09 abril 2014

Montanhismo com crianças




A montanha e as crianças são compatíveis? Quase tudo nesta vida é compatível se existir vontade e capacidade para alcançar um objectivo. As férias ou os fins-de-semana no Verão tanto podem acontecer na praia como na montanha.





É evidente que a praia e o mar têm as suas vantagens na hora de planificar umas férias e muitas crianças desfrutam delas como loucas brincando na areia e na água do mar.
No entanto se a preferência dos pais for a montanha, será uma excelente opção fomentar o amor e a paixão por esta nos seus filhos.





A montanha, o bosque, um prado, um penedo, um campo nevado, um fluxo de um ribeiro, constituem magníficos locais de recreio e de aventuras. O excursionismo e o montanhismo constituem uma ocupação de tempo livre ideal para os mais jovens, desde que estejam reunidos alguns princípios básicos.





As crianças não desejam alcançar um cume a qualquer preço. Geralmente, o que mais lhes importa é o meio ambiente, a experiência que podem recolher do momento. Contemplar uma árvore retorcida, trepar alguns penhascos pequenos ou observar um formigueiro, podem constituir objectivos interessantes para ocupar o seu tempo.





As crianças não têm a resistência de um adulto, precisam de parar com mais frequência para descansar e precisam de parar constantemente para comerem algo. É sobretudo não esquecer de efectuar paragens suficientes para estas beberem.





Os pais devem baixar a fasquia da sua própria ambição em conseguirem um alto rendimento, em benefício dos benefícios concretos dos seus filhos. De que serve a uma criança de dois anos subir às costas do seu pai até um cume de dois mil ou de três mil metros? A dormência nas pernas da criança, uma insolação ou a contínua agitação da descida, não constituem uma experiência nem uma recordação agradável para ela, enquanto que uma correria para ela ou a brincadeira num riacho, lhe fornecerá bastantes mais benefícios e satisfação.





Apenas quando possuem uma idade de aproximadamente 5 ou 6 anos, começa a despertar nelas uma certa vontade de conseguir maior rendimento, vontade essa que é conveniente avaliar com cuidado. A experiência para enfrentar uma qualquer actividade deve permanecer sempre em primeiro plano, juntamente com a prevenção, a preparação e segurança.





As crianças tornam-se rapidamente independentes e nesse processo de crescimento os aspectos desportivos da montanha os podem começar a fasciná-las. Mas para que tal aconteça, é importante que tenham tido uma infância agradável no contacto com o meio natural da montanha, para que esta não constitua não uma recordação de sofrimento e repúdio, e essa tarefa é da responsabilidade dos seus pais.





Boas caminhadas

02 abril 2014

Notícia, fotos e video da conquista do Curavacas por associados do CMB


No passado dia 09 de Março, três montanheiros, membros do Clube Montanhismo de Braga, ousaram alcançar o cume do Curavacas; uma montanha belíssima e emblemática, por vezes subestimada, com 2524 metros, às portas dos picos da Europa no maciço de Fuentes Carrionas, na província de Palencia.
Os montanheiros João Soares, Manuel Martins e Cláudio Ribeiro, chegaram à localidade de Vidrieros no final da tarde de sábado, de onde puderam admirá-la na sua quase totalidade. Escolheram fazer uma das vias clássicas na montanha Palentina, aberta nos anos 60, de dificuldade média, mas com um corredor de 500 metros de nível III/2+. As condições atmosféricas estavam tão  apelativas, que o Cláudio Ribeiro decidiu tentar fazer o cume nesse mesmo dia. O João Soares e o Manuel Martins saíram no dia seguinte, bem cedo, para aproveitar a sombra no esporão sul, a fim de garantir boas condições  de segurança. De Vidreiros até à base do esporão são cerca de duas horas de caminho, entre rios, prados, bosques e muita neve. 


 Já com todo o equipamento, e chegando à base do esporão sul, ali se depararam com uma quantidade de neve maior que o aconselhável, fato que os levou a ter cuidados redobrados. Iniciaram a ascensão, sempre atentos aos perigos inerentes a avalanches, quedas de gelo e rochas, entre outros. 





À medida que o esporão ia estreitando, a inclinação também ia aumentando (dos 45º até aos 60º, já na parte final). 


Terminada esta etapa, seguiram em direção à face norte, uma zona bastante exposta, com muito gelo, requerendo bastante concentração, pois um deslize revelar-se-ia fatal. 


Quando alcançaram o cume, pelas 10h30m, já lá estava o Cláudio Ribeiro, que após ter pernoitado numa fenda mais larga da parede do corredor, o alcançara três horas antes.


 Depois da foto da praxe, iniciaram a descida por “Las Lianas” e “Callejo Grande”, uma zona que se revelou também bastante perigosa devido ao gelo e às constantes avalanches. A descida foi feita com toda a segurança, e sempre de forma a aproveitar e admirar a bela paisagem.


 Duas horas depois chegaram à povoação. Como deve ser regra na montanha, só no fim da descida é que acaba a atividade e este caso foi mais um excelente exemplo de um bom final. Partiram então de regresso a Braga, com o objetivo cumprido aliado a momentos bem passados.
Esta é mais uma conquista do jovem mas sempre dinâmico CMB. 


Estes três montanheiro do Clube de Montanhismo de Braga estão de parabéns por mais esta conquista que enaltece o nome do CMB.

De seguida publicamos um video desta expedição realizado pelo Paulo Soares a quem desde já agradecemos o empenho demonstrado.