14 março 2012

O que deves saber sobre Crampons

Quando planificares uma saída invernal, seja uma expedição nos Himalayas até uma simples caminhada pela serra mais próxima, devemos ter presente a possibilidade de existência de nevões e placas de gelo que podem dificultar a nossa progressão no terreno. Se não estivermos prevenidos com o material adequado, poderemos ficar impossibilitados de continuar o nosso percurso ou ainda pior, poderemos ficar impossibilitados de regressar pelo caminho efectuado devido às características do terreno, podendo inclusivé ficar bloqueados no meio da montanha.
Os crampons são uma ferramenta imprenscindível em qualquer percurso invernal, permitindo-nos progredir por terrenos nevados e gelados, aumentando consideravelmente as nossas probabilidades de êxito.
Mas afinal o que são os crampons? Os crampons são dispositivos metálicos terminados em pontas que se colocam na sola do calçado para melhorar a aderência do mesmo em terrenos nevados ou gelados. Devido à importância que tem este equipamento nas actividades de montanha, tentaremos desmembrar o crampon de forma a analisar cada uma das suas partes, para que cada um seja autossuficiente na hora de eleger os crampons que melhor se adequam à actividade a realizar. Começaremos pela história dos crampons:

História

A história dos crampons, segundo os registos existentes, datam ao século II D.C., onde foram inventados os primeiros utensílios ideais para permitir alguma segurança em terrenos escorregadios ou com pouca aderência. A imagem seguinte refere-se a uma gravura do arco de Constantino em Roma





Alguns séculos mais tarde, no século XVI, aparece uma nova ferramenta utilizada por lenhadores, pastores e caçadores dos Alpes, desenhada especificamente para permitir a progressão por terrenos abruptos. Trata-se do “Grappete”, sendo um utensílio que consiste em várias pontas fixadas à ponteira e tacão da bota, através de um sistema de correias. Posteriormente os Grappettes evoluíram e passaram a cobrir integralmente toda a sola da bota, introduziram-se mais pontas de agarre e melhoraram os sistemas de fixação por meio de mais e melhores correias. É nesta altura que se começa a falar de carmpon.


Mas antes de se consagrar o uso dos crampons, as botas com solas cravadas também tiveram os seus momentos de glória no final do século XIX. No entanto a sua aderência era escassa e as suas possibilidades quando deparados com terrenos mais verticais, eram praticamente nulas. Devido a este motivo, o uso deste tipo de botas foi desaparecendo. No entanto foram as primeiras botas concebidas para uso de montanha.


Os crampons continuaram a ganhar adeptos, devido à tracção e liberdade de movimentos que oferecia o seu uso. Foi em 1908, quando um britânico, de nome Oscar Eckenstein, idealizou pela primeira vez, um crampon no verdadeiro uso da palavra. O artista que os fez, foi um ferreiro Henry Grivel, numa ferraria local de Cormayeur, Italia. No entanto Henry não conseguiu patentear a invenção, por culpa dos ratos que lhe comeram os planos originais. O crampon de Eckenstein-Grivel tinha 10 pontas perpendiculares à sola e ajustava-se por intermédio de correias e com uma grande inovação que não era nada mais que uma barra metálica na palmilha para evitar que o crampon se soltasse.


Durante a primeira guerra mundial, apareceu o primeiro crampon articulável. Este permitia adaptar-se a qualquer tipo de bota, sendo mais ergonómico, leve e ajustável. O seu inventor, de nome Tenente Trémeau, tornou possível o uso de crampons em todos os seus soldados, independentemente do tipo ou tamanho de bota que usassem.


Paralelamente, por volta de 1914, foi inventado o “Tricouni”. Tratava-se de um tipo de peça que se aderia à sola da bota, permitindo um melhor agarre do que com as botas cravadas. Ainda por cima os Tricounis” eram facilmente substituídos e fáceis de instalar. A grande desvantagem era ficarem aderidos à bota continuamente, entorpecendo a marcha quando o terreno não era o mais adequado para o seu uso. Junto com as botas cravadas, o seu uso foi desaparecendo, enquanto o crampon abria caminho imparável.


Em 1929, o primogénito de Henry, Laurent Grivel, acrescentou duas pontas frontais ao desenho original criado pelo seu pai. O debate gerado por estas duas pontas ficou resolvido e esclarecido quando, graças a elas, se escalou pela primeira vez a face norte do Eiger em Julho de 1938. A inclusão destas duas pontas frontais, permitiu novas formas de se encarar as pendentes, acrescentando novas técnicas de progressão com crampons.


Em 1962 o sistema de ajuste à bota foi aperfeiçoado. A marca alemã “Salewa” acrescenta uma barra dentada entre a parte frontal e traseira do crampon, permitindo variar o seu comprimento. Em 1980, o alpinista americano Jean Paul Frechin patenteia uns crampons em que o ajuste dele se faz por intermédio de uma barra metálica perfurada.


Em 1967, os alpinistas americanos Yvon Chouinard e Tom Frost, inventam os primeiros crampons rígidos tornando mais viável a escada em gelo. Ainda, nos finais da mesma década, a marca Stubai inclina as segundas pontas frontais de forma a garantir um melhor agarre nas pendentes.


Vários anos depois, em 1972, também um americano, Mike Lowe, teve a brilhante ideia de adaptar os sistemas de fixação dos esquis e dos crampons. Desta forma acrescenta uma braçadeira metálica para o calcanhar e outra para a biqueira, nascendo assim os sistemas de fixação automáticos e semi-automáticos. Estes sistemas permitem um melhor ajuste do crampon, assim como uma forma mais cómoda e rápida de colocar e retirar os crampons da bota.


Mas será novamente Jean Paul Frechin o encarregado de dar uma solução a um dos problemas mais sérios na história do crampon, a acumulação de neve no seu interior que impede que as pontas se cravem adequadamente no terreno. Nasce desta forma o anti-entupimento, uma folha de borracha, que colocada na sóla do crampon evita que se aglomere e acumule neve entre as pontas do mesmo.


A partir deste momento, os avanços que se verificam estão centralizados no uso de novos materiais, mais leves e resistentes, pequenas modificações nos sistemas de fixação, melhor forma de ajuste para qualquer tipo de bota, etc.

Normas CEN

A Comunidade Europeia deliberou que os crampons e piolets são classificados na categoria dos equipamentos de protecção individual E.P.I. e como tal são submetidos a exigentes normas de fabrico e de certificação. A norma relativa aos crampons é a CEN 136/WG5 N 39 D, que entrou em vigor no dia 01 de Janeiro de 1993. É conveniente que os crampons cumpram as normas da Comunidade Europeia (CE) e/ou da União Internacional das Associações de Alpinismo (UIAA) que dão a garantia que os crampons superaram os testes de resistência proporcionando-nos maior segurança. No geral todos os produtos comercializados na Comunidade Europeia cumprem as normas CE, mas nem sempre cumprem as normas da UIAA, ainda que sejam bastante parecidas. Neste caso a norma vigente é a EN 893:2000/UIAA-153. As normas CEN são obrigatórias exigindo certificação dos crampons. As normas exigem determinados tipo de testes:



. As pontas anteriores devem ser testadas com uma bota “master”, 75.000 vezes a 1.250 N (1.000 = ca.100kg), sem roturas, nem fissuras.

. O crampon completo deve ser testado 500.000 vezes com uma bota “master”, a 800 N sem roturas nem fissuras.

. As pontas verticais devem ser testadas por um minuto e a resistência à rotura deve ser superior a 1.200 N.

. As fitas devem resistir pelo menos 1.000 N.

. As anilhas e ilhoses devem resistir pelo menos a 3.000 N.



A ruptura por fadiga

Estas severas provas, servem para controlar não somente a resistência dos crampons em termos absolutos, como também a sua capacidade de resistir às rupturas por fadiga. A ruptura por fadiga é uma característica do aço e em geral das ligas metálicas, ainda que seja ignorada pelos consumidores. Uma longa série de esforços, mesmo pouco continuados, somados leva-os ao colapso da estrutura de aço que cederá repentinamente e sem aviso.

Os aços

Um dos grandes inimigos dos crampons é o frio. O aço é o material mais usado na construção do esqueleto e das pontas dos crampons, por ser o mais duro e resistente, tendo tendência a dobrar-se em vez de partir. O aço comum perde grande parte das suas características mecânicas aos -8ºC. As melhores ligas são as de Níquel, de Cromo e de Molibdeno. O níquel aumenta a dureza, a resistência à corrosão e a eficácia no tratamento térmico, o cromo aumenta a resistência e o molibdeno aumenta a resistência a altas temperaturas e a resistência à fadiga, principalmente a baixas temperaturas. Podem ser fabricados em aço forjado e em aço inoxidável, sendo que o primeiro deve ter um tratamento de pintura antioxidante.
Também encontramos crampons construídos em alumínio, sendo um material mais leve, e ainda que tenha grande dureza e seja inoxidável, tendem a quebrar em vez de se dobrarem. Usam-se portanto num plano não muito técnico e em terrenos pouco exigentes para aproveitar a sua leveza.

As pontas ou picos

As pontas são o elemento mais importante na hora de eleger os nossos crampons. Quanto maior for o número de pontas, maior será o agarre e a estabilidade e por sua vez, maior será o seu peso. Ainda que o número de pontas ditará se é o mais adequado para uma ou outra actividade. Geralmente os crampons de 10 pontas estão indicados para uma travessia ou trecking pouco exigentes, os de 12 pontas são indicados para alpinismo em diferentes graus e os de 11, 12 e 8, 9 pontas são indicados para escalada em gelo e Dry-Tooling. As pontas são todas mais ou menos perpendiculares à sola da bota com excepção das duas primeiras que estão orientadas para a frente e que nos permitem progredir na pendente de frente.

. Utiliza-se o crampon de correias ligeiro com 6, 8 ou 10 pontas para caminhadas com cruzamento de nevões ocasionais.

. Utiliza-se o crampon de 10 pontas para travessias, para trecking pouco técnico ou de pouca pendente ou para calçado pequeno.

. Utiliza-se o crampon semiautomático ou automático de 11 / 12 pontas para os diferentes graus de alpinismo, escalada em gelo, corredores de neve ou Dry-Tooling. Nestes casos um bom crampon de correias pode servir também.

. Utiliza-se o crampon semiautomático ou automático de 11 ou 12 pontas, com pontas dianteiras de serra e o mais resistentes possível, se formos realizar escalada em gelo

Como já frisamos, todas as pontas são mais ou menos perpendiculares à sola da bota, com excepção das dianteiras. Tentaremos esclarecer a utilidade e as características de cada uma delas:



1. Pontas dianteiras

2. Pontas posteriores

3 e 4. Pontas laterais

5 e 6. Pontas traseiras

As pontas dianteiras (1), que podem ser uma ou duas, permitem fixar-nos de frente a pendente. Se a pendente tiver pouco desnível, as pontas podem estar um pouco mais inclinadas para o solo, mas se a pendente tiver um grande desnível, necessitamos que as pontas estejam quase paralelas às solas das botas, para as cravar mais facilmente e não as dobrar-mos ou partir ao chutar a neve ou o gelo. Nunca serão completamente paralelas às botas, pois o material desgastava-se excessivamente. O comprimento das pontas dianteiras também tem influência. Um maior comprimento permite-nos atravessar a neve ou gelo suave para alcançar maior profundidade e agarre, enquanto que um menor comprimento das pontas, exige-nos menor esforço quando as cravar-mos em gelo mais duro, assim como manter-nos mais colados à parede.

Existem 3 tipos de pontas dianteiras e cada uma se utiliza num tipo de actividade ou outra:

. Pontas planas: ao termos uma superfície mais ampla, torna-as melhores para neve suave e terrenos polivalentes. Em neve dura ou gelo, será mais difícil cravar e conseguir que não se soltem. Portanto utilizam-se em travessias ou treckings.



. Pontas em Serra: são opostas às planas, uma pequema superfície e terminadas em forma dentada na sua parte inferior para se cravarem mais facilmente na neve ou gelo duros de uma forma perpendicular. Podem-se apresentar em monoponta e desmontáveis. Portanto utilizam-se em escalada, em gelo ou Dry-Tooling.


. Pontas em T: são um híbrido entre as duas anteriores. A ponta à superfície é estreita em forma de serra, e conforme se aproxima do esqueleto do crampon a superfície vai aumentando. Portanto não se comportarão a 100% em nenhuma das situações anteriores.


As pontas posteriores (2) são verticais, ainda que um pouco orientadas para a frente, para ajudar na sua função de pontas dianteiras, ou seja, permitir manter a estabilidade na pendente.
As pontas laterais (3 e 4) proporcionam estabilidade e agarre nas travessias laterais.
As pontas traseiras (5 e 6) seguram-nos nas descidas, permitindo que se apoie completamente o tornozelo do pé na neve de forma a progredirmos para baixo. Algumas delas são completamente perpendiculares à bota para conseguir essa função.

O Esqueleto do Crampon

Podemos encontrar 3 grandes grupos de crampons segundo a construção do seu esqueleto geral.

. Crampons flexíveis ou articulados

São construídos em duas partes unidas por uma articulação ou barra ajustável, que nos permite ajustar o tamanho do crampon ao tamanho de quase qualquer bota. Além disso, esta barra permite alguma flexão entre as partes do crampon, o que permite uma melhor adaptação à flexão natural do pé ao caminhar. A barra ajustável pode-se fixar a qualquer distância mediante uma ou duas filas de perfurações com parafuso.
As barras podem-se distinguir em vários tipos:
Em função da dureza

Flexiveis: fabricadas de plástico e praticamente criadas para caminhar comodamente em terreno plano, não sendo aconselhável para praticar desportos técnicos com esta barra.

Rígidas: fabricadas em aço ou alumínio, aptas para toda a classe de actividades mais exigentes como alpinismo e escalada.

Em função da forma

Rectas: esta barra apenas tem curvatura e possui uma forma recta, ideal para botas plásticas.

Assimétricas ou anatómicas: esta barra oferece ao crampon uma curvatura assimétrica que se adapta à sola da bota mais anatómica.

Em função do ajuste

Apenas uma perfuração: ajusta-se apenas em função de uma fila de furos.

Dupla perfuração: permite um ajuste mais preciso em função de duas filas de furos.

Meios mecânicos: é necessário ajustar o comprimento do crampon com a ajuda de chaves de parafusos.

Outros: embora este sistema esteja praticamente obsoleto, o ajuste realiza-se por intermédio de barras dentadas.
Por vezes, as barras podem incluir um sistema de protecção para que a neve não bloqueie os orifícios de ajuste.





. Crampons rígidos ou em caixa

São construídos numa só peça ou bloco maciço. São bastante rígidos, o que proporciona muita estabilidade para a escalada em gelo, mas são muito incómodos em trecking com pouco desnível, pois não permitem que a bota se molde à passada do pé. Recomenda-se o seu uso em botas rígidas para evitar que se dobrem ou partam.



. Crampons técnicos

São crampons integrados nas próprias botas, para actividades muito exigentes.



A fixação do crampon

. Correias ou Cintas

É o sistema de fixação mais antigo e o mais polivalente, pois permite ajustar o crampon a quase qualquer tipo de bota. Consiste numa cinta que desde a parte posterior do crampon passa pela parte dianteira através de uma anilha, volta à parte posterior e finalmente contorna o tornozelo (conhecido como sistema escocês, pois existem outros tipos de disposição das correias). Desta forma consegue-se fixar o crampon à parte inferior das botas. O inconveniente deste sistema é que a fixação é um pouco pesada e não é tão firme como o resto das fixações, o que pode originar que o crampon se solte a meio da travessia. As correias de nylon cobertas de neoprene são resistentes e não absorvem a água. As de nylon podem acumular neve e portanto congelar. As de couro podem chegar a apodrecer e romper-se ao molharem-se. Este tipo de crampon é mais aconselhável para pequenos treckings e ascensões pouco técnicas.





. Semiautomáticos

Estes crampons constam de um calcanhar que morde a bota e os fixa, é uma ponta de plástico similar à que encontramos nos crampons de correias. Possuem muitas mais prestações que os de correias e são mais cómodos de colocar. Podem-se utilizar, tanto em botas rígidas como em semi-rígidas, mas o inconveniente é que as botas devem estar preparadas para este tipo de crampons, quer dizer, não se podem utilizar em botas que não possuam a parte posterior da sola cramponavel, pois corre-se o risco de saírem da bota. Este tipo de crampons pode ser utilizado em treckings técnicos e em escalada em gelo não muito exigente.



. Automáticos

Estes crampons possuem uma caneleira igual aos crampons semiautomáticos e na ponta possuem uma barra metálica. São os mais fáceis e rápidos de colocar, além de serem os que se fixam mais firmemente à bota. Também se podem utilizar em botas rígidas e semi-rígidas, no entanto as botas devem estar adaptadas para este tipo de crampons, com um reforço na sola na parte dianteira e posterior. Nunca se deve utilizar este tipo de crampons em botas não cramponáveis, pois podem sair com facilidade das botas. Cada fabricante varia o desenho da barra metálica dianteira, por isso será melhor experimentar o crampon com a mesma bota que vamos utilizar, pois podem não ajustar a todos os tipos de botas. Costumam trazer uma correia adicional, para a eventualidade de se perderem em caso de saírem da bota. Estes crampons podem ser utilizados em treckings técnicos e em escalada no gelo.




Para saber que fixação é mais adequada, devemos orientar-nos por esta simples tabela:

Categoria de Bota Categoria de Crampon
B0 Nenhum
B1 C1
B2 C1 – C2
B3 C1 – C2 – C3

Em que na coluna dos crampons C1, corresponde à fixação de correias, C2 à semiautomática e C3 à automática.
Na coluna das botas , B0 corresponde a umas botas simples em que não se recomenda crampons, B1 umas botas de trecking mais robustas, B2 umas botas semi-rígidas com ranhura traseira na sola, e B3 umas botas rígidas de alta montanha com ranhura na sola tanto no calcanhar como na biqueira.
Nunca se deve utilizar um crampon automático ou semi automático com uma bota que não tenha a ranhura indicada para os mesmos no calcanhar e na biqueira provocará a saída do crampon da bota e será mais que provável um acidente que poderá ser mortal. É um principio que nunca se deve esquecer, nunca utilizar um crampon com uma fixação não adequada à nossa bota.

Os Antibots

Os antibots, também conhecidos como ABS ou antisnow, são pequenas peças de plástico ou latex que se inserem na parte inferior do crampon para evitar que a neve adira ao mesmo e se formem os conhecidos “socos de neve”. A sua superfície pode ser lisa ou com ranhuras, de forma a facilitar a queda da neve. A sua fixação pode ser por intermédio de rebites, guias ou anilhos que ficam o mais fixas possível ao crampon para que não magoem ao caminhar. A maioria dos crampons costumam incorporar os antibots, inclusive são vendidos em separado para reposição, mas os modelos mais baratos podem não os trazer, pelo que será necessário comprar uns.



A eleição do modelo

Baseia-se sobretudo dependendo do tipo de utilização e conforme o tipo de calçado.

Pessoalmente, não acredito que exista uma marca melhor que a outra, apenas existem uns produtos diferentes com uns requisitos diferentes. No entanto as marcas que têm mais tempo no mercado nesta matéria são: Grivel, Charlet Moser (anexa à Petzl), Camp, Black Diamond, Salewa e DMM.
Com botas sem entalhes de fixação ou com solas flexíveis, ou com o uso de espessos cobrebotas de expedição, os modelos de fecho automático não são convenientes, sendo preferível o tradicional sistema de fitas. A grande desvantagem é que as fitas são mais incómodas de fechar e comprimem o pé obstruindo a circulação do sangue e por conseguinte contribuindo para o esfriamento do pé. Para todas as botas de plástico e para muitas de esqui de travessia comercializadas actualmente, o sistema automático bem regulado, é a melhor solução em condições de segurança e pela facilidade de colocação em situações incómodas.



Rígidos ou flexíveis

Um crampon completamente rígido parece ser mais funcional para cascatas geladas ou paredes cheias de gelo velho e negro, oferecendo um apoio mais estável e a total ausência de vibrações, no entanto está mais sujeito ao stress por fadiga, o que o torna mais frágil. Se o objectivo for caminhada ou escalada por vias tradicionais geladas ou mistas, é preferível utilizar um crampon articulado, pois será menos desgastante e mais resistente.

Cuidados a ter com os crampons

. É importante que o crampon seja regulado correctamente. Deve ser pelo menos 5mm mais curto que a sola da bota e nunca maior que esta, para evitar que durante a descida se torne perigoso soltando-se repentinamente.

. As correias devem ser fechadas e depois novamente reguladas após alguns minutos de marcha.

. Todos os crampons originam tamancos, principalmente em condições com neve. A utilização de uma sola anti-tamancos é factor de comodidade e segurança.




. Para afiar as pontas dos picos, deve-se usar uma lima de corte fina e nunca um amolador para não estragar o seu tratamento térmico. As pontas laterais afiam-se na sua parte anterior e posterior e nunca sobre os flancos, as pontas anteriores afiam-se nos flancos e nunca nas partes planas.

. O crampon não deve ser aquecido por nenhum motivo, porque se estragaria o seu principal tratamento térmico.

. Não se deve guardar os crampons molhados ou sujos numa bolsa impermeável. É aconselhável lavar os crampons com água limpa e secar ao ar livre, depois engraxar com gordura ou silicone.

. Os crampons podem-se danificar quando caminhamos sobre rochas, por isso deve ser controlado regularmente o seu estado de uso.

. Com calma e em casa, os crampons devem ser inspecionados e devem ser revistas as regulações, as arruelas, o aperto dos parafusos, o estado das cintas, as partes articuladas, etc.

. Os crampons podem ser perigosos para os nossos companheiros e para nós próprios, convém que sejam guardados e transportados dentro da mochila ou num saco porta-crampons. Estes sacos devem ser fabricados de um material bastante resistente, de preferência de poliéster ou nylon de alta resistência. No caso de possuir uma rede de ventilação, que facilita a sua secagem, deve ser especialmente resistente.




. Além do saco, existem as protecções das pontas. Existem em borracha ou latex, que inutilizam o fio das pontas protegendo tudo e todos das suas pontas afiadas. Estas protecções apenas devem ser usadas no transporte e nunca quando utilizarmos os crampons. Existem dois tipos de protecções das pontas;

em forma ramificada



E em forma circular



. Geralmente é mais útil levar um par de crampons do que um piolet. Quando seja necessário fazer a eleição, optem pelos crampons, pois podem tornar segura uma passagem perigosa numa zona não extrema.

Boas caminhadas com segurança.

06 março 2012

O CMB deseja as rápidas melhoras ao Dr. Afonso Costa

O Presidente da Assembleia Geral do CMB - Clube de Montanhismo de Braga, Dr. Afonso Costa, tem-nos privado da sua companhia nas últimas actividades do clube, pelo facto de ter sido sujeito a uma intervenção cirúrgica.

A situação não é demasiado grave, no entanto obriga a bastante repouso. O Dr. Afonso Costa é uma figura a quem o clube se habituou a ter presente nas suas actividades e que estranha esta falta temporária deste valoroso montanheiro e que esperamos seja breve.



O CMB deseja as rápidas melhoras ao nosso amigo Dr. Afonso Costa, pois os amigos precisam da sua companhia alegre e as montanhas esperam ansiosas pela sua visita.

05 março 2012

O Piolet

Para a progressão em neve dura e gelo, dois elementos fundamentais são, o piolet e os crampons. Vamos começar por falar do piolet. Ainda que a sua utilização possa ser bastante intuitiva quando não existe excessiva exposição, é conveniente ter em atenção algumas regras, conselhos e principalmente muito treino e consciencialização para as situações em que o seu uso como acto reflexo e imediato o converta numa ferramenta eficaz e em alguns casos decisiva.

E para começar esta exposição, iremos falar um pouco sobre a história do piolet.

O piolet nasceu de uma fusão entre os bastões usados pelos pastores dos Alpes e de pequenas enxadas de uso agrícola.
Esta fusão, produzida por volta do ano 1840, foi criada para unir numa só ferramenta, as funções dos seus antecessores. Por um lado o apoio do bastão, que já possuía uma ponta metálica para que durassem mais, e uma pequena enxada para talhar passadas no gelo, pois ainda não existiam crampons.
Com o passar do tempo, a forma da machada foi-se modificando para talhar as passadas, passando a borda da machada de vertical para horizontal (a pá de hoje)
Com o aparecimento dos crampons, reduziu-se a necessidade da talhada de passadas, reduzindo-se o comprimento do manípulo.
Por volta dos anos 60, começaram-se a usar ligas metálicas para os manípulos substituindo a madeira. Por sua vez reduziram-se ainda mais os manípulos e começou-se a usar picos curvos.
No início dos anos 70, aparece o conceito do “piolet tracção” e por volta de 1975, apareceram os piolet com picos moduláveis.
Em meados dos anos 80 aparecem os manípulos curvos e a evolução segue.

Hoje em dia, existem modelos super especializados adaptados às diversas actividades desportivas actuais, como escalada em gelo, dry tooling, etc.
Antes de mais nada, é importante conhecer as partes de um piolet:

A cabeça do Piolet é composta pelo PICO na parte da frente e pela PÁ na parte de trás, por vezes a pá é substituída por uma peça metálica tipo martelo. A parte onde se une o MANÍPULO à CABEÇA chama-se CRUZ DO PIOLET. O MANÍPULO é a parte mais comprida do piolet e a VIROLA é a ponta final onde termina o manípulo, que é sempre metálica.

Portanto, as partes de um piolet são:


1. folha ou pico
2. pá
3. trela
4. manípulo
5. virola

Os piolet podem ser classificados de diferentes formas, segundo algumas das suas características:

Em função da tecnologia de fabrico do pico e da pá:

1. Usinagem: O pico fabrica-se a partir de uma lâmina de aço ou alumínio, que é moldado com a forma adequada. A pá pode-se fabricar em separado com o mesmo método e posteriormente soldar-se ao pico ou pode fazer parte da mesma peça metálica do pico, conseguindo-se a sua orientação horizontal por meio de uma retorção da peça. No caso de piolet modular, a pá será fixada directamente ao manípulo.

2. Forjado: O procedimento baseia-se em golpear o aço, normalmente aquecido a altas temperaturas, para moldar a forma. Por sua vez, o aço forjado alinha as estructuras internas do aço na mesma direcção, o que torna a peça muito mais resistente. inconfundível com o temperamento de uma peça mecanizada. O procedimento de mecanizado é muito mais barato que o forjado, mas convém ter presente, que tem como inconveniente que a espessura dos picos é constante em toda a sua amplitude e que o aço mecanizado é menos resistente que o forjado.


Em função da resistência:

1. Básicos: Normalmente denominados de “montar” ou “travessia”. A cabeça do piolet pode ser de aço ou zicral (alumínio). A resistência do piolet é de cerca de 250kg. Costumam estar identificados no manípulo, perto da cabeça com um “B” dentro de um circulo.

2. Técnicos: A cabeça é sempre de aço. A resistência é de cerca de 400 kg. Os piolet técnicos podem ser usados para montar reuniões. Costumam estar identificados no manípulo perto da cabeça com um “T” dentro de um circulo.
Existem piolet modulares, principalmente utilizados para escalada em gelo, em que o manípulo é tipo “T” e o pico e pá podem ser “B”. A razão, é que os picos e as pás tipo “B” são mais finas e penetram melhor no gelo.

Em função da sua forma:

1. Clássico: o piolet para toda a vida, recto, válido para um uso habitual em travessias glaciares ou alpinismo. As medidas mais usuais nestes piolet são de 60 a 70 cm, ainda que se podem encontrar até 80 cm.

2. Tracção: Os que têm manípulo curvo e picos com formas mais agressivas, idealizados para cascatas de gelo, corredores e alpinismo de dificuldade. Normalmente medem uns 50 cm de comprimento. Englobamos aqui os piolet desenhados para dry-tooling e gelo extremo, ainda que tenham características próprias.

3. Mistos: possuem uma cabeça clássica, mas têm o manípulo um pouco curvado. Permitem um uso bastante correcto num uso normal e permitem ser usado como piolet de tracção com certas garantias. Costumam medir entre 50 e 60 cm.

4. Auxiliares ou 3ª ferramenta: Geralmente tem ceptro em vez de pá e com manípulo muito curto (cerca de 40 cm), também chamados de martelo – piolet usado principalmente como ferramenta auxiliar na escalada em gelo ou corredores muito difíceis.




Utilidade do Piolet

De seguida tentaremos explicar os usos habituais do piolet:

1. Como ajuda na progressão (piolet – bastão): para usar o piolet como bastão, a cabeça deste deve ser confortável para a segurar com a mão e o manípulo deve ser suficientemente comprido de forma a podermos apoiar-nos nele sem nos dobrar-mos. A menor pendente do terreno dispensa um piolet maior. Tanto nas subidas, em plano e nas descidas, o pico deve ir sempre voltado para a frente. O piolet deve ser sempre utilizado do lado da pendente.


2. Como ajuda na progressão (piolet- tracção): Usa-se nas pendentes mais fortes, agarrando o piolet próximo da virola e cravando-o pelo pico na pendente acima de nós, puxando-nos para ele para prosseguir. Uma boa trela e algum tipo de apoio para a mão junto à virola, favorecerá
muito a sua utilização neste caso.

3. Como ajuda na progressão (piolet vassoura): Quando a pendente é alta e a posição do bastão é incómoda, pegamos no piolet como se se tratasse do remo de uma canoa. A mão de fora empurra a cruz do piolet para dentro da ladeira, cravando a virola perpendicularmente à superfície, a outra mão (mais próxima da ladeira) agarra o manípulo junto ao ponto onde o piolet penetra na neve e empurramos com ela como se estivéssemos a remar. É uma forma cómoda a utilizar em fortes pendentes. Este método também é útil para descer esquiando com as botas e usando o piolet como leme e como travão, embora só deva ser usado este método em ladeiras muito seguras e onde seja garantida sempre a auto-detenção em caso de perder o controle.

4. Piolet Âncora: Crava-se o piolet pelo pico, agarrando-o pela cruz com uma mão em baixo e com a outra mão seguramos o manípulo pela altura da virola. É útil para passar ressaltos curtos com um só movimento do piolet, passando de âncora a apoio, de forma que o corpo avança bastante sobre a mesma posição do piolet.

5. Piolet apoio: Quando a pendente é mais forte tenderemos a progredir mais de frente para ela. Nesta situação, podemos agarrar o piolet por cima da cruz e cravar o pico de forma que nos apoiemos nele empurrando-o para baixo. O manípulo poderá não ficar totalmente paralelo à pendente para permitir que a virola também seja usada.


6. Piolet estaca: Crava-se o piolet pela virola o máximo possível, agarrando a cruz com as duas mãos para nos apoiar-mos nele. É útil para sair de ressaltos ou progredir de frente em ladeiras pronunciadas com neve macia.

7. Para escavar passadas: com a popularidade dos crampons, abandonou-se o hábito de escavar passadas. Ainda assim, um piolet com pá permitirá escavar uma plataforma ou fazer uma vala para enterrar um piolet para fazer de segurança numa descida em rappel.

8. Para cravar pitões ou cravos. Se o piolet dispõe de ceptro, pode ser usado para colocar pitões, no entanto se pretendermos colocar muitos pitões, será mais cómodo e eficaz utilizar uma ferramenta mais curta, como um martelo de escalada ou um martelo piolet.

9. Como segurança ou ancoragem rápida. Um manípulo que penetre bem na neve dura, como uma estaca de neve, permitirá fazer um asseguramento rápido mediante bota-piolet.

10. Como segurança numa reunião sobre neve (piolet em T). O manípulo do piolet não deverá ser demasiado curvo e terá que ter muita boa resistência.
11. Como segurança sobre gelo. O piolet deve ter um buraco junto à virola onde se possa colocar um mosquetão. Outra possibilidade é usar um buraco na cabeça, mas se a direcção de tracção não for correcta, é mais provável que se solte. Nunca devemos usar a trela para fazer segurança nestes casos.

12. Para parar uma queda (auto detenção). Um piolet muito comprido (mais de 65 cm), tornará muito mais difícil a manobra.



Escolha do Piolet

Na hora da eleição devemos ter em conta, para que queremos o piolet. Assim, em função dos requisitos de uso, podemos resumir o seguinte:

1. Travessias glaciares ou ascensões simples: será necessário um piolet de forma clássica, com manípulo recto com um comprimento que permita agarrar pela cabeça e com o braço estendido chegue à altura do tornozelo (entre 65 e 75 cm aproximadamente). Podem ser do tipo B ou do tipo T.

2. Esqui de travessia: normalmente são de forma clássica e leves. Tipo “B”. Com tamanhos desde os 45 a 55 cm. Existem com menos de 300gr. Apenas servem para autodetenção e autosegurança. Costuma faltar a virola.

3. Ascensões com pendentes moderadas (até 60º): Forma clássica, manípulo recto ou misto, preferível do tipo “T”, com uns 55 a 60 cm.

4. Ascensões com fortes pendentes (mais de 60º): Piolet tipo “T”, com qualquer forma de manípulo, mas que permite um bom uso de piolet tracção, e que permite certo uso como apoio, tamanho entre 50 e 60 cm.

5. Corredores, misto e gelo na vertical: Será necessário um par de piolet de tipo “T”, criados para serem usados como piolet tracção. Um com pá e outro com ceptro (para colocar pitões). Se for necessário colocar muitos pitões, poderá ser necessária uma 3ª ferramenta auxiliar, o martelo piolet. É importante que tenham umas boas trelas. 50 a 55 cm.

6. Escalada em gelo: par de piolet tipo “T”, no entanto os picos podem ser do tipo “B”. Pode ser aconselhável que possuam trelas que se possam soltar facilmente do piolet e bons apoios no manípulo para as mãos. Com uns 50 cm. Uma 3ª ferramenta pode ser útil na altura de colocar parafusos de gelo ou pitões, enquanto estamos seguros pelos piolet. O uso de pá ou ceptro depende da situação. Para uso desportivo, podem inclusive eliminar-se ambas e usar sem trela.


7. Dry-tooling: Como os piolet de gelo, mas com picos tipo “T” muito resistentes. Em determinados piolet as cabeças têm formas especiais que permitem engachamentos inversos e outras extravagâncias. Os manípulos podem dispor de 2 zonas diferenciadas para permitir diversas formas de agarre.

Conselhos e recomendações

Como acontece com toda a ferramenta, devem seguir-se umas directrizes para a sua conservação e uso, especialmente quando desta ferramenta pode depender a tua integridade física.

Cuidados e conservação do piolet

. Não aquecer nunca o aço, por nenhum motivo. O tratamento térmico resultaria em danificação do material (destemperamento) e por conseguinte a resistência e duração do piolet.

. Ainda que um pouco de óxido não debilite o aço, será melhor que não oxide. Por isso deve limpar-se e secar sempre o piolet, depois do seu uso. Nunca se deve guardar molhado. Se ficar guardado durante bastante tempo sem usar, é conveniente dar-lhe um banho com uma fina camada de óleo e guardá-lo num local seco.

. Deve ser inspeccionado cuidadosamente antes e depois de cada uso, procurando rachadelas ou partes que se tenham afrouxado.

. Se tivermos um piolet modular, não seria má ideia possuir um bico de substituição.

. Se golpearmos os crampons com o piolet, para retirar os tamancos de neve, estragamos a pintura do piolet. Isto não tem influência na sua resistência, mas sim no seu aspecto.

. Se usarmos o piolet em gelo, este deve estar adequadamente afiado. Para o afiar usa-se uma lima fina e deve-se afiar lentamente, para evitar que aqueça o metal. Quanto mais duro for o gelo, maior deve ser o afiamento do piolet, no entanto quanto mais afiado for, maior desgaste sofre.

. Durante o seu transporte é aconselhável proteger as partes afiadas do piolet (pico, pá e virola) para evitar picar ou romper outras peças do equipamento (teixteis principalmente). Não há necessidade de comprar nada, com um pouco de mangueira de jardim, conseguem-se fazer boas protecções.

Trelas

. O piolet deve ser sempre usado com uma trela de qualidade.

. A trela deve estar sempre presa à cabeça do piolet.

. As que trazem um aro plástico em volta do manípulo, não servem para um uso técnico.

. Se o teu piolet não tiver uma trela em condições, podes comprar uma com pouco dinheiro ou podes fazer uma com uma cinta ou um cordino.


Como pegar no piolet enquanto caminhamos

Agarrar o piolet, com a mão por cima da cabeça do mesmo colocando os dedos anelar e mindinho por debaixo da pá, o dedo do meio estendido sobre o manípulo, o dedo indicador estendido sobre o pico e o dedo polegar na parte contrária do manípulo, estendido sobre ele. Em muitas ocasiões dobra-se o dedo indicador por debaixo do pico, pois segura-se melhor o piolet, no entanto em caso de neve dura ou mole, se o segurarmos desta forma, o piolet introduz-se até ao fundo na neve, podendo provocar o achatamento do mesmo.

O transporte do piolet

Quando não se estiver a utilizar o piolet, deve-se transportar das seguintes maneiras:


a)Na mochila, preso e com protecção no pico, na pá e na virola.

b)Na mão, pegando pelo centro de gravidade, com o pico voltado para o solo e a virola para a frente.

c)Entre a almofada da nossa mochila e as nossas costas, com protecção no pico, na pá e na virola.

Segurança e aprendizagem

. Antes de te lançares a comprar crampons ou piolet, pede emprestado ou aluga e principalmente, aprende a usar os mesmos. Procura alguém que te ensine, ou inscreve-te num curso.

. A falta de conhecimentos e/ou prática com os crampons e o piolet, provocam imensos acidentes e no entanto, se não sabes usar o piolet, este não te serve para nada, servirá porventura para te tirar um olho a ti ou a um companheiro.

. O facto de transportarmos crampons e piolet sem os saber usar, pode-nos levar a uma falsa sensação de segurança que pode ser causa de acidentes. As técnicas de auto-detenção com piolet não são inatas ao ser humano humano. É preciso aprender e praticar bastante.

Boas caminhadas, com segurança.