18 abril 2012

Avalanches (2ª Parte)

Com esta 2ª parte do artigo sobre as avalanches pretendemos explicar como devemos agir antes, durante e após a ocorrência de avalanches, inclusive como actuar no caso de sermos surpreendidos ou apanhados por uma. Esperamos que vos agrade tanto como nos deu fazer este artigo e principalmente que vos seja útil.

A eleição da rota

Tomar decisões sensatas nos terrenos com risco de avalanche pode ser mais benéfico do que encontrar a rota de modo intuitivo. Grande parte das medidas que se adoptam dependem da análise do terreno, das condições meteorológicas e da estabilidade da pendente. A maioria das avalanches desenrolam-se em pendentes que têm entre 25 e 45º de inclinação. Como já falamos, uma avalanche desde que inicia e até se deter marca o que se chama de caminho da avalanche, que se divide em três partes. O “ponto de partida da avalanche ou zona de fractura” que tem geralmente entre 25 e 50º de inclinação. Esta zona de fractura liberta neve para baixo, pelo que se denomina “trajecto da avalanche” e que culmina na “zona de chegada ou acumulação“. A pendente do trajecto da avalanche pode variar desde uma secção horizontal, até inclinações de 90º em encostas de rocha ou gelo.



Além do ângulo de inclinação da pendente, é de extrema importância conhecer o perfil desta, que pode ser côncava ou convexa. Uma pendente côncava actua como um recipiente ideal para a acumulação de neve constituindo um local propício para a formação de uma fractura.

Entre os sinais de advertência encontram-se os indícios de anteriores avalanches, como no caso de uma pendente com árvores, poderá existir uma linha de árvores danificadas, ou árvores desprovidas de ramagem de um dos lados. Não se devem desprezar estes sinais. Um dos melhores indicadores de perigo de avalanches é a presença de avalanches recentes nas pendentes contíguas ou em pendentes similares.



A meteorologia influencia as avalanches de diferentes formas, segundo a cordilheira ou o maciço de que se trate.

No final do inverno, nas pendentes expostas a Sul, principalmente por volta do meio dia e do principio da tarde, a neve amolece aumentando a instabilidade. Durante os meses de verão, as tempestades de neve repentinas originam avalanches totalmente inesperadas.

Após dias de vento, devemos suspeitar da formação de placas. Devemos observar se existem cornijas nas arestas. As placas costumam-se distinguir pela sua cor branco mate. Para as evitar é necessário caminhar pelas encostas a barlavento. Se observarmos fracturas na superfície, são indicações que a placa cedeu, no entanto ainda não se desprendeu definitivamente e simplesmente o nosso peso, pode ser suficiente para colocar em movimento toda a encosta. Podemos atravessar aproveitando a linha de fractura ou por cima desta, mas nunca no centro da placa.



Cerca de 85% dos acidentes provocados por avalanches ocorrem durante uma tempestade ou vinte e quatro horas após esta. Não é necessário que as tempestades sejam grandes, apenas alguns centímetros de neve de Primavera, pesada e húmida, podem desencadear uma grande avalanche se as condições forem propícias. As temperaturas baixas persistentes impedem a sedimentação. Se ocorre uma tempestade nestas condições, é preferível deslocarmo-nos rapidamente, pois após algumas horas é preferível montar um bivac num local seguro e esperar que o perigo de avalanche passe.



Numa ravina sempre existe perigo de avalanche. Durante uma caminhada, para além de controlar as condições meteorológicas e o terreno, é conveniente examinar sempre a estabilidade da neve, principalmente se já se passaram alguns dias desde a ultima tempestade. Deve-se inspecionar a neve em busca de acumulações e gretas, indicadoras da tensão na superfície da neve. Se não se notar nada de anormal, pode-se atirar uma rocha grande desde uma plataforma sobre a pendente de neve, ou fazer rolar várias bolas de neve pela pendente abaixo.

O som oco constitui um sinal de perigo. Cada pisada na neve deve ser golpeada com a bota e o piolet, escutando atentamente as mudanças na densidade da neve. A sensação que proporciona a neve debaixo dos pés constitui outro indício. Convém desenvolver um sexto sentido para detectar alterações subtis ao nosso redor quando nos encontramos em circunstâncias perigosas. Se o vento golpear a bochecha esquerda em vez da direita, é sinal que a direcção do vento é pouco comum, pelo que a neve cai de um modo diferente à volta do contraforte. Todos estes factores devem ser levados em conta na hora de eleger a rota a tomar e principalmente devemos saber como escavar um buraco na neve com rapidez e principalmente como utilizá-lo.



As rotas mais seguras são aquelas que se efectuam percorrendo as cristas e as arestas, ainda que longe das cornijas.



Convém recordar que as pendentes a sotavento, ainda que sejam mais cómodas para percorrer durante uma tempestade, acumulam neve proveniente de borlavento. O trajecto deve efectuar-se desde um grupo de árvores ou rochas até outro similar, utilizando-os como seguranças. Os passos duvidosos devem percorrer-se com toda a velocidade possível.

Se as necessidades obrigarem a atravessar um percurso de avalanches, devem ser avaliadas de antemão as consequências de um possível deslizamento. “dispomos de esquis para saír rapidamente da zona? Qual será o plano de resgate imediato? Com que pensamos efectuar a sondagem da busca? A que distância se encontra a ajuda de resgate?

O trajecto de avalanche deve ser efectuado apenas por uma pessoa de cada vez, enquanto os outros esperam pela sua vez.

Nunca devemos pensar que uma vez que a pendente foi atravessada pelo primeiro elemento, os restantes poderão passar sem nenhum perigo, nem considerar a pendente segura pelo simples facto de existir visivelmente as pegadas de outro grupo, e do mesmo modo, tampouco poderemos considerar que a pendente é estável após a termos atravessado sem perigo. Numa zona de risco de avalanche não se deve andar encordado, pois facilmente uma avalanche arrastaria todos.



O grupo deve permanecer no cimo da pendente, de forma a evitar as zonas de fractura côncavas e as possíveis linhas de fractura. Se for necessário ascender ou descender pela zona de fractura onde pode ter início a avalanche, o percurso deverá efectuar-se com a maior rapidez possível, num dos lados perto das rochas e árvores ancorados na neve e sempre em linha recta ascendente ou descendente, nunca se deve efectuar a travessia lateral que aumente a exposição e origine possíveis linhas de fractura. Será conveniente cada um dos membros do grupo levar um cordino de avalanche. Um cordino é um cordel de nylon de cores vivas com espessura entre 2 e 3mm e comprimento de 10 a 20m, ligado à cintura e que se leva solto. Possui marcas que indicam a direcção e a distância a que se encontra ligado a ele. Se uma pessoa ficar sepultada, será mais fácil localiza-la por alguma parte do cordino que possa ficar à vista.



As vítimas de avalanche

Quais são as hipóteses de ser apanhado por uma avalanche e resultar em mortalidade? Segundo um estudo Norte Americano de 1971, em 140 casos de acidentes em avalanches, 120 deles foram mortais e causaram a morte a um total de 173 pessoas. A idade das vítimas estava compreendida entre os sete anos de idade e os sessenta e seis anos, com uma média de vinte e sete anos. A maioria dos acidentes mortais ocorreram em áreas remotas, fora das pistas de ski e situadas a mais de trinta minutos de um grupo de resgate organizado. Qualquer atraso por parte do grupo de busca e resgate em chegar ao local do acidente faz diminuir consideravelmente a possibilidade de encontrar a vítima com vida.



No mesmo estudo concluiu-se que apesar do número relativamente pequeno de alpinistas e esquiadores de montanha, em comparação com o número total de excursionistas, cerca de 44% dos acidentes mortais ocorreram com alpinistas e esquiadores de travessia. Os escaladores constituíram cerca de 30% do total e a maioria das avalanches foram desencadeadas pelos mesmos. Ainda que pareça impossível, 68 das 69 avalanches mortais, foram avalanches de placas.

Uma em cada 10 pessoas apanhadas por avalanches, morre. Uma pessoa sepultada tem apenas uma possibilidade entre três de sobreviver. Sem levar em conta a profundidade a que ficou sepultada, a vítima tem 50% de possibilidades de sobreviver se não for resgatada nos primeiros trinta minutos. Por conseguinte é muito difícil determinar com exactidão quais são as possibilidades de sobrevivência das vítimas debaixo de neve, sendo que os casos mais extremos detectados são de pessoas que conseguiram sobreviver após permanecerem enterradas na neve durante mais de nove horas. A maioria das pessoas mortas numa avalanche, pereceram derivado a asfixia, seja devido ao peso da neve ou à capa de gelo que dificulta o abastecimento de oxigénio. Mais de 66% das pessoas morreram de uma destas duas formas, enquanto que nas restantes foi provocada devido a lesões traumáticas, principalmente na cabeça e pescoço.



Sobrevivência nas avalanches

O auto-resgate é fundamental em avalanches. As estatísticas provam que grande parte das vítimas aprisionadas por avalanches faleceram durante o acidente, pelo que se conclui que estas mesmas pessoas não utilizaram prácticamente nenhuma técnica de sobrevivência. A avalanche em estações de esqui costumam ser menores e em contrapartida as possibilidades de resgate muito maiores do que em outras zonas, pelo que logicamente o número de sobreviventes é também mais elevado.

De dezasseis casos estudados em 1977, doze acidentados conseguiram sobreviver efectuando movimentos similares aos da natação e apenas em quatro casos, as vítimas tentaram efectuar esses movimentos sem êxito. Nestes quatro casos, os fatos e os bastões e skis foram os maiores obstáculos que dificultaram esses mesmos movimentos. No entanto, a necessidade de soltar o equipamento não se demonstrou concludente. Em alguns casos, os bastões e os esquis sobressaíram da neve, facilitando assim uma fácil e rápida localização. Noutros casos, o equipamento dificultou os movimentos das vítimas, sepultando-as mais na neve. No entanto se pretendemos percorrer uma grande distância, pode ser difícil sobreviver nas zonas afastadas depois de ocorrer uma avalanche se não tivermos skis. Portanto não se pode dar uma recomendação contra ou a favor de largar o equipamento. Um dos métodos de sobrevivência que demonstrou ser válido é a construção de um espaço de ar. O método mais utilizado para criar esta câmara de ar é elevar um braço ou uma mão para cima no último instante, para evitar que a neve caia sobre a cara. As vítimas que permaneceram durante mais tempo enterradas, durante uma , duas e inclusive nove horas, criaram, consciente ou inconscientemente, um espaço de ar. Uma delas ficou completamente sepultada. Mas movendo a cabeça para a frente e para trás, conseguiu formar uma câmara de ar. Outro dos sobreviventes começou a comer a neve que se encontrava ao redor da sua cara, até conseguir formar uma câmara de ar. Sendo assim, é possível utilizar qualquer método, sendo o objectivo principal formar imediatamente um espaço livre para respirar.

Busca e Resgate em avalanches

Imaginemos que um grupo de montanheiros está a atravessar uma pendente onde poderá ocorrer uma avalanche, não existindo outra rota possível. As alças das mochilas vão largas, levam solto o cordino de avalanche e todos levam os transmissores electrónicos ligados. De repente ouve-se o grito de um dos elementos do grupo e de seguida um ruído surdo. O que se pode fazer?



É possível tentar esquiar em diagonal para sair do trajecto da avalanche, se tiverem esquis, ou colocar-se no centro do trajecto, colocando os bastões monte acima, mantendo-os com ambas as mãos juntas e perto do solo ou então soltar os bastões. A reacção natural, será permanecer direito para se orientar. Se algum se vê arremessado pela neve, deve manter a boca fechada e evitar gritar. Deve proteger a cabeça e preparar-se para formar uma câmara de ar no momento em que começa a deslizar. Uma vez imóvel, o montanheiro deverá tentar libertar-se. Em questão de pouco tempo averiguará se é possível ou não saír pelos seus próprios meios.

Convém conservar as energias e não as desperdiçar numa tentativa infrutífera de se levantar. Se for possível, deve-se adoptar uma posição encolhida, para evitar a perda de calor pela maior exposição de superfície corporal na neve e de forma que a compressão não nos impeça de efectuar movimentos tóráxicos para respirar. Apenas se deve gritar se ouvirmos os nossos companheiros ou as equipas de busca, não adianta desperdiçar energias gritando noutra circunstância, pois a neve tem propriedades de abafar o som.

Uma vez que a avalanche se detém, o mais provável será a vítima não se conseguir mover e poderá ficar desorientada. Para sabermos a nossa posição aproximadamente, podemos deixar saír um pouco de saliva da boca ou inclusive urinar para procurar uma referência de onde fica a superfície, pois tanto a saliva como a urina escorrerão para baixo e o sentido oposto indica-nos a superfície. Saber onde fica a superfície pode não servir de nada, mas pode ser um pequeno reforço psicológico e além disso tentaremos saír levantando uma perna ou um pé para a superfície.



Uma segunda técnica de auto-resgate numa avalanche consiste em rolar lateralmente. Alguns sobreviventes de avalanches considera que é extremamente difícil efectuar movimentos semelhantes aos de natação e que é pouco provável que a vítima consiga permanecer sobre a superfície da avalanche, no entanto o método de rolar permite manter o corpo orientado para a pendente. Se conseguir rodar com força, alcançará uma velocidade superior à da avalanche, o que facilitará o controlo da direcção e a possibilidade de se manter sobre ou próximo da superfície. Livrar-se de uma avalanche dando voltas não é fácil, no entanto é mais fácil se seguir os paços de uma técnica. Em primeiro lugar, como quando se entra numa pendente de avalanche, devem-se soltar as correias de segurança dos esquis, se os tiver colocados, tirar as mãos das correias dos pulsos dos bastões, aliviar as alças da mochila e desapertar a cinta de cintura da mochila, no caso de a mochila ser pesada, se a mochila for leve deve-se ajustar ao máximo de forma a servir de protecção. Estas medidas prévias são tomadas para o caso de haver necessidade de soltar o equipamento, o efectuar rápida e facilmente. Poderemos ainda colocar um lenço, gola ou bufo a tapar a boca e nariz de forma a evitar a entrada de neve. A fixação dos esquis deve estar bem solta, para se poder desprender com rapidez. Enquanto se atravessa a pendente deve-se observar qual dos lados é o mais próximo e por conseguinte prever para que lado se vai rolar se se desencadear a avalanche. Se a avalanche ocorrer é necessário soltar os esquis, a mochila e os bastões e com uma torsão rápida deixa-se caír o corpo sobre a pendente, com a cabeça voltada para o cimo da montanha e rodando para o lado da pendente que se elegeu. Encolhem-se os braços e as pernas e rola-se como um barril. Deve-se tentar manter sempre a cabeça voltada para o cimo da montanha.



Avaliar sintomas de instabilidade

A observação atenta do terreno e da neve durante a caminhada podem-nos fazer suspeitar de zonas perigosas. Estes sinais observados no seu conjunto, apenas nos darão uma ideia clara da situação, devido à experiência e conhecimento da neve que constantemente devemos adquirir.

Para complementar estes sinais, podemos recorrer a diversos testes e observações que nos fornecem uma ideia mais eficaz da maior ou menor estabilidade do manto de neve. Não são por si só determinantes, mas em conjunto podem tirar dúvidas e confirmar as nossas suspeitas.

Verificar a inclinação da pendente

Sabendo que o ângulo das pendentes mais propício à ocorrência de avalanches se situa entre os 25º e os 45º,



podemos verificar quando a pendente em que nos encontramos será potencialmente perigosa se conseguirmos medir aproximadamente a sua inclinação. Algumas bússulas estão equipadas com um declinómetro com o qual podemos medir a inclinação da pendente.



Com os bastões também podemos fazer uma simples estimativa da pendente, colocando um bastão vertical e outro horizontal como se mostra no desenho.

Teste do bastão

Este é um teste rápido para ir fazendo enquanto caminhamos. No entanto apenas se consegue testar as camadas superficiais. Consiste apenas em cravar com vários golpes, o máximo possível, o bastão verticalmente na neve e sentir a resistência das diferentes camadas. O ideal será que a resistência seja maior quanto mais profundo se enterre o bastão. As camadas mais moles e instáveis intermédias podem ser motivo de instabilidade.



Teste Norueguês

Este é um sistema muito interessante para confirmar a estabilidade das camadas superficiais. Na vertente alegadamente perigosa, corta-se e isola-se, com a ajuda de uma pá, um rectângulo trapézio com uns 0,30 m2, tendo a parte superior cerca de 40 cm, a inferior cerca de 80 cm e a altura do trapézio cerca de 50 cm. Limpa-se a neve abaixo e empurra-se com a pá na parte superior do trapézio até que esta se desprenda. A força que temos de exercer para o soltar é inversamente proporcional ao perigo potencialmente existente. Indicativamente podemos considerar que até 10kg existe perigo grave, de 10 a 20 kg, existe perigo médio a grave e mais de 20kg o perigo é escasso.





Teste do salto

Este teste é mais trabalhoso de realizar, pois obriga a isolar os quatro lados de um bloco de neve com o comprimento dos esquis e com 1,5 m de comprimento. Uma vez isolado, um esquiador sobe para a parte superior do bloco, primeiro com um esqui e de seguida com os dois. De seguida dá um pequeno salto, depois saltos repetidos, até que o bloco deslize. O risco suspeitado é maior conforme o bloco desliza com maior facilidade.



Teste do buraco na neve

Para examinar as camadas de neve escava-se um buraco profundo em ângulo recto com a direcção do vento. Então confirma-se se existem cristais cupuliformes ou geada. Para verificar se as camadas de neve são quebradiças ou se alguma delas desliza empurram-se com um dedo. Se ao meter a pá na neve pela parede do buraco que dá para a encosta, esta soltar com facilidade um bloco, sabemos que existe risco de avalanche.



Equipamento preventivo

Além das medidas preventivas que se devem adoptar relacionadas com as características do terreno e do itinerário a seguir em função das condições, é necessário dispor do equipamento necessário para a localização e salvamento das possíveis vítimas que poderemos ser nós próprios.

Após a primeira meia hora enterrados na neve de uma avalanche, as possibilidades de sobreviver diminuem consideravelmente. Portanto para resgatar com vida uma vítima de avalanche, o resgate rápido pelos próprios companheiros que presenciaram o acidente, é a única possibilidade a levar em conta. Carregar e saber usar um equipamento preventivo e adequado para uma busca rápida, pode ser portanto a nossa única possibilidade de salvação, o que se adapta a todos os membros do grupo, se pretendemos que resulte. Este equipamento preventivo e imprescindível para qualquer actividade com exposição a avalanches é tão simples como: um detector electrónico de vítimas de avalanche e uma pá. Uma ferramenta sem a outra de nada vale, pelo que sempre devem ser associados.



Aparelhos electrónicos de detecção

Chamam-se ARVA (appareil de recherche de victimes de avalancha), LEVA (localizador electrónico de vítimas de avalanche) ou DVA (detector de vítimas de avalanche). O nome que parece ter sido adoptado na linguagem dos montanheiros é ARVA. Este nome acima de tudo tem uma fácil interpretação em português, podendo-se definir como (Aparelho para Resgate de Vítimas de Avalanche). O princípio de funcionamento é simples: o receptor recebe um sinal de emissor que aumenta com a aproximação. O aparelho dispõe de um comando para modificar a intensidade de recepção, com o qual se vai afinando mais na localização. No entanto é conveniente estudar as instruções de uso de cada fabricante. Estes pequenos emissores-receptores colocam-se atados ao corpo, de preferência por debaixo das roupas exteriores, de forma que não se soltem do corpo, sendo necessário activa-los na posição de emissão desde que começamos a actividade. Evitar colocar estes aparelhos nas mochilas, pois já têm acontecido casos em que se conseguem resgatar as mochilas primeiro que o corpo que se encontra afastado desta. Convém não esquecer que estes aparelhos funcionam com pilhas, pelo que é necessário mudá-las com frequência, pelo menos no início de cada temporada para uso esporádico. Constatou-se que estes aparelhos perdem o raio de alcance com o passar do tempo, pelo que em cada principio de temporada convém experimentar o alcance real de segurança, que mais ou menos pode ser calculado como a 5ª parte do alcance efectivo que nos dá o aparelho à superfície. Da mesma forma é conveniente confirmar que cada aparelho recebe e emite, antes de cada saída para a montanha. Também se comercializam uns aparelhos mais simples que apenas são emissores. Podem ser úteis como opção económica, intercalada para alguns membros do grupo em que sempre ficam aparelhos receptores na superfície, mas convém ter presente que são completamente ineficazes em grupos pequenos, pois não existe a possibilidade de procurar com eles.





A massa de uma avalanche endurece de imediato ao deter-se e não adianta de nada levar um aparelho electrónico de grande eficácia, se não tivermos uma pá para desenterrar rapidamente a vítima sepultada na neve. Nunca devemos esquecer, que as possibilidades de sobrevivência diminuem consideravelmente, quanto mais tempo passe desde que se detém a avalanche. Algumas pás, inclusive servem para confeccionar um trenó de resgate, que pode ser muito útil após resgatar a vítima. Em grupos reduzidos, todos os elementos devem levar uma pá individual. Em grupos numerosos pode-se prescindir de algumas, sempre e quando se respeite uma distância de segurança entre os membros do grupo nas zonas mais perigosas, no entanto, o ideal será cada membro levar uma pá individual.



Sondas de avalanche

São umas varinhas de alumínio desmontáveis, que se introduzem na neve como sistema de detecção no caso de a vítima não levar nenhum dispositivo de localização. Geralmente são uma ferramenta de busca para grupos de resgate organizados, pelo facto que são necessárias muitas pessoas e as sondas suficientes e muita sorte, além de que quando se recorre a este tipo de busca, existem poucas possibilidades de encontrar a vítima com vida. Também é recomendável o seu uso em conjunto com os ARVA e a pá, para localizar com exactidão uma vítima detectada a grande profundidade. Se não dispusermos de sonda, podemos utilizar os bastões, ainda que o seu comprimento seja curto de forma a ser realmente útil. Existem também bastões especiais que se podem converter em sondas.



Manta térmica de emergência

É também um acessório interessante em qualquer actividade invernal para conservar o calor corporal de um acidentado após ser desenterrado.



Segundo um estudo realizado na Suiça por Brugger e Falke em 1992, a partir de 332 caos de pessoas totalmente soterradas em avalanches, entre 1981 e 1989, conclui-se que existe 93% de hipóteses de sobreviver durante os primeiros 15 minutos após uma avalanche. Entre os 15 e os 45 minutos, decorre uma fase de asfixia, decrescendo as hipóteses de ser encontrado com vida dramaticamente de 93% para 26%. Após os 90 minutos ocorreram casos de morte por hipotermia, sendo as probabilidades de ser encontrado com vida muito escassas. Assim, devemos estar bem treinados e equipados para socorrer rapidamente um colega nosso em apuros numa avalanche. Porque as melhores hipóteses de o salvar são as imediatamente seguintes à avalanche e não uma hora depois com a chegada da equipa de socorro (contando com uma excelente capacidade de resposta por parte desta equipa).
Após grandes nevões ou com índices marcados, fortes ou muito fortes devemos utilizar as ARVAS.
Com a ARVA, uma pá de neve e uma sonda consegue-se localizar uma vitima em cerca de 11 minutos. Com a ARVA e a pá de neve localiza-se em cerca de 25 minutos. Somente com a ARVA entre uma a duas horas. Passada a primeira hora as possibilidades de sobreviver diminuem drasticamente. O tempo que se poupa utilizando o equipamento adequado faz muitas vezes a diferença entre a vida e a morte.




Considerações:

Terreno

. A maioria das zonas com risco de avalanches, encontram-se em pendentes de 25º a 45º.

. As pendentes convexas são mais perigosas que as pendentes côncavas.

. As pendentes orientadas a Sul deslizam com maior frequência na primavera e em dias com Sol.

. As pendentes orientadas a Norte deslizam com maior frequência em meados do Inverno

. Nas pendentes a sotavento acumula-se a neve depositada pelo vento e dão-se as condições favoráveis para avalanches de placas duras.

Condições Meteorológicas

. Deve-se ter em conta, como se produziu a ultima tempestade e atrasar a saída, pelo menos vinte e quatro horas após a tempestade.

. Os nevões de 2 cm ou mais por hora, produzem instabilidade muito rapidamente.

. Os ventos de 16 km por hora ou mais podem incrementar o risco de avalanches.

. Um aumento da temperatura de 3 ou 5 graus, ou inclusive mais, pode destabilizar muito a camada superior de neve.

. A chuva ou a neve derretida penetra na camada superior , originando instabilidade.

. Quanto maior seja a temperatura durante um nevão, com maior rapidez se acumulará a neve, a neve fria demora mais a acumular-se.

Estabilidade da cobertura de neve

. As avalanches pequenas indicam instabilidade.

. As grandes bolas de neve que rolam pela pendente, são um sinal de perigo.

. A existência de marcas de pessoas, incluindo as do grupo, não significam que a zona seja estável e segura.

. As rachadelas ou as linhas de fractura nas pendentes de neve, indicam instabilidade.

. A neve que soa a oco debaixo dos pés, é um sinal de perigo.

. As pancadas com um bastão ou um piolet, ajuda a localizar as camadas ocas ou débeis.

. Os sinais recentes de movimentos nas pendentes situadas do mesmo lado da pendente suspeita, são indício da instabilidade da pendente.

. Escavar buracos, ajuda a observar as camadas de neve.

Eleição da rota

. Convém permanecer na parte superior de uma pendente perigosa e efectuar a travessia rapidamente.

. Não se deve atravessar uma e outra vez uma pendente perigosa, em sua vez, deve-se andar directamente para baixo ou para cima da linha de fractura, permanecendo de um ou outro lado na medida do possível e movendo-se com rapidez.

. deve-se mover entre locais de afloramentos de rochas e bosques densos, sempre que tal seja possível.

. Deve-se evitar ficar por debaixo de cornijas.

. Convém recordar que as calhas e as ravinas são percursos propensos a avalanches.

. As cristas e as arestas proporcionam as rotas mais seguras.

. Observem-se as mudanças de vegetação que indicam a passagem habitual de avalanches, como, árvores descascadas, ausência de árvores, árvores sem ramas de um lado, diferentes espécies de árvores, etc.

. Evitar as zonas de início de avalanches sempre que possível. É conveniente manter a boca fechada. Um sobrevivente teve a sorte de permanecer perto da superfície e conseguiu expulsar a neve que se tinha acumulado no seu nariz e boca e por último, citamos a técnica de levantar a mão, com a qual se pode tentar saír para a superfície, ainda que tentando levantar a mão não se deve comprometer a possibilidade de criar uma câmara de ar.

. Deve ser utilizada uma corda com segurança para atravessar os passos perigosos.

. Utilização de cordino de avalanche ou localizador electrónico para avalanches, ou os dois em simultâneo.

Para levar a cabo estas acções básicas, é necessária muita calma e serenidade.



Esperemos que estes conselhos nunca sejam necessários na prática, mas não podemos esquecer que é um perigo constante nas actividades de montanha e que a maioria não tem consciência dos perigos que se deparam a cada passo na montanha, pelo que todo o conhecimento é pouco.

Boas caminhadas, com segurança.

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