09 outubro 2011

Curiosidades sobre o Saco-Cama

Sabia que um saco-cama de penas perde as propriedades de isolamento se ficar molhado? No entanto os saco-cama acolchoados com material sintético retêm o calor mesmo quando molhados.
O saco-cama pode transformar-se numa armadilha perigosa em caso de situação critica súbita, pois pode ficar preso dentro dele. Para sair de um saco-cama com segurança e rapidez, deve manter a calma e não perder tempo a abrir o fecho. Primeiro sente-se e puxe o saco-cama para baixo até à cintura.
Em seguida, deite-se e levante as ancas do chão. Empurre o saco-cama para ficar com as ancas fora dele.
Sente-se de novo e empurre o saco-cama para baixo, levante os joelhos e retire os pés.
Esperemos que nunca tenha necessidade de usar esta técnica, no entanto o saber não ocupa espaço, e como nunca se sabe… aqui fica a dica

07 outubro 2011

Um Passeio Pelos Picos da Europa

O CMB no "Ultra del Dolpo" em terras Nepalesas

No próximo dia 7 de Outubro, o associado do Clube de Montanhismo de Braga, Cláudio Ribeiro, empresário de Vila Verde, que conta no seu currículo, entre outros, com ascensões aos cumes do Elbrus (ponto mais alto da Europa), Monte Branco (ponto mais alto da Europa Ocidental) e Toubkal (ponto mais alto do Atlas – Norte de África), parte para uma aventura extrema nos Himalaias.
Durante um período de 4 semanas o Cláudio (de 8 de Outubro a 1 de Novembro), estará em terras Nepaleses para participar no chamado “Ultra del Dolpo”.
No período de 10 a 17 de Outubro, a actividade desenvolve-se no Vale de Khumbu, num trilho que o levará até um pouco mais acima do Campo Base do Everest, alcançando os 6200 mts. Esta actividade destina-se a permitir a aclimatação à altitude, tudo de forma a criar as melhores condições físicas para enfrentar o Ultratrail.
De 21 de Outubro a 1 de Novembro terá lugar o Ultratrail, na região do Annapurna, Dolpo e Nepalgunj.
O Ultratrail, que vai conhecer a sua 1ª Edição, terá de 473 Kms de extensão, numa corrida de montanha cheia de “altos e baixos”. A prova dura um total de 12 dias consecutivos e pode ser acompanhada através do site “Chismes Himalaya”, com o endereço:

http://trailrunningnepal.org/2011/01/09/2011-10-19-chismes-dolpo-%C2%A9-chismes-annapurna-%C2%A9/#es

Esperamos que este nosso caminheiro tenha os maiores sucessos nesta prova de enorme exigência física e mental, o que muito enche de orgulho o CMB!

06 outubro 2011

De Braga até ao Alasca

O Clube de Montanhismo de Braga esteve representado na expedição “Portuguese Denali 2011”, que decorreu no maciço do Denali, Alasca, nos EUA. Planeando escalar a montanha mais alta da América do Norte (Denali ou Mount McKinley, com 6.192m de altura) pelo West Buttress. A expedição que foi composta por três elementos: Armindo Dias, o Líder, Vasco Fernandes e Eduardo Vieira, este último como representante do CMB, acabou por não ter sucesso. Esta foi a segunda tentativa de alcançar esta montanha. A primeira em 2007, com um grupo de cinco elementos, também não teve sucesso devido ao mau tempo. A escalada nesta montanha é caracterizada pelo grande isolamento em relação à civilização, devida ao facto de todo o percurso ser efectuado em neve e gelo, bem como de nos encontrar-mos num clima sub-ártico, sujeito em qualquer altura a grandes mudanças em termos de condições climatéricas e ao grande ênfase na auto-suficiência que as equipas têm de demonstrar, na medida em que não há qualquer abrigo ou reabastecimento em todo o maciço, segundo Eduardo Vieira, salientando que devido a essa circunstância, toda a comida para a expedição que pode durar mais de três semanas, e todo o combustível necessário para cozinhar e derreter neve (para obter água) tem de ser carregado pelos membros da expedição. Por esse motivo, na prática é impossível carregar toda a comida, combustível e equipamento numa mochila, acabando por resolver-se esse problema usando duas técnicas distintas, trenós semelhantes aos que usamos para deslizar nas encostas da Serra da Estrela e que se atam às mochilas, sendo usados normalmente, entre os sucessivos campos, bem como a técnica de subir e enterrar material supérfluo num depósito o qual é depois bem marcado na neve com varas finas de bambu, dormindo-se no acampamento mais abaixo e voltando a subir no dia seguinte com uma carga mais leve, recuperar o depósito e montar novo acampamento.
Condições Climatéricas
A montanha é escalada através de uma sucessão de acampamentos (normalmente cinco) desde o campo base no South-East Fork do Glaciar kahiltna. A via escolhida pode ser dividida em três partes: a primeira parte que se situa entre o campo base e o campo três, consiste na travessia do Glaciar Kahiltna que se faz em cerca de três dias com um ganho de altitude de cerca de 1.200m. Não tem grandes dificuldades técnicas, mas vem a ser uma das zonas que apresenta maiores perigos, pois o Glaciar é rasgado por inúmeras fendas no gelo ou crevasses e o risco de queda numa delas é significativo. A última parte da escalada compõe-se com a subida ao campo cinco e daí, a ida ao cume. Infelizmente devido ao cansaço acumulado, quando foi alcançado campo, depararam-se condições impeditivas de tentativa de cume, em virtude do muito vento, que se traduz em muito frio e muito perigoso quando nos deslocamos àquela altitude. Perante este cenário, segundo Eduardo Vieira, houve a necessidade de tomar decisões e, analisada a meteorologia e as questões logísticas, foi decidido abandonar a escalada, pois o mau tempo iria durar ainda alguns dias, sem garantia de melhorias de que voltassem a verificar-se condições razoáveis para tentar cume. Além do mais, a comida também já não abundava e temia-se que não fosse suficiente para o tempo de espera para mais uma tentativa.
Convém lembrar que esta aventura foi publicada na revista “Campismo & Montanhismo”, nº31 Julho/Agosto/Setembro 2011 da FCMP.
Parabens “Edú” estamos orgulhosos de ti. Não fizeste cume, mas foi uma vitória, pois naquele terreno inóspito, cada passada é uma vitória.

05 outubro 2011

A Mochila (3)

Como distribuir o peso na mochila
Esta é uma das dúvidas mais frequentes, como distribuir o peso na mochila. Vamos tentar ajudar , começando por lembrar que o bom equilíbrio da mochila nas costas é fundamental para o conforto e desempenho do utilizador. Por norma devem-se colocar as coisas mais pesadas em cima e as mais leves em baixo, o que pode fazer falta a qualquer momento deve ir nos bolsos laterais (se tiver bolsos laterais), ajustar bem a mochila ao corpo através das alças e do cinto. No entanto a distribuição dos equipamentos na mochila pode mudar de acordo com a actividade a ser praticada.
Quando efectuar caminhadas leves (terrenos suaves e descampados), aconselho a colocar o material pesado o mais alto possível e perto das costas, de forma a manter o centro de gravidade da carga na altura dos ombros.
Quando efectuar caminhadas médias (terrenos acidentados e trilhos em mata) e escaladas, uma vez que são situações que exigem passos altos, saltos, agachamentos e balanços laterais, o centro de gravidade deve situar-se na altura do meio das costas e próximo à mesma.
Quando efectuar caminhadas difíceis (terreno muito acidentado e mata fechada) e grandes cargas, pode-se colocar o equipamento pesado no fundo da mochila, o que permite maior liberdade de movimentos e consequentemente, menos desgaste físico.

O que levar na mochila? Como distribuir?
Ora aqui está uma pergunta pertinente e de difícil resposta, de qualquer forma vou dar algumas “dicas”, sendo conveniente informar que só após efectuar várias jornadas nos vamos apercebendo de como devemos seleccionar o nosso material a carregar, do que realmente faz falta e do que geralmente transportamos inutilmente, com a experiência vamo-nos apercebendo do que realmente faz falta e do que pode ser completamente desnecessário.
Deve evitar levar na mochila embalagens pesadas, de vidro, quadradas, pontiagudas ou muito rígidas. Quanto mais maleáveis e menores forem as coisas que levar, melhor aproveitamento fará do espaço na mochila. Evitar levar muita roupa desnecessária e volumosa. Aproveite todos os espaços vazios, como por exemplo, colocar os artigos de limpeza dentro da marmita, colocar meias dentro dos copos, retirar o rolo central rígido do papel higiénico, tudo deve ser pequeno por exemplo tente levar os produtos no tamanho “amostras grátis”. À quem defenda que a melhor forma é colocar a roupa na mochila toda amarrotada, outros defendem que a roupa ocupa menos espaço se for dobrada, outros se for enrolada, enfim, o melhor será experimentar todas as opções e ver qual se adequa melhor. Convém embalar tudo em plásticos individuais uma vez que não existem mochilas 100% impermeáveis, embora algumas mochilas possuam uma resina interior que apenas retarda a penetração da água no seu interior. Se a mochila não possuir uma capa impermeável para a chuva, será conveniente comprar uma (existem à venda individualmente para todos os tamanhos de mochila). Evitar colocar objectos com arestas e duros junto das costas, mesmo que ao inicio não incomodem muito, após uns kilometros não conseguimos continuar e teremos que parar para ajustar novamente o interior da mochila. Os objectos que se transportem fora da mochila devem ir bem presos e nunca ao dependuro, pois o balanceio torna-se incómodo e corremos o perigo de os perder. Convém ter sempre à mão os objectos essênciais, como por exemplo kit de primeiros socorros, alguma comida ligeira, lanterna, canivete, bússola e mapa, etc.
Mantenha a carga o mais leve possível, a carga máxima por pessoa não deve ser superior a um quarto do seu peso. Ajustar a mochila de modo a manter a carga junto às costas, mas sem restringir a circulação dos braços.
Seguidamente mostro um check-list de material que costumo usar para as minhas saídas, montanhismo e alpinismo. As listas são meramente indicativas, devendo cada um fazer os ajustes que considerar necessários. Não esquecer que se nos deslocarmos para o estrangeiro é conveniente levarmos a documentação necessária, como por exemplo Bilhete de Identidade, Cartão de saúde europeu, carta de condução, cartão multibanco, passaporte com validade, licença de montanheiro, seguro, etc.



Lista de material para Montanhismo
Roupa
. Calçado confortável, botas de montanha de preferência (nada a estrear)
. Calça ou calção confortável
. Calças impermeáveis (para o caso de chuva ou neve)
. Casaco impermeável (para o caso de chuva ou neve)
. Forro polar fino (para o caso de frio)
. Forro polar grosso (para o caso de muito frio)
. Roupa interior térmica
. Meias (de preferência sem costuras)
. Óculos de sol
. Luvas finas
. Luvas impermeáveis (para o caso de chuva ou neve)
. Gorro (para o caso de frio)
Material
. Mochila (cerca de 25 lt para caminhadas de um dia)
. Cobre mochila impermeável (para o caso de chuva)
. Colchonete (opcional)
. Lanterna (para o caso de cair a noite)
. Canivete
. Termos (entre 0,7L e 1L)
. Papel higiénico
. Sacos para o lixo
. Bolsa de primeiros socorros
. Toalhetes
. Polainas (para o caso de vegetação molhada, chuva ou neve)
Material Técnico
. Bastões de marcha
. Comida (sandes, barras energéticas, gel energético (ao critério de cada um)
. Máquina fotográfica (opcional)

Lista de material para Alpinismo
Roupa
. Botas de montanha (recomendo o uso de botas de montanha rígidas ou semi-rígidas para maior estabilidade em terreno nevado)
. Calças impermeáveis
. Casaco impermeável
. Forro polar fino
. Forro polar grosso
. Roupa interior térmica
. Meias (de preferência sem costuras)
. Óculos de sol
. Luvas finas
. Luvas impermeáveis
. Gorro
Material
. Mochila (45L a 65L)
. Cobre mochila impermeável
. Colchonete
. Saco cama
. Lanterna frontal
. Fogão + gás + isqueiro
. Tachos + talheres + canivete
. Caneca
. Termos (entre 0,7L e 1L)
. Papel higiénico + toalhetes
. Protector solar (factor de protecção superior a 30 ou protector de tipo "écran total")
. Sacos para o lixo
. Bolsa de higiene
. Bolsa de primeiros socorros
. Comida
. Tenda (1 para cada 2 ou 3 pessoas)
Material Técnico
. Bastões de marcha
. Piolet
. Crampons
. Polainas
. Máscara de neve
. Arnês
. Capacete
. Mosquetões (1 x HMS + 2)
. Descensor
. Aneis de fita (1 x 60 cm + 1 x 120cm)

Curiosidades
Uma forma de proteger os objectos de pancadas e da humidade é colocar a colchonete enrolada dentro da mochila e colocar o material no seu interior.











Como colocar uma mochila pesada nas costas quando se encontra sozinho? A forma mais fácil consiste em colocar a mochila em cima de uma rocha ou uma arvore caída e então introduzir-se no arnês. Caso contrário deve agarrar a mochila fortemente na parte superior e levanta-la até à coxa da perna flectida, então introduz-se um braço numa das alças e subir a mochila para as costas. De seguida introduz-se o outro braço e inclina-se o corpo para a frente para apanhar a fita do ajuste frontal e apertá-lo. Podemos depois em terreno fácil afrouxar as fitas dos ombros para que as ancas façam todo o trabalho.

Improvisar uma mochila, chamada de mochila em ferradura. Esta mochila pode ser usada para transportar confortavelmente objectos ao longo de grandes distâncias. Os procedimentos para construir uma são os seguintes, coloque no chão um pano com cerca de 1,5m x1,5m (A), coloque todos os objectos de um lado do pano e role-o com os objectos até ao extremo oposto. Ate cada uma das extremidades e coloque mais dois fios igualmente espaçados a atar o rolo (B). Junte as duas extremidades e prenda-as. O que tem agora não é mais do que uma embalagem compacta e confortável que pode passar de um ombro para o outro, sempre que necessitar (C).



Por: Amadeu Barros