12 dezembro 2012

Socorro em Montanha – 4ª Parte - Evacuação por helicópteros




Zonas de aterragem

A eleição de uma zona de aterragem é determinada por uma série de factores. A zona de aterragem deve reunir o máximo de vantagens para o helicóptero, de modo que este possa descolar contra o vento e passar a um voo horizontal. Quando se efectua uma manobra de vôo estacionário, convém ter prevista uma via de saída para o helicóptero, tendo em conta casos em que ocorra uma perda de altura motivada pela recirculação do ar, uma volta giratória para baixo, ou uma perda de potência do motor. Nestes casos, o piloto do helicóptero pode efectuar um vôo horizontal, ganhar velocidade e recuperar o controlo dos comandos.





Se for possível, a zona de aterragem deve estar localizada numa zona elevada, na qual o helicóptero consiga aterrar ou descolar desde qualquer ponto. Para garantir a segurança durante a descolagem, caso seja viável, deve-se abrir um caminho com pelo menos 20 metros de largura e todo o comprimento possível.
Para ganhar altura, o helicóptero deve conseguir aterrar e descolar contra o vento, principalmente se a manobra acontecer a grandes altitudes. Devem-se evitar as zonas de aterragem inclinadas. Se o único local disponível for o fundo de um vale, devemos recordar que uma descolagem vertical deve ser considerada perigosa a qualquer altura e que um helicóptero pequeno deve estar no mínimo a 100 metros de altura em relação ao solo, para poder girar por si ou voltar a aterrar em caso de perda de potência. Devem-se evitar os locais sem vento,  como as encostas a sotavento ou o fundo dos vales. A pista de descolagem deve ter pelo menos 100 metros de comprimento e possuir uma ligeira inclinação. Nos circos glaciares e no fundo dos vales, não devem existir correntes de ar descendente provenientes de alguma crista próxima. Se o vale for profundo, o helicóptero deverá alcançar uma velocidade horizontal apreciável, com a finalidade de alcançar a altura suficiente para sair do vale.





Aterragem no fundo de um vale




O último recurso – o buraco de suspensão – que consiste num local de aterragem onde o piloto deve travar o helicóptero até que este permaneça imóvel sobre a área de aterragem, para de seguida descer. Para descolar, deve obter a máxima potência do motor para elevar o helicóptero verticalmente até que o terreno permita efectuar um voo horizontal. Os perigos deste sistema são no entanto, evidentes.





Aterragem num buraco de suspensão




A segurança e o helicóptero

Antes de alguém se aproximar de um helicóptero, deve estar seguro de que o piloto finalizou completamente a manobra de aterragem. Com frequência, o piloto tem que manobrar o helicóptero antes de parar os motores. Uma vez finalizada a manobra, aquele deverá fazer um sinal levantando o dedo polegar em sinal de “ok”.
A pessoa que se aproxima de um helicóptero deve-o fazer sempre desde um ângulo visível para o piloto. Enquanto se aproxima deverá manter a cabeça baixa, mas em vez de olhar para o solo, deve olhar para o piloto.





Em função da zona de aterragem e outros factores de voo, é provável que o piloto deva manter os motores em funcionamento. Nestes casos, é possível que o helicóptero descole imediatamente ou comece a vibrar devido ao desequilíbrio entre o trem de aterragem e as pás dos rotores. Em qualquer uma das situações, o helicóptero deve subir. As mesmas precauções devem ser tomadas nas aterragens sobre gelo e neve.

Deve-se subir para um helicóptero tomando precauções e, sempre que possível, devem ser combinados com o piloto, os sinais e os procedimentos a adoptar. As subidas e as descidas sobre um dos patins do helicóptero devem-se efectuar com muito cuidado, para evitar mudanças de peso bruscas.




Zona de segurança para a aproximação ao helicóptero




Para se saltar de um helicóptero, o que é uma acção bastante perigosa, deve-se ter colocado um capacete e um par de botas sólidas. No entanto, saltar é mais rápido e menos complicado do que descer em rappel ou ser içado até ao helicóptero, podendo ser uma técnica sensata, sempre e quando se realize dentro da margem de segurança e tendo em conta as limitações do modelo de helicóptero.

Regra geral, é mais conveniente encontrar um local de aterragem do que efectuar acrobacias aéreas sobre um patim ou pendurado numa corda. O resgate com helicóptero é perigoso por si só, pelo que se podermos optar entre transportar a vítima a braços até um local de aterragem adequado ou içá-la até ao helicóptero, será preferível escolher a primeira. A evacuação rotineira de um ferido com uma fractura de perna, pode-se transformar num acidente se o helicóptero perder altura por qualquer razão.

É necessário prever zonas de aterragem durante as operações de resgate com helicóptero. Em terreno plano com bosques espessos, pode ser difícil encontrar um lugar de aterragem adequado. Mesmo que se disponha de espaço, se a zona estiver rodeada de obstáculos, o mais provável será o helicóptero não conseguir aterrar. A pessoa que orienta o piloto desde terra pode colocar-se de costas para o vento estendendo ambos os braços paralelamente. Se a zona de aterragem for inclinada, esta deve aproximar-se ou afastar-se do helicóptero em posição agachada. Antes de pararem, os rotores costumam aproximar-se bastante do solo ou o vento pode força-los para baixo, pelo que não será aconselhável a aproximação ao helicóptero pelo lado mais alto do terreno.





Perto do helicóptero deve ter-se cuidado na zona de alcance do rotor principal e do rotor da cauda. Se quando se estiver próximo do helicóptero se pretender mudar de lado, deve-se dar a volta pela parte frontal do aparelho, de forma a estar em contacto visual com o piloto. Enquanto se carrega ou descarrega carga ou feridos, é perigoso permanecer junto dos patins, pois o piloto poderá arrancar o motor sem aviso prévio.

Em qualquer operação de busca e resgate, deve-se designar um coordenador de segurança. Este deve dispor de óculos, capacete e um rádio. Toda a sua atenção deverá estar concentrada na segurança das pessoas e do material que se estiver a carregar ou descarregar. Ecarregar-se-á também, de controlar as cargas, organizar os voos dentro dos limites de peso fornecidos previamente pelo piloto, deve ainda informar todas as pessoas envolvidas sobre a forma como se abrem as portas e sobre as normas de segurança, sendo portanto o encarregado geral da segurança da operação.






Aterragens sobre um patim

Este tipo de aterragens efectuam-se em terrenos escarpados e difíceis. Nunca se deve correr encosta acima em frente das pás do rotor, nem movimentarmo-nos em terreno onde se possa escorregar com facilidade. Geralmente, neste tipo de condições, é impossível mantermo-nos afastados do helicóptero. Portanto será conveniente ficar quietos e esperar que o helicóptero volte a descolar.

Depois de conhecermos um pouco os helicópteros e as suas limitações, abordaremos agora algumas técnicas de utilização dos mesmos pelas equipas de resgate:




As cargas suspensas

Os helicópteros equipados com uma roldana ou um gancho para suspender uma corda são muito úteis no resgate para o transporte de materiais. No entanto pode ser perigoso utilizar um gancho para elevar as pessoas até ao helicóptero. Durante um resgate numa parede escarpada, situada numa zona de difícil aterragem, os membros da equipa de resgate podem descer em rapel até próximo da parede ou podem ser transportados para uma pista de aterragem a pouca distância do local da operação, equipados apenas com um equipamento básico de bivac. Entretanto, faz-se descer o restante material com o cabo junto à parede; deste modo ganha-se tempo e poupa-se esforço para transportar o material.

Este método representa dois problemas básicos para os pilotos: o peso da carga e as condições aerodinâmicas da carga. As limitações de peso estão determinadas pelo tipo de helicóptero e pelos factores de voo, assim como a altitude, a temperatura e o vento. Das condições aerodinâmicas dependerá se a carga se move ou cai durante o voo.
O comprimento da corda ou do cabo de suspensão podem variar conforme a situação, no entanto não devem medir mais de 70 metros.

Com este procedimento é possível transportar numerosas partes do equipamento, como, as mochilas, cordas e macas, sempre tudo na condição que se tenha pesado, previamente, todo o material e envolto o mesmo em lona, para-quedas ou algo similar. Em qualquer das situações, é necessário fechar bem o “pacote” com uma anilha que se prenderá directamente  ao gancho existente debaixo do helicóptero. A corda que segura a malha, fixa-se à anilha e à carga. A carga e a corda distribuem-se pela farte frontal do helicóptero, à vista do piloto. A anilha prende-se ao gancho desde na frente, e nunca por cima dos patins ou a partir da parte traseira do helicóptero.





Uma vez dado o sinal, o piloto elevará um pouco o helicóptero até que a corda fique tensa, e de seguida compensará gradualmente o peso da carga. Normalmente, os pilotos preferem não transportar passageiros quando levam carga. No lugar onde deve ser depositado o material, deverá estar uma pessoa (sempre protegida com capacete e óculos), a qual no momento oportuno, dará o sinal para baixar a carga.

É possível transportar mais do que uma carga, fazendo uso simultâneo de duas cordas ou cabos, de cada vez em tandem. A carga mais pesada deve ser colocada na parte inferior e deve-se utilizar um pedaço de corda (cerca de 1 metro) para unir a essa as outras cargas à mais pesada.
Este método de transporte deve ser utilizado principalmente pelas equipas de busca e resgate. É também muito prático para deixar cair material desde o ar, depois de envolver e proteger as peças mais frágeis.




Rapel desde um helicóptero

O rapel desde um helicóptero com corda estática aumenta a eficácia nas operações de busca e resgate. Esta técnica pode ser treinada, mesmo que o helicóptero não esteja equipado com uma grua.





O rapel apresenta vantagens sobre a técnica de descer por cabo, sendo mais rápido, mais seguro do que saltar, dispensa sistemas mecânicos de guincho, e a pessoa que efectua o rapel pode controlar a velocidade da descida, bem como eleger o local da aterragem.
O ponto de ancoragem da corda de rapel deve ser bastante sólido. Os anéis da cobertura, aparelhados correctamente constituem uma ancoragem simples e segura que pode ser executada de forma rápida. O braço da grua do guincho, também pode ser utilizado para ancorar as cordas de rapel.




Uma vez escolhida a ancoragem, pode-se eleger entre diferentes tipos de rapel. O Sky Genie é um rolo de metal alongado e resistente em volta do qual se enrola a corda de rapel.  Quantas mais voltas se der à corda, mais lenta será a descida. O escalador poderá deter-se ou controlar a sua velocidade sempre que o desejar. O Sky Genie fixa-se ao assento de rapel ou ao arnês por meio de um mosquetão de segurança. Um defeito importante desta  peça, é que a corda tem de ser especificamente de nylon e trançada ou torcida, não se podendo utilizar a corda que normalmente se usa em escalada. A corda deve ter 13mm de diâmetro e garantir uma resistência à tensão de 2.600 kg.










Sky Genie




Para realizar um rapel com o Sky Genie, prende-se um dos extremos da corda a um ponto de ancoragem. O escalador veste um arnês e segura o Sky Genie na corda, enquanto continua preso ao helicóptero. O helicóptero deve ficar imóvel no ar. Quando o piloto der o sinal, atira-se a mochila com a corda de rapel (entre 30 e 89 metros de comprimento) pela porta lateral do helicóptero e sempre por cima do patim. Quando a mochila chegar ao solo, deve-se confirmar que a corda não tenha ficado com torções ou nós. O escalador solta então o cinto de segurança, coloca-se num dos patins, efectua um último controle de segurança e, ao sinal do piloto, que é transmitido através do chefe de equipa, começa a descer com rapidez em rapel.
Durante a descida deve manter a corda sem  torções e emaranhados. Se o sistema bloquear sem que o escalador o consiga soltar, a única hipótese será, levá-lo pendurado até uma zona onde se consiga pousá-lo. Uma vez em terra firme, o escalador solta-se rapidamente da corda, a qual, por sua vez, soltar-se-á do helicóptero para o solo. Normalmente o rapel pode ser realizado em menos de um minuto, incluindo já o tempo de suspensão do helicóptero, a duração do rapel e o voo horizontal do helicóptero.





ilustração esquemática de um sistema de segurança básico de helicóptero para utilizar com uma grua. A corda de 11mm de diâmetro guarda-se numa mochila ou num saco, e passa-se através de uma peça de fricção atado a uma ancoragem autorregulável e até ao gancho do cabo.




Também se pode utilizar uma cadeira de rapel, um descensor oito e uma corda normal com núcleo ou um corda torcida. Esta pode ser amarrada com um gancho de pivot ao sistema de grua se o helicóptero o possuir e de seguida deixa-se descer a corda. O chefe de equipa coloca o descensor oito na corda e passa-o ao escalador, que por sua vez o prende à cadeira de rapel. Quando receber o sinal, o escalador sai do helicóptero e inicia uma descida rápida.
O rapel efectuado desde o helicóptero é muito seguro, e tanto assim é que nos muitos anos que leva a ser efectuado em todo o mundo, não se conhecem registos de acidentes nem outras contrariedades.

Continuaremos com este tema no próximo artigo. Estejam atentos.





Até lá, tenham cuidado na montanha

E boas caminhadas

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