05 outubro 2011

A Mochila (3)

Como distribuir o peso na mochila
Esta é uma das dúvidas mais frequentes, como distribuir o peso na mochila. Vamos tentar ajudar , começando por lembrar que o bom equilíbrio da mochila nas costas é fundamental para o conforto e desempenho do utilizador. Por norma devem-se colocar as coisas mais pesadas em cima e as mais leves em baixo, o que pode fazer falta a qualquer momento deve ir nos bolsos laterais (se tiver bolsos laterais), ajustar bem a mochila ao corpo através das alças e do cinto. No entanto a distribuição dos equipamentos na mochila pode mudar de acordo com a actividade a ser praticada.
Quando efectuar caminhadas leves (terrenos suaves e descampados), aconselho a colocar o material pesado o mais alto possível e perto das costas, de forma a manter o centro de gravidade da carga na altura dos ombros.
Quando efectuar caminhadas médias (terrenos acidentados e trilhos em mata) e escaladas, uma vez que são situações que exigem passos altos, saltos, agachamentos e balanços laterais, o centro de gravidade deve situar-se na altura do meio das costas e próximo à mesma.
Quando efectuar caminhadas difíceis (terreno muito acidentado e mata fechada) e grandes cargas, pode-se colocar o equipamento pesado no fundo da mochila, o que permite maior liberdade de movimentos e consequentemente, menos desgaste físico.

O que levar na mochila? Como distribuir?
Ora aqui está uma pergunta pertinente e de difícil resposta, de qualquer forma vou dar algumas “dicas”, sendo conveniente informar que só após efectuar várias jornadas nos vamos apercebendo de como devemos seleccionar o nosso material a carregar, do que realmente faz falta e do que geralmente transportamos inutilmente, com a experiência vamo-nos apercebendo do que realmente faz falta e do que pode ser completamente desnecessário.
Deve evitar levar na mochila embalagens pesadas, de vidro, quadradas, pontiagudas ou muito rígidas. Quanto mais maleáveis e menores forem as coisas que levar, melhor aproveitamento fará do espaço na mochila. Evitar levar muita roupa desnecessária e volumosa. Aproveite todos os espaços vazios, como por exemplo, colocar os artigos de limpeza dentro da marmita, colocar meias dentro dos copos, retirar o rolo central rígido do papel higiénico, tudo deve ser pequeno por exemplo tente levar os produtos no tamanho “amostras grátis”. À quem defenda que a melhor forma é colocar a roupa na mochila toda amarrotada, outros defendem que a roupa ocupa menos espaço se for dobrada, outros se for enrolada, enfim, o melhor será experimentar todas as opções e ver qual se adequa melhor. Convém embalar tudo em plásticos individuais uma vez que não existem mochilas 100% impermeáveis, embora algumas mochilas possuam uma resina interior que apenas retarda a penetração da água no seu interior. Se a mochila não possuir uma capa impermeável para a chuva, será conveniente comprar uma (existem à venda individualmente para todos os tamanhos de mochila). Evitar colocar objectos com arestas e duros junto das costas, mesmo que ao inicio não incomodem muito, após uns kilometros não conseguimos continuar e teremos que parar para ajustar novamente o interior da mochila. Os objectos que se transportem fora da mochila devem ir bem presos e nunca ao dependuro, pois o balanceio torna-se incómodo e corremos o perigo de os perder. Convém ter sempre à mão os objectos essênciais, como por exemplo kit de primeiros socorros, alguma comida ligeira, lanterna, canivete, bússola e mapa, etc.
Mantenha a carga o mais leve possível, a carga máxima por pessoa não deve ser superior a um quarto do seu peso. Ajustar a mochila de modo a manter a carga junto às costas, mas sem restringir a circulação dos braços.
Seguidamente mostro um check-list de material que costumo usar para as minhas saídas, montanhismo e alpinismo. As listas são meramente indicativas, devendo cada um fazer os ajustes que considerar necessários. Não esquecer que se nos deslocarmos para o estrangeiro é conveniente levarmos a documentação necessária, como por exemplo Bilhete de Identidade, Cartão de saúde europeu, carta de condução, cartão multibanco, passaporte com validade, licença de montanheiro, seguro, etc.



Lista de material para Montanhismo
Roupa
. Calçado confortável, botas de montanha de preferência (nada a estrear)
. Calça ou calção confortável
. Calças impermeáveis (para o caso de chuva ou neve)
. Casaco impermeável (para o caso de chuva ou neve)
. Forro polar fino (para o caso de frio)
. Forro polar grosso (para o caso de muito frio)
. Roupa interior térmica
. Meias (de preferência sem costuras)
. Óculos de sol
. Luvas finas
. Luvas impermeáveis (para o caso de chuva ou neve)
. Gorro (para o caso de frio)
Material
. Mochila (cerca de 25 lt para caminhadas de um dia)
. Cobre mochila impermeável (para o caso de chuva)
. Colchonete (opcional)
. Lanterna (para o caso de cair a noite)
. Canivete
. Termos (entre 0,7L e 1L)
. Papel higiénico
. Sacos para o lixo
. Bolsa de primeiros socorros
. Toalhetes
. Polainas (para o caso de vegetação molhada, chuva ou neve)
Material Técnico
. Bastões de marcha
. Comida (sandes, barras energéticas, gel energético (ao critério de cada um)
. Máquina fotográfica (opcional)

Lista de material para Alpinismo
Roupa
. Botas de montanha (recomendo o uso de botas de montanha rígidas ou semi-rígidas para maior estabilidade em terreno nevado)
. Calças impermeáveis
. Casaco impermeável
. Forro polar fino
. Forro polar grosso
. Roupa interior térmica
. Meias (de preferência sem costuras)
. Óculos de sol
. Luvas finas
. Luvas impermeáveis
. Gorro
Material
. Mochila (45L a 65L)
. Cobre mochila impermeável
. Colchonete
. Saco cama
. Lanterna frontal
. Fogão + gás + isqueiro
. Tachos + talheres + canivete
. Caneca
. Termos (entre 0,7L e 1L)
. Papel higiénico + toalhetes
. Protector solar (factor de protecção superior a 30 ou protector de tipo "écran total")
. Sacos para o lixo
. Bolsa de higiene
. Bolsa de primeiros socorros
. Comida
. Tenda (1 para cada 2 ou 3 pessoas)
Material Técnico
. Bastões de marcha
. Piolet
. Crampons
. Polainas
. Máscara de neve
. Arnês
. Capacete
. Mosquetões (1 x HMS + 2)
. Descensor
. Aneis de fita (1 x 60 cm + 1 x 120cm)

Curiosidades
Uma forma de proteger os objectos de pancadas e da humidade é colocar a colchonete enrolada dentro da mochila e colocar o material no seu interior.











Como colocar uma mochila pesada nas costas quando se encontra sozinho? A forma mais fácil consiste em colocar a mochila em cima de uma rocha ou uma arvore caída e então introduzir-se no arnês. Caso contrário deve agarrar a mochila fortemente na parte superior e levanta-la até à coxa da perna flectida, então introduz-se um braço numa das alças e subir a mochila para as costas. De seguida introduz-se o outro braço e inclina-se o corpo para a frente para apanhar a fita do ajuste frontal e apertá-lo. Podemos depois em terreno fácil afrouxar as fitas dos ombros para que as ancas façam todo o trabalho.

Improvisar uma mochila, chamada de mochila em ferradura. Esta mochila pode ser usada para transportar confortavelmente objectos ao longo de grandes distâncias. Os procedimentos para construir uma são os seguintes, coloque no chão um pano com cerca de 1,5m x1,5m (A), coloque todos os objectos de um lado do pano e role-o com os objectos até ao extremo oposto. Ate cada uma das extremidades e coloque mais dois fios igualmente espaçados a atar o rolo (B). Junte as duas extremidades e prenda-as. O que tem agora não é mais do que uma embalagem compacta e confortável que pode passar de um ombro para o outro, sempre que necessitar (C).



Por: Amadeu Barros

03 outubro 2011

A Mochila (2)

Tamanho
O tamanho de uma mochila é determinado pela sua capacidade em litros. As mochilas pequenas, em geral, têm capacidade para 25 a 40 litros e destinam-se a pequenas jornadas de um dia no máximo. A capacidade das médias varia de 45 a 60 litros e as grandes podem carregar de 60 a 90 litros, destinadas a actividades de vários dias em que seja necessário levar o material e roupa suficientes. Se pretende apenas uma mochila polivalente, talvez a melhor opção seja adquirir uma mochila média que possua bons recursos de ajuste para manter a carga bem firme na mochila, mesmo não estando completamente cheia. Se possível, o ideal será a mochila não ultrapassar a largura dos ombros e não passar acima da cabeça, de forma a não incomodar quando atravessarmos zonas de mata densa ou locais muito apertados.
Como regular a mochila
As mochilas modernas têm vários ajustes e é fundamental conhecer as suas funções para poder adequá-las a cada situação. É fundamental conhecer a sua mochila e todos os seus detalhes. Quando olhamos para uma mochila, verificamos que tem imensas fitas dependuradas, todas essas fitas não são puro enfeite, cada uma tem uma função específica. Com excepção do ajuste dorsal, todas as outras devem ser ajustadas de cada vez que se coloca a mochila, pois dependem da carga, do terreno, da roupa e até do humor do dono. Quanto mais técnica for a actividade, mais se exige estabilidade da mochila e mais apertados devem ser os ajustes.



Ajuste dorsal



Normalmente é o único ajuste fixo da mochila, quer dizer, regula-se uma vez de acordo com o tamanho do seu tronco. Fazer esse ajuste de maneira muito atenta e de preferência com o auxilio de alguém. Se este ajuste for mal efectuado poderá sobrecarregar os ombros, levando rapidamente ao desgaste físico.







Fitas de compressão lateral


Este tipo de ajuste torna-se especialmente importante para mochilas com meia carga, pois permite compactar a carga mais perto das costas. O ideal é deixar a mochila achatada e rígida. O sistema mais comum é o de duas ou três fitas horizontais em ambas as laterais da mochila. O ajuste é feito com fivelas de nylon do tipo “só puxar”. É conveniente deixar pelo menos quinze centímetros de fita sobrando. Neste caso fivelas tipo macho-fêmea facilitam ainda mais a operação.




Ajuste frontal
Este é o acessório mais importante da mochila, média ou grande. Evite as mochilas com ajuste fixo, ou seja, aquelas que além da fivela principal da frente tem uma outra que fixa o ajuste. No mínimo, um dos lados deve ter regulação livre, ajustável sem que seja preciso desapertar a fivela principal. Certifique-se também se a regulação mínima da parte da frente vai ser ajustada adequadamente quando estiver mais magro ou sem roupa volumosa.
Algumas pessoas chegam a perder até cinco quilos numa caminhada de quinze dias em terreno difícil ou em altitude. Não esquecer que a função principal do ajuste frontal é transferir o peso da mochila para os quadris. Alças fofinhas e com aparência confortável podem-se tornar num martírio com uma mochila carregada e normalmente perdem muito em durabilidade. Preste atenção também à fivela. Existem muitos modelos diferentes e alguns deles podem quebrar se utilizados de forma exigente, principalmente se forem de plástico. As boas fivelas são de nylon e geralmente fazem um sinal sonoro “clac” quando fecham.


Alças principais
Assim como no ajuste frontal, as alças devem ser estruturadas (semi-rígidas) para melhor eficiência e durabilidade. As alças “acolchoadas” ou “fofinhas” acabam por se deformar e tendo a superfície de contacto diminuída. O ajuste das alças pode ser de cima para baixo, quando as fivelas são fixas nas extremidades das alças, ou de baixo para cima quando as fivelas são fixas na base da mochila.














Estabilizador lateral
Item responsável pela estabilização do movimento lateral da mochila sobre as costas. Deve ser regulado após o ajuste frontal e as alças terem sido apertadas, pois o seu ajuste muda drasticamente a cada situação.









Estabilizador superior






Mantém a mochila próxima das costas e desloca o peso para a frente, o que aumenta a eficiência do ajuste frontal. Muitas mochilas permitem regular a altura desta inserção. O ideal é que ela se mantenha alguns centímetros acima dos ombros.




Estabilizador peitoral
É uma óptima solução para cargas pesadas, terrenos acidentados e caminhadas longas. Evita que as alças entrem debaixo dos braços e permite transferir o puxão da mochila (tendência da mochila cair para trás) para a área peitoral, aliviando os ombros. Mudando-se o ajuste do estabilizador peitoral durante o decorrer do dia, ou mesmo soltando-o algumas vezes, alivia-se bastante o desconforto na parte superior do tronco.

01 outubro 2011

A Mochila (1)

A mochila é um dos elementos do nosso equipamento que requer mais atenção e cuidado. Uma mochila que se ajusta mal ou de má qualidade, irá tornar a nossa vida infernal, encorvando-nos lentamente até que fiquemos exaustos e doridos. Na hora de adquirir uma mochila, devemos ter muito cuidado, pois será a nossa companheira inseparável que nos ajudará a transportar a casa às costas.
Até à pouco tempo, falar de mochilas era o mesmo que falar de armações de madeira. Posteriormente a mochila com armação exterior de alumínio teve um grande êxito, no entanto com o evoluir da tecnologia, as mochilas evoluíram e dispomos actualmente de diversos tipos de mochila com armação interior e adaptadas aos diversos tipos de actividades. É essencial que a mochila se torne o mais confortável possível.




O nosso corpo e a mochila


Pensemos na articulação e na acção axial que se produz entre as pernas, a zona pélvica, a coluna vertebral, os ombros e os braços, enquanto caminhamos. Quando avançamos o pé direito, a anca direita gira sobre a parte inferior da coluna; a perna esquerda move-se a seguir e imediatamente a anca esquerda gira sobre a coluna em direcção oposta. Simultaneamente os ombros movem-se em tandem, mas o seu movimento é diametralmente oposto ao das pernas e os braços balançam de trás para a frente para equilibrar a passada. Em terreno plano, a mochila rígida de armação exterior não interfere muito na mecânica do movimento, mas se abandonarmos a suavidade do trilho plano e subirmos para as montanhas, verificamos que no terreno acidentado causa problemas na sequência do movimento. Os problemas não aparecem tanto nas subidas, uma vez que os movimentos das pernas e das ancas serão curtos, concentrados e estáveis, mas nas descidas começa-se a verificar que as ancas giram sobre o eixo central da coluna, como fazem normalmente, só que se inclinam para os lados cada vez que avançamos a perna para descer. Se a armação é rígida, a parte da mesma que está em contacto com a anca mais alta empurra a quina oposta da armação, separando-a do ombro, e o mais grave, o centro de gravidade da carga desloca-se e é distinto do centro de gravidade do corpo, provocando assim o desequilíbrio, o que num terreno com grande pendente e abrupto pode ser perigoso. Basicamente é um problema de balanço da mochila, uma vez que o corpo vai para um lado e a mochila para outro. Ponderou-se em soluções para resolver este problema. Pensou-se então no conceito do arnês sobre as ancas para melhorar o desenho das mochilas, o que se conta como um dos avanços mais importantes para melhorar a comodidade do transporte. O homem nunca foi destinado para ser uma besta de carga e a sua complicada e delicada coluna vertebral não foi destinada para suportar cargas pesadas. Se transferirmos o peso nas ancas em vez de o fazer sobre as costas, podemos carregar a mochila com muita mais comodidade e eficácia e ainda se unirmos o cinturão do arnês aos extremos inferiores da armação, fazendo um cinturão flutuante sobre as ancas, o corpo será independente da armação e vice-versa sem deixar de gravitar o peso sobre as ancas. A essência de um bom desenho de mochila radica na estabilidade e na distribuição do peso. Actualmente quase todas as mochilas têm arneses integrados sobre as ancas que fazem que o peso da mochila seja suportado pelos fortes músculos das ancas e das nádegas, em vez dos ombros

Como escolher a mochila ideal

Esta é a pergunta que apenas cada um pode responder individualmente. A escolha da mochila dependendo do tipo de actividade, é fundamental. Devemos olhar ao aspecto ergonómico, cujo conceito se refere à ajustabilidade dos objectos à anatomia humana. Proporcionar transporte de carga em harmonia com a constituição física humana é a principal função da mochila. Quando escolher a sua mochila deve prestar atenção em como ela se ajusta aos quadris e às costas, deve colocar a mochila nas costas e atar o cinturão das ancas com a sua parte superior sobre o osso da anca, de seguida ajustar as fitas dos ombros de forma que a mochila se ajuste às costas de forma que o ponto mais alto da armação fique a cerca de 4-7 cm abaixo do osso proeminente do pescoço. Este teste deve ser efectuado com a mochila cheia de forma a verificar como ela se adapta ao seu corpo. As mulheres devem verificar se a curvatura das alças não incomoda na altura dos seios (existem actualmente mochilas desenhadas especificamente para mulheres com alças mais estreitas por esse motivo e cinta da barriga mais afunilada adequando-se melhor à bacia da mulher ). A mochila ideal é aquela que mais se adapta às suas actividades e estrutura física. Para testar a resistência da mochila, vire-a do avesso e puxe com força no local das costuras, não esquecendo de testar também a resistência e a regulagem das alças de ombro e de barriga.


Espaço entre a mochila e as costas


Existem pessoas que preferem ter um espaço entre a mochila e as costas de forma a criar uma corrente de ar que aumente a ventilação e permita ficar mais frescos. O ideal é levar a mochila o mais possível encostada ao corpo. Uma mochila mais adaptada ao corpo torna a carga mais confortável. Lógicamente as costas suarão mais se tiverem uma mochila a pressiona-la, mas também transpiram quando subimos uma montanha sem mochila, é improvável que se crie uma corrente de ar suficiente que permita a evaporação do suor e da condensação que se forma. Quanto mais espaço tivermos entre as costas e a mochila, mais peso carregaremos nos ombros, fazendo que nos inclinemos para a frente para compensar, o que nos cansará mais.

29 setembro 2011

Jbel Toubkal…







Osvaldo Oliveira, Amadeu Barros e João Rodrigues do CMB, conquistaram o cume do Toubkal
numa jornada marcada por condições climatéricas bastante adversas, aos quais se juntou o amigo Manuel João nesta aventura.

No passado dia 18 de Abril, exactamente às 9:55 h locais (10:55 h em Portugal), três associados do Clube de Montanhismo de Braga “conquistaram o TECTO DO NORTE DE ÁFRICA”, o cume do Monte Toubkal, pelo corredor Sul, com 4.167 metros de altitude, acima do nível do mar, tecto da cordilheira do Atlas, destacando-se de outras montanhas circundantes que também superam os 4.000 metros, tais como Imouzzerr (4010 metros), Toubkal-Oeste (4030 metros), Timesguida (4089 metros), Ras (4083 metros) e Biiguinnoussene (4002 metros). A progressão para o cume, embora bastante íngreme, contudo não é tecnicamente difícil nem muito extensa, mas este ano foram fustigados por rajadas de vento constantes, muitas vezes a cima dos 80kms hora.

Ascensão

Dia de cume, 18 de Abril – Era dia de tentar atingir o cume do Toubkal e nós estávamos confiantes de que seríamos capazes de o conquistar, já lá havíamos estado há dois anos atrás. Se no primeiro dia a única dificuldade tinha sido as muitas horas de caminhada – cerca de quatro horas em terreno muito irregular e em permanente ascensão – com um desnível de cerca de 1500 metros, seguindo-se cerca de uma hora de progressão em neve até chegar ao refúgio de Neltner, numa cota de 3.207 metros de altitude. Neste segundo dia, podiam aparecer desafios maiores, o trilho, a partir do refúgio de Neltner até ao cume, estava todo coberto de muita neve e a experiência de um dos colegas a caminhar em neve era praticamente nula.
A nossa alvorada começou às 2:00 h, mas a intempérie que se fazia sentir – muita neve, nevoeiro e ventos muitos fortes, levaram a adiar a saída por mais três horas. Então, ás 5:00 h, iniciamos a preparação de todo o equipamento necessário – GPS, máquinas fotográficas, bandeiras, crampons, bastões, piolet e roupa adequada às rajadas de vento e às temperaturas baixas que se faziam sentir, seguindo-se o pequeno-almoço reforçado, já na sala do refúgio, com outros alpinistas.
O grupo do Clube de Montanhismo de Braga estava em forma. E foi com esse espírito que, às 6:35 h, passo a passo, iniciaram a ascensão. Foram subindo e descansando e subindo e descansando de novo, conquistando metro a metro dos cerca de 960 metros de desnível, do refúgio até ao cume. Tiveram que fazer mais paragens que as normais, já que as rajadas de vento eram constantes e, por vezes, tinham mesmo que parar e ficar bem agarrados aos piolet, para se travarem, para além de ter que enfrentar a rarefacção de oxigénio, que se ia fazendo sentir em função da altitude.
Aos 3.985 metros de altitude, bem perto do Toubkal Oeste, não se conseguia avistar a pirâmide que assinala o topo do Djbel Toubkal, como é habitual, já que o nevoeiro denso fechava qualquer indicação do percurso e o objectivo final. Contudo, eles sabiam que estavam bem perto e que agora já não lhes podia escapar o objectivo, o cume do Toubkal. Por volta das 9:55 da manhã do dia 18 de Abril de 2011, após cerca de 3:20m de subida, atingiram o cume do Djbel Toubkal a 4.167 metros de altitude! Não se via nada de lá de cima, estávamos só nós, o vento e o nevoeiro – ainda procuram o D. Sabastião, podia ser que andasse por ali…! Mas o facto de chegarmos lá acima é absolutamente fascinante, para os sentidos, para a pele e para a alma.
Aqui desfraldamos as bandeiras do Município de Braga e da Socimorcasal (empresa patrocinadora) e um cachecol do sempre glorioso Sporting Clube de Braga, no cume mais alto do Norte de África. Ainda dedicamos algum tempo a tirar mais umas fotos, com outros alpinistas que, entretanto, foram chegando.
Prova superada, ou quase, porque como diz o nosso alpinista português, o João Garcia, chegar ao topo é só metade da conquista pois ainda há o percurso de regresso. E descer pode ser mais rápido, menos difícil, mas é igualmente perigoso. Felizmente correu tudo bem e a descida, decorreu sem qualquer sobressalto. Regressados ao refúgio de Neltner, tomamos uma bebida isotónica para retemperar, refizemos as mochilas e iniciámos a descida até à base da montanha, a aldeia berbere de Imlil. Daqui, partimos em direcção a Marraquexe, onde celebramos a ascensão conseguida, num jantar festivo em pleno coração do centro da cidade.
No dia seguinte, dedicamos algum tempo a apreciar o ambiente exótico e animado da cidade e exploramos o insólito labirinto de vielas da sua Medina, visitamos a famosa mesquita e os célebres encantadores das serpentes do deserto e da cobra capelo, na famosa praça Djemaa el Fna que ainda abriga acrobatas, vendedores de água, dançarinos, músicos e barracas de comida.
Depois de terem percorrido algumas montanhas e cumes das mais emblemáticos a nível mundial, como são o exemplo do Kilimanjaro na Tanzânia, o Monte Branco em França, o Pico Aneto e o Monte Perdido nos Pirinéus, o Monte McKinley no Alasca, o Aconcágua na Argentina e o Elbrus na Rússia, o Jebel Toubkal em Marrocos surge como mais uma conquista bem sucedida por parte de elementos do Clube de Montanhismo de Braga. Foi, aliás, mais uma entrada com o pé direito para esta instituição recém-criada, mas que se propõem continuar na senda da conquista de cumes, procurando levar cada vez mais alto as bandeiras de Portugal, da nossa cidade de Braga e do Sporting Clube de Braga.

28 setembro 2011

Clube de Montanhismo de Braga conquista o cume do Perdiguero nos Pirinéus, atingindo os 3222 metros de altitude


Depois de alguns de nós já termos realizado algumas ascensões nos Pirinéus, alcançando alguns dos seus cumes mais significativos (Aneto, Posets, Monte Perdido e Vignemale), foi a vez de escolher nessa extensa cordilheira novos objectivos e aventuras.
Assim, formámos um grupo constituído pelo Paulo Costa, o Amadeu Barros, a Maria Carronda, o Daniel Ribeiro, o Vítor Veloso e o Manuel Ribeiro, na nossa maioria associados do Clube de Montanhismo de Braga, e partimos no passado dia 23 de Julho de 2011 da cidade de Braga com destino aos Pirinéus, mais concretamente com o objectivo de alcançar o cume das montanhas “Pica D’Estats”, situado a 3.143 mts e o Perdiguero com 3.222 mts .
Após uma noite e praticamente um dia de viagem, chegámos ao Camping D’Estats, situado na bela povoação de Àreu, na Catalunha, onde pernoitámos, preparando, entretanto, o equipamento necessário para “atacar”, no dia seguinte, a montanha “Pica D’Estats”.
O “Pica D’Estats” é o cume mais alto da Catalunha, situado na zona do Pirinéu de Lérida. A ascensão tem início num parque de estacionamento situado a cerca de 20 minutos do refúgio de Valferrera. Quando passámos junto ao refúgio de Valferrera estávamos já a uma altitude de 1.940 mts, avizinhando-se então um desnível teórico de 1.203 mts. Após uma subida íngreme em zig-zag alcançámos em muito pouco tempo a altitude de 2.080 metros. Superada esta rampa seguimos por uma zona mais ou menos plana que nos conduziu ao “Plan de Sotllo”. Neste ponto já deveríamos avistar o cume do Pica D’Estats, não fosse o intenso nevoeiro e as primeiras gotas de chuva que nos surpreenderam. Continuando a caminhada, alcançámos o primeiro lago, o “Estany de Sotllo”, onde montámos as tendas debaixo de chuva contínua. Inicia
lmente a ideia era ficar cerca de meia hora mais acima, no “Estany d’Estats”, porém, as más condições de tempo forçaram-nos a mudar os planos. Fomos toda a noite fustigados pelo mau tempo que se manteve de manhã, obrigando o grupo a abortar a missão devido aos perigos que o mau tempo acarretava. Iniciámos então a descida de regresso ao Camping para descansar um pouco. No dia seguinte, partimos para a povoação de Benasque, numa zona mais central dos Pirinéus, que dá igualmente acesso à zona do “Aneto””, que com os seus 3404 mts, vem a ser o ponto mais alto da Cordilheira, para daí procurarmos atingir o cume do “Perdiguero”. Nessa noite pernoitámos no “Camping Aneto”, em Benasque, e no dia seguinte (28 de Julho) iniciámos a subida. O início do trilho situa-se na ponte de Literola, aos 1600 metros. Inicialmente o trilho sobe bastante, numa zona com muita vegetação e arvoredo, até alcançarmos o “LLano de LLosgro”, onde se revela um vale e começa, com a altitude, a escassear a vegetação. Subimos a primeira “cascalheira” de rochas soltas que se desprendem da montanha, a qual se subiu ziguezagueando pelo trilho e, passados uns momentos, consegue-se avistar a Cabana de LLanos del Forcallo. Prosseguimos o trilho subindo por bons minutos sobre rochas, tendo o rio a correr em cascatas do nosso lado esquerdo. No cimo das cascatas encontrámos uma pequena lagoa situada a 2.286 metros, sendo junto a esta que elegemos o local para montar o acampamento e pernoitar. Infelizmente o céu

quase sempre encoberto impediu-nos a visão do céu noturno e constituía uma ameaça para o sucesso do dia seguinte.
Na manhã seguinte tínhamos sol! foi desmontado o acampamento e retomada a marcha, subindo uma zona rochosa e acidentada que passava junto do Lago Ibonet de Literola, situado nos 2.460 metros, sendo um lago de uma beleza rara e onde já se avistava alguma neve e onde se presenteava o grupo com a vista à sua frente do cume do Perdiguero. O trilho continuou sinuoso em cima de rochas e subimos até à base do Pico Perdigueret, situado a 2.765 metros e do qual se avista o deslumbrante Val de Estós.
A partir deste ponto a subida acentuou-se, e tornou-se ainda mais difícil pelo facto de efectuar-se, exclusivamente, sobre blocos (os “Bolos”) de rocha, o que obrigou a uma ascensão árdua e cautelosa até atingirmos a cumeada leste do Perdiguero (Hito Este do Perdiguero, situado a 3170 metros, que oficialmente implica um cume alcançado). Depois foram 15 minutos bem mais tranquilos até alcançarmos o cume central do Perdiguero, a uma altitude de 3.222 metros.
O cume do Perdiguero oferece uma paisagem deslumbrante, onde nos vimos rodeados de montanhas, e com as nuvens abaixo do nível onde nos encontrávamos. Dali avistávamos, por exemplo, a zona da Maladeta, com o Aneto em destaque, bem como o Posets (o 2ºcume mais alto da cordilheira – 3385 mts.) avistando-se, ainda, dois lagos com uma cor azul fora do comum, o Ibôn Blanco de Literola situado em Espanha e o Lac du Portillon D’Oô situado em França e, ainda, o glaciar de Literola.
Depois de comer uma “bucha” e tirarmos as fotos da praxe, iniciou-se a descida com cuidados redobrados, tendo bem presente que geralmente os piores acidentes ocorrem nas descidas. Felizmente, todos regressámos satisfeitos e fora de perigos, com mais uma conquista para recordar e enriquecer o curriculum pessoal de cada um e o do clube.
Curiosidades sobre o Perdiguero
O Perdiguero situa-se na província de Huesca, no limite com o Departamento de Haute-Garonne, no maciço Clarabide-Perdiguero-Boum.
Perdiguero em espanhol é o nome original, no entanto os franceses chamam-lhe Perdiguere. Consta-se que o nome deriva de perdiz, ave que abunda nos vales próximos. Foi baptizado pela primeira vez em 1850 pelo topógrafo francês Toussaint Lézat e pelo guia francês Pierre Redonnet.
A ascenção desta montanha é considerada algo difícil tecnicamente, com um desnível de 1662 metros

27 setembro 2011

O CMB retoma as caminhadas





O CMB retoma as suas caminhadas depois da "pausa" das férias e do Verão.


A primeira caminhada realizou-se no passado dia 24 de Setembro de 2011 e quem participou disfrutou de um dia magnifico, em boa companhia e em contacto directo com a natureza.


Já estão agendadas as próximas caminhadas para este ano, que se realizarão nos ultimos Sábados dos meses de Outubro e de Novembro. As caminhadas serão de dificuldade média.


A concentração, será como de costume junto à ex-Bracalândia com saída agendada para as 8:30h, apenas precisas trazer boa disposição, roupa adequada para caminhar em montanha, uma mochila pequena, farnel e água.


Para qualquer dúvida contacta-nos que concerteza obterás resposta.

23 junho 2009

II Ultra Trail Geira

No passado dia 14 de Junho realizou-se o 2º Ultra Trail da Geira – Via Nova, que desta feita, contou com a participação de cerca 160 atletas à partida tendo terminado 133.O evento teve, pela primeira vez, a participação de 5 atletas da Secção de Corridas de Montanha do Clube de Montanhismo de Braga, foram eles José Afonso, João Ferreira, José Ferreira, Jorge Costa e Narciso Marques. Muito embora tenha sido uma estreia do CMB em provas desta natureza, os resultados foram bastante satisfatórios, tendo em conta a dureza da prova.
Foi com grande satisfação, que pudemos assistir ao excelente 9º lugar do José Afonso com 3h57min e aos não menos honrosos 29ª lugar de José Ferreira com 4h33min, ao 38º lugar de João Ferreira com 4h42min e ao 108º lugar de Jorge Costa com cerca de 6 horas. Infelizmente, o atleta com mais experiência nestas provas de corrida de montanha, Narciso Marques, viu-se forçado a retirar devido a problemas físicos, que já o incomodavam antes deste evento. Não obstante, Narciso Marques não quis deixar de marcar presença, tentando assim a sua sorte nesta ultra maratona.A equipa do CMB voltará à competição no próximo dia 5 de Julho, no Ultra Trail da Freita, que terá a distância de 60km e 4500m de desnível acumulado. As inscrições ainda estão abertas, por isso os sócios que estiverem interessados, basta enviarem um e-mail para corridasdemontanha@clubemontanhismodebraga.org com uma fotocópia digitalizada do bilhete de identidade. O valor de inscrição nesta prova é de 35€. Para saberem mais detalhes basta ir ao sítio da confraria trotamontes (
www.confraria-trotamontes.pt).É a primeira vez que o Ultra da Freita dá pontos para a inscrição no Ultra Trail do Monte Branco e, por isso, alguns dos atletas do CMB tentam desta forma amealhar pontos com vista à participação no próximo ano nessa prova.Quem se alista?