20 junho 2013

Pesca de sobrevivência




Os peixes vivem nos mares, rios e lagos de todo o mundo e podem ser pescados com relativa facilidade. Os anzóis e os pesos de chumbo, no seu conjunto, valem o seu peso em ouro em caso de necessidade de pescar peixes para sobreviver a uma situação enrascada.




Os peixes podem ser enganchados, arrecadados, aprisionados, espetados ou até apanhados à mão se tivermos sorte. Deve ser observado o seu comportamento, como onde e quando comem e o que costumam comer, de forma a determinar o método a utilizar para os pescar. É conveniente informar que algumas técnicas de pesca são legalmente proibidas em determinadas partes do mundo e apenas deverão ser utilizadas em verdadeiras situações de sobrevivência.






Pescar

É difícil dizer qual a melhor altura para pescar, dado que espécies diferentes se alimentam em alturas diferentes, quer de dia, quer de noite. Como regra geral, deve-se procurar o peixe a alimentar-se, o que sucede imediatamente antes do alvorecer ou logo  após o anoitecer. Outras boas oportunidades acontecem  também antes de uma tempestade ou quando ela se aproxima, e à noite, durante a lua cheia ou no quarto minguante. Os saltos dos vairões e as bolhas na água são bons sinais de peixes a alimentarem-se.






Onde pescar

O local selecionado para começar a pescar, depende do tipo de águas e da hora do dia. Nos ribeiros torrenciais, durante a força do calor, deve-se tentar os pegos profundos existentes debaixo das cascatas. Para a tarde ou de manhã cedo, deve-se lançar o isco perto de troncos submersos, nas margens escavadas ou debaixo de arbustos pendentes sobre as águas. Nos lagos durante a força do verão, deve-se pescar em locais profundos. Durante a tarde ou de manhã cedo, durante o Verão, deve-se pescar em locais pouco profundos.






Isco

Como regra geral, o peixe morde o isco que tenha sido apanhado nas suas próprias águas. Deve-se procurar insectos aquáticos e vairões na borda da água,  ou vermes e insectos terrestres nas suas margens. Se for apanhado um peixe, deve-se inspecionar o seu estômago para ver do que este se alimenta. De forma a fazer render este alimento, pode-se usar os intestinos e os olhos do peixe como isco, na hipótese de outros meios se revelarem ineficazes.  Ao usar  vermes, deve-se  cobrir a ponta e a barbela do anzol. Relativamente aos vairões, devem-se usar os mais pequenos que estejam vivos, espetando-os pelo lombo (por cima da espinha), do rabo ou pelos beiços. Se for utilizado isco morto, não se deve sobrecarregar o anzol tão completamente que este não possa sair para apanhar o peixe. Pode-se fazer negaças (engodos) com pedaço de tecido colorido e brilhante, de penas e de metal brilhante imitando vairões feridos.






Como fazer anzóis e linhas

Se não existirem anzóis, podem-se improvisar recorrendo a distintivos, alfinetes, ossos ou madeira dura. Os pregos podem também ser convertidos em anzóis.










Torcendo fibras de casca de árvore ou de tecido, pode-se improvisar uma linha resistente. Ao usar fibras de casca de árvore ou de trepadeiras, deve-se dar nós nas extremidades que devem  ser atados a uma base sólida. Segura-se um cordão em cada mão e torce-se os fios no sentido do movimento dos ponteiros do relógio, cruzando depois  sobre o outro segundo o sentido contrário ao do movimento dos ponteiros do relógio. Acrescenta-se fibras na medida do necessário para aumentar o comprimento da linha. Se existirem cordões de para-quedas, estes podem ser usados  para pescar peixe graúdo.
Os pregos podem ser convertidos em anzóis.
Por vezes, o equipamento mais sofisticado e os iscos mais adequados não apanham peixe. Importante é que não se desista e deve-se tentar novamente mais tarde ou tentar outro método de pesca.
Mais abaixo desenvolveremos ainda este tema.




Pesca ao fundo

Arma-se a linha com um flutuador e com pesos de chumbo ou com uma pedra. Prende-se o anzol ou anzóis com isco à linha e deixa-se que repousem no fundo do rio, ou então que flutuem. Segura-se na parte bamba da linha e espera-se um puxão. É conveniente ir dando pequenos puxões na linha de vez em quando.








Pesca com mosca

Este método é usado quando o peixe que se pretende pescar se alimenta à superfície da água. Improvisa-se uma cana com um pau e uma porção de linha ou corda. Lança-se o anzol com a mosca e deixa-se esta flutuar. Deve-se experimentar com moscas de vários tamanhos e cores. Convém advertir que este processo não resultará durante o tempo muito frio, pois não existem insectos voadores à superfície destas águas.






Linhas corridas

Constituem um método prático para apanhar peixe se ficarmos algum tempo perto de um lago ou de um ribeiro. Atam-se vários anzóis  ao longo de uma linha com um peso adequado na extremidade. Iscam-se os anzóis e amarra-se a linha a um ramo baixo, suspenso e que vergue, mas que não parta,  quando o peixe picar. Deixa-se a linha dentro de água enquanto permanecermos na zona, verificando-a periodicamente para recolher o peixe e renovar o isco.





Um anzol excelente para uma linha corrida é o “anzol de engolir” ou “de espeto de madeira”. Este anzol não é nada mais do que uma lasca de madeira ou osso a cujo  centro se ata a linha. Embebe-se a lasca num pedaço de isco, de modo que a lasca fique no prolongamento da linha e possa ser engolido facilmente. Depois de o peixe engolir o isco e se puxar pela linha, a lasca rodará, atravessando-se e alojando-se no estômago do peixe.





Pescar com negaça

Este método exige uma cana flexível ou vara similar com 2,5 m a 3 m de comprimento, um pedaço de metal brilhante com a forma de uma negaça comercial, uma tira de carne branca de pele de porco ou de intestino de peixe com 5 cm a 7,5 cm de comprimento e um bocado de fio com cerca de 2,5 m. Ata-se o anzol à ponta da linha, (imediatamente abaixo da negaça)  e a linha à ponta da cana. Actuando próximo dos leitos ervosos, agita-se a negaça imediatamente abaixo da superfície da água. De vez em quando deve-se bater na água com a ponta da cana para atrair peixe graúdo para a área. Este método é bastante eficaz.






Pescar à mão

Este método é eficaz em pequenas correntes de água com margens escavadas ou em charcos baixos deixados no leito pelo refluxo das águas. Mete-se as mãos na água até ficarem à temperatura desta. Procura-se logo debaixo das margens lentamente, mantendo-se as mãos tão próximas do fundo quanto possível. Mexe-se os dedos suavemente até tocar num peixe. Desloca-se então a mão suavemente ao longo da barriga do peixe até lhe alcançar as guelras. Agarra-se o peixe com firmeza pela zona situada imediatamente atrás das guelras.





Nos cursos de águas torrenciais, pode-se atirar o peixe para fora de água utilizando as mãos. Os ursos pescam eficazmente desta maneira.






Pescar por obscurecimento da água

Os pequenos charcos deixados pelo refluxo das águas dos cursos de água que transbordaram estão, por vezes, repletos de peixe miúdo. Revolvendo-se o lodo do fundo destes charcos, arrastando os pés através deles ou usando um pau. O peixe costuma vir à superfície em busca de águas mais límpidas. Atiram-se então para fora de água, utilizando as mãos ou atordoando-os à paulada.




Pescar por arpoamento

Este método é de difícil sucesso, excepto quando o curso de água é baixo e o peixe é graúdo e em quantidade, o que sucede durante a época de desova ou quando o peixe se junta nos pegos. Pode-se fabricar um arpão de várias formas, como por exemplo:  amarrando-se uma faca à ponta de uma vara, afiando-se um pedaço de madeira, atando-se dois aguilhões compridos num pau, usando-se uma ponta de osso ou um pau rachado com os dois rebordos afiados, pode-se cortar o extremo do arpão em três partes no sentido do comprimento e colocar uma cunha de modo a manter separados esses três pedaços, etc.













Colocados em cima de uma rocha ou tronco, aguarda-se pacientemente que o peixe apareça e tenta-se arpoar.

Pescar à rede

As margens e os tributários dos lagos e dos cursos de água têm muitas vezes uma grande quantidade de peixe o qual pode ser demasiado pequeno para ser pescado com anzol ou arpoado, mas suficientemente grande para ser apanhado à rede. Se existir uma rede construída para apanhar peixe pelas guelras à medida que tentam passar por ela, será o ideal. É muito eficaz em correntes de água. Amarram-se pedras ao longo de um dos lados da rede para que esta se mantenha no fundo.





Para improvisar, e quando não existir uma rede, escolhe-se uma forquilha de madeira nova e faz-se um arco. Cose-se uma camisola interior até à zona da cintura, assegurando-se que o fundo fica fechado. Então corre-se pela corrente acima à volta das pedras ou nos pegos com esta rede improvisada.





Pescar com armadilhas

Este método consome muito tempo para apanhar peixe, especialmente o que se desloca em cardume. Em lagos ou grandes cursos de água, o peixe aproxima-se das margens e dos baixios de manhã e à noite. Uma armadilha para peixe é um invólucro com uma abertura disfarçada entre duas paredes de pedras ou estacas em forma de funil. Também se pode improvisar uma armadilha fazendo uma construção com pedras ou rochedos e retendo lá o peixe.





O tempo e o esforço despendidos na construção de uma armadilha dependem das necessidades em alimentos e do tempo que se planeia permanecer num dado local.




Armadilha de garrafa

Também conhecida como “armadilha de peixinhos”.  Com este método, utiliza-se uma garrafa de plástico grande para apanhar pequenos peixes. Corta-se a garrafa um pouco abaixo do gargalo desta e introduz-se o gargalo para o interior da garrafa através da parte dortada. De seguida atam-se as duas partes nesta posição. Fazem-se buracos na garrafa com um ferro aquecido, para permitir que a garrafa se afunde. Coloca-se isco no interior da armadilha e coloca-se esta num riacho. Verifica-se regularmente a armadilha para retirar peixes encurralados nela e para substituir o isco.






Apetrechos de pesca

Equipamentos de pesca podem ser fabricados através de todos os equipamentos constituintes do kit de sobrevivência de qualquer montanheiro, o qual deve conter alguma linha de pesca (sediela) e ganchos ou anzóis. Mas se o montanheiro não possuir um kit de sobrevivência, poderá sempre procurar  improvisar apetrechos de pesca.




Como improvisar uma linha através de produtos naturais

Se não possuirmos uma linha ou uma corda fina poderemos utilizar fibras de plantas urticáceas  para fabricar um cordel. Velhas urtigas com longos caules possuem umas das melhores fibras. Com o auxilio de luvas retiram-se as folhas das urtigas e de seguida segura-se o caule pela base e desliza-se a mão com o punho fechado por todo o caule, fazendo alguma pressão. Coloca-se o caule numa base lisa e roda-se lentamente sobre ele com um pau arredondado para a frente e para trás, pressionando simultâneamente com força. Deve-se continuar a rolar o pau até o caule ficar esmagado.





 De seguida abre-se o caule da urtiga em todo o seu comprimento usando a nossa unha. Esta tarefa irá expor o miolo esponjoso do interior do caule.



Dobra-se depois o caule pelo meio e quando este ficar dobrado, o miolo interior vai-se separar da casca nesse ponto, facilitando desta forma a sua separação.


Neste momento deve-se separar cuidadosamente a casca do miolo interior do caule. Com o auxilio do dedo polegar de uma das mãos, puxa-se suavemente a camada  externa, enquanto se puxa para baixo com o auxilio do dedo polegar da outra mão. Desta forma conseguem-se ter longas fibras da pele exterior do caule (casca), com as quais se poderá fazer cordéis.





Após se conseguir separar uma quantidade significativa de fibras, é conveniente deixa-las secar, antes de serem usadas. Podem-se secar colocando-as ao Sol ou junto de uma fogueira (em situações extremas poderão ser usadas mesmo sem serem expostas a secagem). Torcer ou enrolar as fibras são os dois principais métodos utilizados para fabricar cordéis naturais.




. Método de cordéis torcidos

Deve-se iniciar a torção pelo fim do caule e não pelo meio deste de forma a prevenir  que  todas as subsequentes emendas coincidam no mesmo ponto.  Proporcionaremos assim maior resistência ao cordel, pois cada emenda representa um seu potencial ponto fraco. Se as fibras forem bastantes, podem ser banhadas em água de forma a criar um cordel ainda mais forte.
Agarra-se na primeira parte do cordel na medida de um terço do seu comprimento total entre o dedo polegar e o indicador da mão esquerda.





 De seguida segura-se a fibra da mesma forma com a mão direita cerca de 3 cm a contar dos dedos do lado esquerdo.
Seguidamente torce-se a fibra com a mão direita até formar uma laçada. Deve-se manter a tensão no cordel, de forma a que se mantenha a laçada em tensão.



De seguida colocar os dedos médio e o quarto da mão direita para cima segurando a parte solta dos dedos da mão esquerda e rodando-a sobre a parte segura.
A seguir, com os dedos da mão esquerda deve-se segurar a nova laçada criada.





 Agora que a nova laçada fica segura pelos dedos da mão esquerda, pode-se  soltar  a ponta mais curta do cordel. Agora aperta-se a corda de cima com os dedos da mão direita a cerca de 3 cm distanciada dos dedos da mão esquerda.




Seguidamente move-se a mão direita para trás a cerca de 3 cm do cordel visível e faz-se uma nova laçada ao mesmo tempo que os dedos da mão direita seguram o cordel onde estavam os dedos da mão esquerda.






De seguida repete-se o processo desde o início até terminar o cordel.




. Método dos cordéis enrolados

Este método dos cordéis enrolados é também conhecido por “rolo de pigmeu”. É fácil de fazer desde que  o montanheiro esteja sentado. É uma aplicação simplificada do  método dos cordéis torcidos. Começa-se com duas fibras de comprimentos diferentes e atam-se os finais de cada fibra uma à outra.

Segura-se as extremidades amarradas entre os dedos polegar e indicador da mão esquerda, colocando as duas caudas das fibras na mão direita.




Usa-se a palma da mão direita para enrolar as duas fibras simultaneamente para a frente. Pode ser mais fácil de executar se forem usadas as palmas dos dedos da mão. No final do enrolamento prendem-se as fibras contra a coxa com a ponta dos dedos da mão.





De seguida solta-se os dedos  polegar e indicador esquerdos e as fibras naturalmente ficam torcidas juntas formando um fio de cordel.





Pode-se repetir o mesmo processo em vários cordéis de forma a fazer um cordel maior.




Anzóis improvisados

Anzóis podem ser fabricados a partir de qualquer pedaço de metal . Podem também ser fabricados através de materiais naturais:

. Espinho único

Corta-se um bocado de caule de amoreira ou de espinheiro,  com cerca de 2,5 cm de comprimento, que tenha um largo e forte espinho. Ata-se a linha na outra extremidade do caule.





. Vários espinhos

Unem-se três bocados de caule de amoreira, com as características do “espinho único” e unem-se os três caules com fio, ficando os espinhos voltados para fora. Prende-se a linha de pesca na outra extremidade  dos caules unidos.






. Madeira ou osso

Esculpe-se um pedaço de osso formando uma ponta de flecha, deve-se usar  um bocado de madeira dura (tipo Carvalho) e ata-se a este tipo um galho.






. Prego

Faz-se um entalhe formando uma pequena saliência na base de um bocado de madeira dura. Coloca-se a cabeça de um prego no entalhe e ata-se este ao pedaço de madeira.






. Alfinete de dama

Remove-se o fecho de segurança do alfinete. Dobra-se a ponta afiada do alfinete, de modo a formar um gancho. De seguida ata-se a linha de pesca na argola superior.






Fazer um flutuador

Pode-se utilizar qualquer material natural que flutue, como um pedaço de casca de árvore ou um botão de rosa. Se arranjarmos uma pena de ave, pode-se fazer um flutuador aparando a pena até ficar apenas a parte oca. De seguida dobra-se a pena ao meio e atam-se as duas pontas.
Pode-se usar um alfinete afiado, um arame ou um longo espinho, e com este trespassa-se um botão de rosa.




Passa-se a linha de pesca através do orifício criado no botão de rosa.




Amarram-se pequenos galhos acima e abaixo do botão de rosa. Estes actuarão como estabilizadores e impedirão que o flutuador deslize para cima ou para baixo da linha.




De seguida prende-se o anzol, na distância necessária abaixo do flutuador e se for possível deve-se atar um peso abaixo do anzol.





Normas a ter em atenção

. Sempre que possível deve-se usar um isco natural.
. Nunca utilizar um isco demasiado grande para o tipo de peixe que se está a tentar pescar. É melhor ser mais pequeno do que maior.
. Se um método de pesca funcionar, deve-se mantê-lo.
. Se não se estiver a conseguir pescar, deve-se mudar de método ou de isco.
. Deve-se guardar os olhos e as entranhas dos peixes pescados, para a pesca do dia seguinte.
. Os peixes alimentam-se mais activamente quando há uma mudança de tempo, sendo portanto essa uma boa altura para tentar pescar.

No próximo artigo voltaremos a falar sobre este tema, esperemos que seja do vosso agrado.
Até lá…





Boas caminhadas

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