solicita-se a presença do helicóptero e faz-se descer o gancho da grua. É aconselhável deixar que este toque primeiro na terra para descarregar a electricidade estática. Ganha-se tempo, se uma pessoa segurar no gancho e no peso do cabo, enquanto outra abre o gancho e o prende ao sistema da maca. Um terceiro membro da equipa de resgate estará alerta e guiará a corda. A corda atada aos pés da maca não se deve segurar no solo, devendo ser extraída de uma mochila, de forma a reduzir a possibilidade de se formarem nós. Desta forma, evita-se que a pessoa que segura a corda seja arremessada para o solo se o helicóptero efectuar um movimento brusco. O helicóptero nunca deve estar ancorado ao solo em nenhum momento da operação.


Uma vez engatada a maca, esta é içada enquanto se estabiliza com a corda. Ainda assim, o helicóptero deve-se elevar ligeiramente de forma a reduzir o ângulo entre a corda e o solo. De seguida, um dos elementos da tripulação  introduz o acidentado no helicóptero e solta a corda.

É fundamental manter comunicação (seja por intermédio de sinais ou por via rádio entre a equipa de terra e a tripulação do helicóptero) enquanto durar a operação de resgate. Seja por intermédio de sinais ou por via rádio. A comunicação verbal é extremamente difícil devido ao ruido do motor. Apenas será possível se forem utilizados equipamentos que reduzam o ruido, como auriculares, microfones ou walkie-talkies. Existem também capacetes que podem ser conectados facilmente ao rádio e que proporcionam comunicações excelentes.

A evacuação com helicóptero numa pendente de rochas muito inclinada ou numa plataforma em plena parede, é sempre muito complicada. A primeira preocupação a ter em conta será a segurança de todos os participantes na operação de resgate. Outra fundamental será a de que o helicóptero nunca esteja preso directamente ao solo, e a terceira, que o acidentado esteja seguro durante toda a operação.





Existem diversas formas de prender uma maca, sem necessidade de a atar firmemente a uma ancoragem ou com a utilização de outros sistemas de segurança que impeçam soltar a maca rapidamente em caso de necessidade. Um dos métodos consiste em duas pessoas suspensas orientarem a maca, enquanto os restantes elementos da equipa de resgate se ocupam de apanhar o gancho e de o prender à maca.

Se o terreno for muito abrupto ou se o acidentado se encontrar sobre uma plataforma onde não exista espaço de manobra, uma ou duas pessoas podem segurar a maca com bocados de cordino, com a corda ou com cintas. Um extremo desta segurança fica fixa a um ponto de ancoragem. O outro extremo passa através da maca, normalmente por  um mosquetão preso à grade lateral da maca, e regressa até ao segurador, que a mantém tensa, mas sem a atar, podendo desta forma  soltá-la se for necessário.





No decorrer de um resgate com helicóptero pode surgir um tipo de emergência que se resolverá com um procedimento que é, simultaneamente, heroico e de decisão muito difícil.  A tripulação do helicóptero dispõe ao seu alcance um cortador de cabo ou guilhotina. Se algo falhar, sem margem para hisitações, deverá corta-se o cabo e as cordas de segurança, de forma a salvar a vida dos tripulantes do helicóptero, ainda que tal possa suceder à custa de sacrificar o acidentado e os seus acompanhantes. Trata-se de uma possibilidade remota, mas que deve ser levada em conta.




Manobras de pêndulo

Em alguns casos, será possível que o piloto não consiga imobilizar o helicóptero sobre o lugar onde se encontra o acidentado, como acontece por exemplo numa parede vertical. O piloto pode então fazer com que o helicóptero oscile como um pêndulo com a finalidade de conseguir fazer chegar uma mochila ao solo, ou permitir que um dos membros do grupo de resgate salte até perto das pessoas que se encontram na parede. A mochila desce-se com uma corda ou cabo da grua deixando-se oscilar até à parede. É preferível utilizar corda em vez do cabo, pois este pode golpear os patins do helicóptero ou roçar os calços com o gancho.






Resgate com corda fixa

Quando não se dispõe de helicóptero com grua ou a carga for demasiado pesada para o sistema de grua, pode-se efectuar a operação de resgate com corda, utilizando cordas de escalada normais. São melhores as estáticas do que as dinâmicas, por terem menos elasticidade. Mas mesmo utilizando-se cordas dinâmicas, aumenta-se bastante a margem de segurança.
O procedimento é o seguinte: Um membro da equipa de resgate desce em rapel desde o helicóptero, através de uma corda de escalada. Se fizer falta maca, pega nela, deixando-a pousada entre as suas pernas, aproximadamente a 1 metro abaixo do descensor. Outro membro do grupo desce em rapel desde o helicóptero com a corda presa numa ancoragem diferente da primeira. O segundo membro leva consigo uma corda de segurança presa a uma terceira ancoragem independente e ainda um descensor, que prenderá à maca.




Uma vez em terra, e por uma questão de segurança, os dois escaladores devem permanecer presos aos seus meios de rapel.

Logo que seja possível, devrão segurarar o acidentado na maca ou na malha. O primeiro escalador retira o seu sistema de rapel do arnês, mantendo-se preso à corda que prenderá à maca. De seguida, esse mesmo escalador pega no descensor e coloca-o na corda de rapel do segundo escalador que o prenderá ao seu arnês. Entretanto o segundo terá já atado a corda de rapel do primeiro ao descensor duplo, de modo que ambas as cordas passem por esse sistema. Finalmente o segundo prende a corda de segurança que leva consigo à maca e ao primeiro escalador.

Uma vez dado o sinal, ambos os escaladores, juntos com a maca, são içados e transportados, seguindo suspensos pelo helicóptero até uma zona de aterragem para serem colocados no solo. O escalador que se encontre na parte inferior, logicamente será o primeiro a tocar o solo e por isso é responsável  pela orientação da descida do outro escalador e do acidentado, dando ou tirando tensão às cordas.

Este sistema é muito seguro e representa uma resistência estimada de 1.100 kg, muito superior aos 270 kg do sistema com grua mecânica e cabo. A probabilidade de as 3 cordas rebentarem é muito remota. Em circunstâncias menos complicadas, apenas um membro da equipa de resgate poderia efectuar este trabalho descendo em rapel com uma segurança até ao acidentado, colocando-o numa malha e suspendendo-se ele próprio preso apenas com mosquetões. De seguida o escalador dá o sinal para iniciar o voo e os dois são transportados até uma zona de aterragem. Noutras ocasiões, nem tampouco é necessário fazer rapel, o resgatador é transportado suspenso no helicóptero, até ao local onde está a vítima. Prende a vítima a si próprio através de um arnês especial sem fivelas, e de seguida, os dois são transportados até a um local de aterragem.





Estas técnicas com helicóptero, principalmente estas últimas, são espectaculares, mas também extremamente perigosas, e porque assim é, o helicóptero não deve ser considerado como o remédio milagroso para resolver todos os problemas que envolvem a busca e o resgate. 

A este propósito convirá meditar sobre as palavras de um veterano piloto de helicóptero, ditas no dia seguinte a ter-se salvo por milagre, de um acidente com causas incompreensíveis. “O helicóptero é muito diferente do avião. Este está feito para voar e se não se produzirem interferências devido a fenómenos pouco comuns ou devido a um piloto incompetente, o avião voará. Pelo contrário, um helicóptero não quer voar. Mantém-se no ar devido a uma determinada quantidade de forças e controles que funcionam em oposição, umas contra as outras e se qualquer coisa perturba este delicado equilíbrio, o helicóptero deixará de voar imediatamente e desastrosamente. O helicóptero não Plana, cai”.




Curiosidades

Como nos aviões, cada modelo de helicóptero possui um sistema de voo específico. No que respeita a recordes de altura, e segundo a Federação Aeronáutica Internacional (FAI), que é o organismo que certifica os recordes aeronáuticos, o actual recorde de altura pertence ao francês Jean Boulet, que voou no dia 21 de Junho de 1972 a uma altura de 12.442 metros sobre o aeródromo de Istres (França) no segundo protótipo do Helicóptero SE3150 (F-ZWVN).



Helicóptero SE3150





Helicóptero pousou e descolou do cume do Evereste

Recentemente, um helicóptero modelo Ecureuil/Star AS 350 B3, com o piloto de testes, Didier Delsalle, bateu o recorde de aterragem e descolagem a maior altura, ao pousar, em 14 de Maio de 2005, sobre o cume do monte Evereste, a 8.850 metros.



Helicóptero Star AS 350




Didier Delsalle teve que aguentar no cume durante dois minutos, uma vez que esse é o tempo mínimo que determina a Federação Internacional de Aeronáutica para considerar o recorde válido. A anterior marca tinha sido conquistada pelo mesmo aparelho, dois dias antes, ao aterrar e descolar desde a encosta sul, a 7.925 metros. Antes de bater o recorde, o helicóptero realizou vários voos experimentais, participando em alguns resgates. Durante a fase de treino, o aparelho chegou a elevar-se até aos 10.000 metros de altura.



Helicóptero AS 350 Ecureuil




Helicóptero Russo voa a 8.600 metros de altitude

Esta outra marca foi alcançada, bem mais recentemente, durante uma competição desportiva organizada pela Federação Internacional  de Aeronáutica , em 27 de Agosto de 2012, nos arredores de Moscovo. O helicóptero de fabrico russo Mim-38 bateu o recorde de altitude na categoria entre 10 e 20 toneladas. O recorde foi alcançado pela tripulação de testes da fábrica de Milia sendo constituída por Vladimir Kutanin (primeiro piloto), Salavat Sadriyev (segundo piloto, Oleg Repetilo (Navegador) e Igor Klevantsev (engenheiro de bordo).
Este helicóptero Mim-38 tem prevista para 2015 o seu fabrico em série. Foi projectado para transporte de passageiros ou cargas, embora também possa ser utilizado em trabalhos de busca e resgate.



Helicóptero MIM-38




O Mim-38 conta com um sistema de aterragem de emergência na água e pode voar em condições meteorológicas extremas, com temperaturas que vão de -50º até 60º.




Quanto pode custar uma vida?

Os socorristas do ainda jovem serviço de resgate aéreo nepalês, retiram montanhistas indefesos das paredes dos Himalaias. Os seus instrutores são Suiços: os pilotos da Air Zermatt que oferecem experiência e tecnologia. O risco da operação, no entanto, é exclusivamente de cada piloto individual, e por vezes, revela-se fatal.



Air Zermatt Team




Um resgate nos himalaias com helicóptero a 6.000 metros de altitude? Ainda há poucos anos, isso era impensável. Para um montanhista no topo do mundo, um telemóvel era inútil e fazer um percurso nesse local, significava imensas vezes,  a morte.

A crescente afluência de montanhistas, entretanto, mudou a situação nas montanhas da Ásia. Hoje em dia, desde que se disponha dos meios adequados, é possível telefonar do cume do Evereste para a Europa ou América, desde que se disponha dos meios adequados. Por sua vez, os pilotos de helicóptero, voam quase diariamente para os acampamentos base, enfrentando altitudes cada vez maiores.

No entanto, resgatar um montanhista com um helicóptero nesses locais, é só por si considerado uma façanha acrobática. Um minúsculo pedaço de rocha que se desprenda pode causar a queda do aparelho e além dessas precauções, o piloto tem que ter atenção às frequentes rajadas de vento e em  voar com precisão quase milimétrica nos glaciares escarpados e mas suas fracturas enevoadas.

Nos Himalaias ou na cordilheira do Karakoram, voar torna-se muito complicado, pois no ar rarefeito, as pás do rotor têm pouquíssima resistência, tornando-se extremamente difícil descolar verticalmente.
“embora os aparelhos de última geração sejam suficientemente fortes para voar até 7.000 metros de altitude, estes não permitem nenhum erro lá em cima”, frisa Gerold Biner.

Ninguém poderia frisar isso melhor do que Biner. Aos 48 anos de idade e com mais de 12 mil horas de voo, Biner é um dos mais experientes pilotos de helicóptero do mundo, chefiando a equipa da Air Zermatt, considerada a elite do resgate aéreo em montanhas.



Gerold Biner




Os suiços realizam cerca de 1.500 operações de resgate por ano, mesmo nas mais inclementes condições climáticas e no mais ingreme terreno, eles são capazes de extrair alpinistas de fendas de gelo ou rochas. Por esse motivo, foram chamados pelos nepaleses em 2009, quando um montanhista esloveno teve problemas graves no Langtang Lirung, a 7.227 metros de altura. Infelizmente, a viagem da Suiça até ao Nepal e as formalidades burocráticas demoraram tanto tempo, que os pilotos suiços apenas conseguiram resgatar o corpo do montanhista já cadáver.



Foi nessa ocasião que Biner e os seus colegas da Air Zermatt decidiram ajudar o Nepal a montar a sua própria equipe de resgate, especializada em montanhas. Após uma fase experimental na Primavera de 2010 nos Himalaias, eles convidaram cinco membros da empresa de helicópteros nepalesa Fishtail Air para visitarem os Alpes do Cantão de Valais, para os treinarem na arte de resgates em montanha. Esta equipa pioneira foi composta pelos pilotos Sabin Basnyat e Siddharth Gurung, e pelos socorristas aéreos Purna Awale, Tshering Pande Bhote e Namgial Sherpa.



Fishtail Air Team work




A dificuldade para os helicópteros  em voos a grande altitude, é marcada por dois parâmetros. Por um lado a pobreza do ar, com uma ausência importante de oxigénio que impede o correcto funcionamento dos aparelhos. Por outro lado, as condições climatéricas, com ventos fortes, principalmente  a partir dos 8.000 metros.




Na realidade, um dos grandes problemas nos himalaias são os resgates em caso de acidentes. Os helicópteros não podem subir acima dos 5.500 metros. Consegue-se chegar a vários campos base, mas não a todos. O campo base mais alto do mundo, encontra-se na cara norte do Evereste, a 6.400 metros e até aí ainda não voam os helicópteros, pelo que tarefas de resgate ou abastecimento têm que ser efectuadas a pé, ainda que seja normal encontrarem-se nesse acampamento base mais de 300 pessoas.

É verdade que os helicópteros têm batido recordes de altitude, mas uma coisa, é um piloto treinado e preparado e contando com condições climáticas favoráveis elevar o helicóptero a altitudes consideráveis e inclusivé aterrar no cume do Evereste, fazendo-o com aparelhos seguros e que foram preparados para bater esses recordes em particular.

Outra coisa completamente distinta, é uma situação operacional normal, onde nem sempre se poderá contar com o clima pretendido, dispondo apenas de aparelhos “normais”, e a tripulação não terá de ser, nem mais nem menos habilidosos, apenas serão heróis que continuarão a expor a sua vida a imensos perigos em prol da tentativa de salvar outras vidas.





Acreditamos que ainda faltam alguns bons anos até que surjam montanheiros que possam deitam culpas àqueles que não os salvaram a tempo, com helicóptero, em montanhas de 7.000 e 8.000 metros de atitude. Por isso, de momento, eles continuarão,  a limitar-se a atribuir a culpa da sua desventura aos erros próprios ou à fatalidade, sendo isso o que ali em cima e por agora continuará a importar.




De seguida podem ver um vídeo que realizamos recentemente, de uma operação de resgate com helicóptero que presenciamos no Monte Branco.


video



Boas caminhadas

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